14 de maio de 2007

coRrEnTe


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Por dentro deste sufoco morro mais um bocado
Arranco de mim a minha pele ardente
Esburaco o futuro por entre résteas de passado
E enterro-me só, na maré de todo o presente...
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Nem me acautelo. Assumo cada som enfraquecido
Pouso o corpo sobre mim. Pergunto-me se existe
Canto para dentro tudo o que tenho sido
Sem saber se o amor vence ou resiste...
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Morro devagar nas lágrimas dos rios de mim
Curvo-me perante a inquietação de morrer
Anseio que tudo isto chegue um dia ao fim
E que possa finalmente ter tempo de viver!
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11 de maio de 2007

dIsCuRs0

Hoje não sinto. Não te sinto. Apenas permaneço de dedos trémulos nas lágrimas do cansaço. Não sinto. Não te sinto. Hoje. Deixo-me ficar na inquietação dos silêncios de tanto te querer sentir... mas não sinto. Não te sinto. Arranco-me as palavras mais ousadas para fugir disto. De não sentir. De não te sentir. Porque quero sentir. Quero sentir-te. Vagueio pelas noites vagabundo à procura não sei bem de quê. De sentir? De te sentir? talvez não seja bem assim. Se calhar é preciso um olhar diferente. Para sentir. Para te sentir. Ou melhor, outra poesia. Não! Esta é a minha. Mesmo que não sinta. Que não te sinta. Não posso matar(-me) a minha poesia. Estas marés de tanto sentir. Ou não sentir. E não te sentir. Chegarei à praia, seguramente. Nos gritos ao alto de tanto sentir. De tanto te sentir. Mas voltarei de novo às cores do escuro. E depois vejo-te a olhar para mim, indiferente. Que sinta. Ou te sinta. Haverá uma paragem para isto?!!! Encontrarei o sentir? O sentir-te? Arranho-me de aflição nesta curtíssima viagem de estar aqui. Para sentir. Para te sentir. E tu dirás: Sentes! Claro que me sentes. E eu direi: Pois...

6 de maio de 2007

LiBeRtAçÃo

Fecho as portas das memórias para que as lágrimas não desaguem de novo em mim. Mas para isso, talvez um beijo. Um abraço apenas. De luz. De calor e fontes amenas onde nos passeamos olhos nos olhos. Porque nas praias me perco. Nas praias não há portas, mas há memórias. E passos. Que vão e voltam. Nas marés. Nas praias posso correr... Gritar. Saltar. Tudo numa só vez. Agarrando todas as coisas, como eu queria. Pelo menos só uma vez. Para mais não voltar a queixar-me das portas que em nós vamos fazendo. De dentro da porta. De fora da porta. Onde estaremos nós, afinal?









Volto na Sexta-feira, só...

v0aR

É no voo maior que chegarei a ti. Por isso não me calo!

5 de maio de 2007

oUtRoFaDo

Volto-me de novo para ti, caminhante
E vendo-te partir de mãos tão soltas
Digo-te, talvez pedindo talvez amante
Leva-me contigo, embala-me nas tuas voltas


Volto-me de novo e de novo outra vez
Percorro-te o olhar em abraço puro
Canto-te o amor, o perdão talvez
De te querer sempre, no passado presente e futuro


Volto-me aos céus nas aves migrantes
Grito-lhes o desejo de te ter a meu lado
E somos de novo amigos e caminhantes
Porque sem ti, sou outro fado.

EmLiNhA

De que vale o reflexo, ó Lua, se a meu lado não te vejo?

"Fecha os olhos..."

É incrível! Fechar os olhos à Lua e inventar tudo... como se ela não estivesse lá a chamar-nos...

"Não compliques..."

Pois, pois. Querer que todos os espelhos te mostrem. Como se o mundo fosse só eu e tu. A minha vida sem eu e a tua comigo.

"Então, sofres!"

Não. Amar é a arte de sofrer. Por amor. Com prazer.

"Fogo! Que complicado és..."

Esquece. Mesmo quando olhares para a Lua, não te lembres mais de mim.

Impossível. Tu és eu.

Sou?

"És. Em mim. Em tudo de mim."

Tudo?!!!

"Bom... quase tudo."

Ah... por momentos pensei cegar.

"Assim não se verias a Lua..."

Ou veria?

4 de maio de 2007

ÉsTu

És mesmo tu... de tão singela que se aproximou que até me assutei de tanta ternura. A bela amante, outra vez. Perdida no inesperado. Como a noite. Não aquela que vem todos os dias, mas a que em nós se forma em partos de ficar e esperas ousadas. Assim, perdida perto das paredes do quarto, de olhar abraçando as janelas - a fechada e a aberta -, de grito contido em melodias de memórias inventadas. Perto, outra vez. Eu sei que és tu.

3 de maio de 2007

rEm0


Sabes o que é um olhar além de ti? A onda elevada ao mais alto das fontes atrás dos trilhos... Sentes o vento quando tens a cara no chão? Talvez o embalo de tudo passar ao lado... Reconheces-me no canto dos silêncios perdidos e esquecidos pelas lembranças de cada memória? Talvez se abandonem finalmente as palavras e se consiga atingir uma flor...


Sabes de cor tudo isto. Mas nada dizes...

2 de maio de 2007

RuÍnA


Procuro as vozes nos silêncios das noites.
Às voltas em mim. No desespero de mim...
Vasculho nas portas. Nos limiares das tempestades mudas.
Às voltas em cada acorde de jasmim. Do fim...

Procuro-te, ó noite de tamanha inquietação!!
Para depois te contar do descanso do guerreiro.
Da dor de mais um preciso momento em que me vi
Embriagadamente por inteiro. Certeiro...

Procuro-me, ferozmente mordendo o lábio
Que outrora te beijara cheio de calor.
Nos reflexos penetrantes das memórias
Percorridas em direcção a um outro amor. Se for...

Pro curo-me? Nunca!
Só nesta doença vive parasita cada ferida de existir.
Sem ti. Contigo. Perto. Longe. Calado. No grito
Que te envio a cada vontade de fugir...

SoNdA



Jamais serei pirata na tua ilha! Nunca me irás ver ao assalto no areal límpido de transparente das tuas palavras e dos teus sonhos. Mesmo que te percorrendo ao redor, em lágrimas de ternura e fascinação, serei apenas a embarcação da eterna vigilância. O sólido e deslumbrante olhar que se deixará afogar no teu seio. O improvável caminhante que andará perdido. A inquietação de somente ficar. A ver. À espera. Mesmo nas tempestades que de ti emanam na minha direcção. Porque as ondas de nós são dançantes. Na permanente espuma colorida e bem cheirosa dos sons do amor.



1 de maio de 2007

VeNsEnÃoVeNs

Por momentos pensei chamar-te
Riscar de mim todas as memórias
Numa corrente de desejo e arte
Onde se inventam dores e histórias

Por momentos quis ver-te nua
Sentir no teu corpo as marcas de ti
Neste olhar que em mim se habitua
De te encontrar sempre que venho aqui

Por momentos asfixio-me porque quero
No calor que os silêncios dão ao universo
Que me dás sem saber que desespero
Sempre que me roubas mais um verso

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...