6 de março de 2007

sEnTiNeLa

Construi um castelo enquanto dormias. Ergui a mais segura torre. Em azul pintada. Da cor das janelas. Pintei um jardim de danças e aromas. Em branco de todas as cores. Não armei a guarda à porta. Porque no meu (teu) castelo não há inimigos.


Não adormeço. Para te poder dizer AMO-TE!

5 de março de 2007

EsPeRo-Te

Espero. Penetro nas memórias do impossível; do desejo. Vagueio pelas letras de um alfabeto de escrever amor e dor. Respiro um ar de asfixiar-me o corpo e de me prender as mãos. Percorro um trilho de cores e aromas perto das margens; de mais; de pelo menos. Grito os silêncios das distâncias e as revoltas das marés. Turvo-me a cada passagem de ti. Que em mim trovejas.

IrEvIr

Todos os dias nos matamos mais um bocadinho. Na espera da resposta. Na alegoria da pergunta. Na inquietação dos olhares. Todos os dias. As noites. Cada minuto nos consome em direcção a uma existência mais longa. Cada morte é um parto em nós. Para de novo podermos mergulhar nas marés das paixões. Para conseguir, quem sabe, sorrir ao sol pela manhã. Para que as palavras nos sirvam de vassoura mágica. Em direcção a nós. Aos outros. A ti. Assim, talvez te solte os cabelos...

4 de março de 2007

AmAnHã

A noite não perdoa e as estrelas não pedem licença. Fez-se e desfez-se tão depressa que nem reparou que ainda estava meio despido com um cheiro de expulsão. Desejou a água limpa e fresca de um duche e nada mais. Depois um bom copo de leite frio e nada mais. A seguir uma janela aberta à luz e nada mais. Nada mais que o momento seguinte. Não mais desejara outra coisa que a possível simplicidade dos momentos que passam distraídos. Pobres... Afinal, os mais sumosos. Os que não nos enganam. Os que nos preparam para a solidão. E finalmente para amar de novo...

AmPuTaÇã0


O teu corpo basta-me quando o mundo anda de costas voltadas em gritos. Porque não há frutos nas distâncias. Mas há sombras nos encontros.

3 de março de 2007

ReGrEsSa-Me

Nada na noite fazia história. A Lua passava despercebida... nem uma luz que dançasse ou uma escuridão que aquecesse. A janela aberta do quarto sobre a cama em maré cheia deixava que o vento levasse nos lençóis o perfume do desejo. Sentado no chão, a cara escondida no corpo fetal. Lágrimas por nascer num rio que corre por dentro. A porta fechada. Tudo parecia estar no fim. Permaneceu perdido. Desejou-se esquecido. O mundo morrera. Foi aí que se atirou ao olhar possuidor dela. "Só tu para me regressares..."

ChEiRo


Não sou uma árvore para me cortares assim com o teu serrote. Sou uma flor, para te cobrir o corpo de cores.

2 de março de 2007

sUsTeNtAçÃo

Pronto me escrevo por entre a escuridão
____________A de existires. A de permaneceres.
A de sim. De talvez. De não.
.
.
Pronto me dispo perante tamanha fome, tamanha ilusão.
____________A de seres. A de ficares.
A de sim. De talvez. De não.
.
.
Pronto me despeço sem dizer adeus voltando sempre à maior maré tufão.
____________A de ti. A de nós.
A de sim. De talvez. De não.
.

.
Pronto sou assim. Um pequeno nada de vida em vão.
____________Eu. Ninguém.
Sim. Talvez. Não.

eViDêNcIa

Nunca quis que as minhas lágrimas inundassem seja o que for. Acreditei sempre que ficariam a pairar, talvez dançando, pelo infinito, até aterrarem numa qualquer poeira que as levaria para fora da minha casa. Enganei-me. As minhas lágrimas - como todas, aliás - desaguam sempre em nós. A sua mais improvável e destinada foz. Por isso, de cada vez que choro, sei que uma maré enche a praia.

ToQuE


"As tuas mãos parecem um segredo quando me tocam." E eu deixo-me ficar solto. Ao vento. Ao mar. Que das marés envolvo-me em ti. Que dos sopros nos fazemos calor. Nada deixo aprisionado fora de mim sempre que me tocas. Porque tudo é nós. No embalo de todas as memórias.

1 de março de 2007

dAqUi

Daqui me custa tanto chorar
Saber-te desse lado sem te poder olhar
Onde tudo é feito de imagens e marés
Nas voltas de tudo o que numa onda és...

Daqui te oiço como quem respira
Penetro-te entre o desejo e a ira
Onde tudo é leve e nada
Nas voltas do anoitecer de cada madrugada...

Daqui me deixo perdido e sereno
Tendo-te a meu lado e eu tão pequeno
Onde tudo é dor, amor e sabe-se lá o quê
Porque de tudo isto, daqui só fica o que se não vê


Aos meus leitores daqui

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...