Perdidos num quarto onde o sol se fazia convidado, onde o vento se fazia cobertor, onde as cores e os aromas dos corpos se faziam tijolo e telhado... Perdidos nessa paixão bailante dos olhos fechados, dos olhares para dentro de dentro, das lágrimas de nos banhar e de construir o chão... Perdidos no tempo, num tempo de não existir mais nada. Nem o sol nem o vento. Apenas nós. E o quarto cheiro de luz que entrava através da janela que tinha deixado propositadamente aberta à tua chegada. 15 de abril de 2007
ApEnAsNóS
Perdidos num quarto onde o sol se fazia convidado, onde o vento se fazia cobertor, onde as cores e os aromas dos corpos se faziam tijolo e telhado... Perdidos nessa paixão bailante dos olhos fechados, dos olhares para dentro de dentro, das lágrimas de nos banhar e de construir o chão... Perdidos no tempo, num tempo de não existir mais nada. Nem o sol nem o vento. Apenas nós. E o quarto cheiro de luz que entrava através da janela que tinha deixado propositadamente aberta à tua chegada. 13 de abril de 2007
sAbErEi?
Se perto de nós um porto único resiste,
Por entre os trilhos de um cantar mais que triste
Onde cada gaivota me traz tudo o que pediste?
Saberei do nada se de ti tudo quero?
Se parto no navegar de um abraço sincero,
Por entre as marés bailantes de um bolero
Onde cada onda é só mais um beijo em que espero?
Saberei, saberemos?
Quem sou, quem somos?
AtEnDe!
Foi quando me olhaste que a minha boca se tornou maior que o meu espelho e logo decidiu ser conto de fadas.Foi quando me olhaste que cantei em silêncio todas as paredes aquecidas dos nossos lares.
Foi quando me olhaste que deixei a minha mão junto aos teus cabelos sem te poder tocar.
Foi quando me olhaste que cada foguete da festa anunciou mais um arraial de ternura.
Foi quando me olhaste que caí morto nas correntes dos trilhos de não levar de volta.
Foi quando me olhaste que parei. E também olhei.
Finalmente olhei.
Para de novo cegar...
12 de abril de 2007
PeRtEnCi-Te?
Pertenci-te por momentosPerto de mim em cada recordação
Longe de todos os beijos sedentos
Os gestos certeiros de mais um canhão
Pertenci-te assim apenas
Às voltas em cada palavra desenhada
Tombado no perfume das assucenas
Onde nos deitámos em mais uma madrugada
Pertenci-te mesmo sem saber
Por dentro de mim, solto de tudo
Gritei de dor, sem nunca esquecer
Que o teu orgasmo foi sempre mudo
Pertenci-te e quis-te outra vez
Quem sabe perdida em tons de mar
Onde pudesse num só mergulho talvez
Fazer-te maré de nunca parar

Pertenci-te?
DeCá
Não me dês palavras vãs
Ao chegar ou ao partir
Encontra-me apenas, a sorrir,
Pelas noites, pelas manhãs
Onde cada olhar se faz cedo
Onda cada tempo se torna segredo
Onde cada vontade é nosso brinquedo
Perdido nas mãos que se chamam...
OnDa
Foi na praia limpa que ele a procurou, perdendo-se por entre cada grão de areia. De duna se fez e se deixou vigiante. À espera dela. Veio uma onda e perguntou-lhe "És tu?", ao que ela respondeu "Não. Mas posso ser...". Virou as costas às águas e assobiou ao vento. "Quem é?", perguntou-lhe ele de seguida. "Sou eu. Procuro-a... Sabes onde está?". Não obteve resposta. Só um leve sopro que o devolveu ao mar e o transportou pelas marés. Até hoje. 11 de abril de 2007
ToQuE
Percorre-me as mãos em silêncio que o teu toque diz tudo. Depois deixa-te ficar em mim como se um só respirar bastasse para construir tudo o que duas mãos sabem: a vida!
10 de abril de 2007
nÓ

Noutros tempos talvez tivesse ficado... Hoje, a cada palavra de te ter vou sabendo que afinal as distâncias são o nosso maior nó. Daqueles que atam PARA SEMPRE no embalo cada vez melhor dos silêncios e das ilusões. As palavras poupam-nos ao cruel olhar. Talvez assim saibamos outra vez de nós. Para já...
9 de abril de 2007
oLhArEsDeVoLtA
Percorri todas as distâncias pelas planícies do tempo. Parei nas muralhas dos corações. Vagueei pelas cores das janelas. Os aromas dos telhados. O brilho dos olhares suspeitos. Percorri todas as distâncias sem saber porquê. Afinal, nunca precisei de fugir...

Encontrei as turvas ondas de marés pequenas. As tempestades dos amores eternos. As folias das procissões que não passam. Percorri as distâncias em silêncio. Porque só em silêncio saberemos voltar...
8 de abril de 2007
aDoIs

Sabes o que é uma prisão? É ver-te de olhos abertos a passar dentro de mim sem te conseguir sequer tocar. É ouvir-te a cantar nas janelas sem entender porque choro. É cheirar os teus passos sem poder gritar. É arejar a casa para tu entrares, mesmo quando sais.
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Sabes o que é a liberdade? É ter-te no peito nas noites de Inverno. É cantar-te nos sorrisos. É gritar-me de tanto te seguir. É saber que tens a chave de casa.
7 de abril de 2007
aFiNaL

Afinal sei que existes,Que cantas a saudade nas esquinas,
Chamas por mim e resistes
Pelo fumo das saudades em ruínas...
Perto de mim, nos caminhos idos,
Dormes sossegada sem que nada te doa
Porque sabes que nunca andaremos perdidos...
Afinal cá dentro em marés de descobertas
Afinal por dentro em fomes desassossegadas
Afinal só dentro encontro as palavras certas
Afinal nem dentro sinto as minhas passadas
Afinal, as cores, os tempos, as planícies, os olhares, os cheiros, os ventos, as chuvas, as portas...
Afinal, nunca mais sentirás minhas mãos mortas!
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oTeMp0
O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...

