20 de agosto de 2008

dEsGaRrAdA

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O tempo passa no encalço da montanhaMinha voz é a dor tamanhaCom que me canto a toda a horaO tempo é um grande penedoNão é tarde nem é cedoNem fica nem vai emboraÉ simplesmente tempo. E sim, passaEntre o sonho e a desgraçaA palavra de ordem e a mordaçaEntre tudo o que somos e queremos ser.O tempo carrega-nos ao entardecerE devolve-nos o amanhecerSem nos roubar o anoitecer...O tempo é a crueldade da vidaA minúscula porta de saídaCom que enfrentamos a sorte...O tempo também é a morteNestes versos à toa.O tempo é a voz que ecoaE que nos abre os olhos ao horizonte.O tempo é essa ponteQue passa sobre o rio corrente;Esse que se chama genteE onde nos banhamos todos os dias.O tempo sabe das suas ventaniasMarés e tempestadesMentiras e verdadesAmores e vaidadesAldeias e cidadesDe poetas ou mendigos.O tempo sabe dos seus perigosE perde-se. Em cada lágrima que deixamos cair.Porque o tempo é assim: ir e vir.
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18 de agosto de 2008

eStAçÕeS

Perdi-te de vez no embalo do meu cantar
Rasguei-te tudo o que tinhas
O peito e as andorinhas
Que na Primavera se faziam alegres ao mar
Sei que os caminhos são diferentes agora
Que o meu coração inquieto está vazio
Não sinto nada, nem mesmo aquele rio
Que no Outono corria sem nunca se ir embora
Queria o tempo todo novamente
Um sorriso, um olhar apenas
Talvez um jardim de açucenas
Que no Verão me fazia saltar desejoso e quente
Morrerei um dia sozinho
Perto demais de todas as lembranças
Entre versos de veludo, lágrimas e danças
Que este Inverno sou eu, em solidão de mansinho

15 de agosto de 2008

rEbEnTaÇã0


Tenho um grito no peito pronto a rebentar. Uma espécie de saudade. De memória.

Trago doce de sonhos, mistérios e labirintos por onde me perco sempre. Porque de mim só posso esperar isso. Gritos e horizonte. Esse que o meu olhar alcança quando se abre nos reflexos que o mar nos oferece. Sim. Os meu olhos são as rebentações do sangue que me corre no corpo. Neste corpo quente e ardente. Cheio de mim...

12 de agosto de 2008

z0oM

Pode ser que a viagem se faça... Quem sabe por entre as ondas. Essas do ir -e-vir entre o que somos e o que queremos. Ou então na voz das gaivotas que sabem sempre o caminho... Sinto-me assim pousado. Simplesmente. Na ondulação da vida. Criador de mim. Fortemente sereno à espera de mais uma lágrima...

9 de agosto de 2008

oMeUsIlÊnCi0


O meu silêncio pousou no céu
Carregou toda a ternura e a raiva
Pintou-se de vermelhos
Sussurrou-me ao ouvido uma morna
e depois fez-se ao mar...
O meu silêncio existe nos meus olhos
Nos reflexos do Sol
No segredo das ondas...
O meu silêncio tempesta-me
e
inqieta-me
e
é cruel
e
sobe-me à cabeça
e
perturba-me
em feridas constantes...
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O meu silêncio sou eu.

8 de agosto de 2008

iNeRtE

O ----- meu -
----- lugar é único ------- de cada vez que me confronto com a ----- História. ---------- De que serve o ------------- Presente?
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6 de agosto de 2008

c0mUnHã0

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Saberei de mim novamente no deslumbramento do horizonte. Em momentos que simplesmente param sem pedir licença ou perdão. Que importa. Vagueio à toa na paz que me impele contra mim próprio. Onde todas as palavras são poucas. Onde todos os pensamentos são efémeros. Saudade apenas e já. Os silêncios dos olhos perderão mais um encontro. De entre o que fica e o que partirá. Assim, feito uma migalha, continarei a respirar...
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5 de agosto de 2008

n0mArAlTo


Vento de mim, rente a mim

Sopro de história. Sempre memória

Ronco de cada respiração, momentos minúsculos

Por onde me perco, sem veto nem glória


Sabe bem este silêncio natura

Fome embriagada de cansaços e correntes

Solto-me perdido entre o tudo e o nada de sempre

Por onde me deixo ir, entre a solidão e as gentes

2 de agosto de 2008

mUlHeR,mInHaHomEnAgEm


Os meus dedos percorrem-te suave
Dançam no teu corpo por entre mares e areais
Planam, em doce voo de doce ave
Que se perde nos caminhos por onde vais
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Estes dedos assim traçados
Do carinho mel da ternura
Nunca serão fonte de rios amargos
Porque da pele, só o amor perdura
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Mulher, gravidez do mundo inteiro
Que morre e nasce em tudo o que tem sido
De mão dada, companheira e companheiro
Se sustenta sempre de punho erguido
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oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...