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O tempo passa no encalço da montanhaMinha voz é a dor tamanhaCom que me canto a toda a horaO tempo é um grande penedoNão é tarde nem é cedoNem fica nem vai emboraÉ simplesmente tempo. E sim, passaEntre o sonho e a desgraçaA palavra de ordem e a mordaçaEntre tudo o que somos e queremos ser.O tempo carrega-nos ao entardecerE devolve-nos o amanhecerSem nos roubar o anoitecer...O tempo é a crueldade da vidaA minúscula porta de saídaCom que enfrentamos a sorte...O tempo também é a morteNestes versos à toa.O tempo é a voz que ecoaE que nos abre os olhos ao horizonte.O tempo é essa ponteQue passa sobre o rio corrente;Esse que se chama genteE onde nos banhamos todos os dias.O tempo sabe das suas ventaniasMarés e tempestadesMentiras e verdadesAmores e vaidadesAldeias e cidadesDe poetas ou mendigos.O tempo sabe dos seus perigosE perde-se. Em cada lágrima que deixamos cair.Porque o tempo é assim: ir e vir.
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