28 de dezembro de 2006


PaSsAd0


E se te encontrasse? Mesmo que no meio de uma grande multidão te descobriria. Dir-te-ia que tudo isto era uma mentira e que estava feliz por ti. Que podia ser o padrinho do teu filho. Que me refiz sem retalhos e estou bem. Que não ando a fugir nas palavras ou nos poetas. Que afinal, o tempo existe e é eternamente irreversível. Sim. Se te encontrasse? Seguramente estarias tão surpreendente que o dia ficaria mais quente. Iria direito a ti, a vós, com o olhar húmido das noites suadas e mentirosas. E depois? Talvez te diga "Bom dia..." ou "Olha! Quem está por cá!!!" ou "Afinal existes... por isso ando morto!"

VeRdAdE

E se tudo fosse dito verdadeiramente?

Se as barreiras fossem somente os rios e os tempos?

Se as palavras não mentissem e não se enganassem?

Se tudo fosse ser?

De que serviria então a poesia?

fElIzMeNtE

Felizmente o silêncio do rio.
Felizmente a corrente sem dono.
Felizmente o Inverno e o vazio.
Felizmente a fome do abandono.
Felizmente a palavra solidão.
Felizmente a imagem do nada.
Felizmente ou talvez não.
Felizmente o pó da estrada.
Felizmente o sol que aquece.
Felizmente existimos assim.
Felizmente o mundo estremece.
Felizmente sentimos o fim.
Felizmente talvez a norte.
Felizmente talvez infinito.
Felizmente sem mar nem sorte.
Felizmente o grito aflito.
Felizmente tudo vai e tudo vem.
Felizmente os rios, os mares por aí.
Felizmente estás sempre tu, mãe.
Felizmente eu choro por ti.
Felizmente a dor de tanto te ter.
Felizmente o vazio de tamanha espera.
Felizmente a luz deste amanhecer.
De quem volta sempre com a Primavera.

Um beijo, felizmente.

27 de dezembro de 2006

f0rTe


Sempre
que te
mergulho
inundas-me...




BeIj0

Se o meu beijo pudesse entrar na tua cama
Aconchegava-se no teu regaço quente
Espalharia o sabor doce de quem se ama
Para adormecer eternamente...
Porque eterno é o sono dos amantes
Porque eterno é o futuro do antes
Porque eterna é a fogueira que há em mim
Porque eterno é isto: não ter fim.


Se o meu beijo pudesse entrar na tua cama amanhã seria nunca...

26 de dezembro de 2006

iR


Passaremos então perto das ondas.

Deixaremos que cubram nossos pés.

Deixaremos que nos façam saltar de mansinho pelo frio de Inverno.

Então correremos.

Até ao fundo da praia.

Até ao silêncio das marés.

Até à vertigem de nós.

Então pousaremos.

Na areia seca e molhada dos tempos.

Na espuma dos tempos.

Nas ventanias dos tempos.

Então adormeceremos.

Por fim sós.

Por fim contigo.



vEm

Leva-me no teu olhar para reflectirmos o mundo!

PeRdEr-Te...

Perdi-me de tanto te ter
De tanto silêncio cruel

Perdi-te de tanto te escrever
Sabor de trigo, vento e mel

Perdi-me de tanto te querer
De tanta cor vertigem poesia

Perdi-te de tanto amanhecer
Em qualquer noite em qualquer dia

Perdi-me de tanto não ver
De tanto cansaço em suor de mar

Perdi-te de tão bom te perder
Para de novo te ter ao te encontrar

25 de dezembro de 2006

PoEtAs


Todos os POETAS saberão existir!
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Todos eles, mas verdadeiramente TODOS, nos farão voar até nunca.
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Todos os poetas os EUS os Meus os TeUs os NoSs0s!
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Paremos então para os ver passar. E depois olhemos uns para os outros dizendo: "Olha... vai ali um poeta!"

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Talvez se abram os livros e as folhas das árvores colorem as palavras. Talvez se faça riso ou choro o doce duro caminhar das palavras.


Serei EU, sim senhor.


Para te ver passar ou para te abraçar.

24 de dezembro de 2006

F N E A L T I A Z L

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Porque nesta época as palavras ganham mais peso e cor, às vezes preferia ouvir o silêncio. Deixar que os ecos de amor e paz me acordem dos pesadelos e sonhos todos do mundo. Para depois abrir os olhos devagarinho.

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Para depois te pedir de novo: não percas as tuas palavras. Porque elas são de todos os dias todos as noites todos os natais e mudanças e dores e mares e a infinita poesia que brota de nós.

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Feliz quadra. Quentinha e aconchegante.

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oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...