22 de outubro de 2008

cOrReDoR


Não nego o sangue que me corre nos dedos. Fonte de amores e segredos. Que sobrevivem entre amores-perfeitos e penedos. Sem conclusão; só enredos.
Não fujo dos tempos; dos momentos de perdição. Do jorro agre e doce da inquietação. Mel de lágrimas fortes e paixão. Sem enredos vagos; só conclusão.
Seja Outono ou Inverno não nego nada. Canto em mim o adormecer da madrugada. Os abraços de todos em cada mão dada. Onde tudo é sempre tudo e sempre nada...

20 de outubro de 2008

sAnTuÁrIo


Explode-se o cântico da saudade
Das mãos entrelaçadas na secreta onda
No beijo doce que por mais que se esconda
Rompe cada silêncio de toda a eternidade
Pontuem-me as palavras
Calem-me os dedos
Sequem-me o sangue
Matem-me!
Ficará sempre a maré que nos une no peito
De cantar assim o amor com este meu jeito...

19 de outubro de 2008

aBrAç0sDoTeUbEiJ0


Os meus versos de abraços feitos

Cantam os silêncios da alma

Voltam-se e rebolam-se em amores-perfeitos

Que na guerra nos trazem a calma

.

Viajam-nos os sonhos e as mãos

Tudo o que fica por explicar

Poesia germinada de furtos e grãos

De encontro ao profundo do teu olhar

.

Rente a mim, em cada novo suspiro

Perto de nós, rumo ao cais do desejo

Poetas e telas soltas que transpiro

De cada vez que a minha memória atraca no teu beijo

17 de outubro de 2008

iNsEnSaTeZ

Molham-se-me os dedos no silêncio do meu gritoNa agonia turva do olhar cansadoRegresso-me todos os dias em navegar aflitoSem saber se estou perdido ou encontradoRisco-me as palavras em folhas em branco demasiadamente pesadasNa respiração da vida, que afinal, existe em mimSomo e multplico por aí todas as caminhadasPorque sei que só caminhando nunca chegarei ao fimCanto-me em profundas cataratas de encher a almaRente ao sufoco rasgado do futuroQuero regressar ao areal da maré calmaOnde adormeço, sonho e me seguro!

15 de outubro de 2008

mAnTa

Só, o meu corpo deixa-se aquecer sem saber da cor da próxima onda. As estações passam e eu anuncio os rios. Em cânticos e gritos que nascem dentro do olhar. Não sei se me dispo ou se me escondo. Só sei que a minha pele terá sempre o cheiro das suas mantas.

14 de outubro de 2008

oUsAdIa

Os meus olhos entregam-se ao perigo só por ousadiaOusado é o percurso até ao infinitoInfinitamente perdido o meu sangue, no enlaçar do diaQue da noite se entardece, em cores de fome e gritoOs meus sonhos escapam-se-me em palavras embriagadasBêbado cantar por entre janelas e fontesNascem em mim os versos em duras passadasQue dos caminhos se perde o mar no meio dos montes

12 de outubro de 2008

mÃoSd0pEiTo

Como uma viagem que do dia se perpetua
Rente ao peito, entre o olhar de dentro e a alma nua
Nas mãos dadas da pele acesa
Na rouquidão da fome sobre a mesa
Este mar somos nós, em marcha cantada
Sim. Em cada passo se faz a estrada!
.
Como uma viagem, ternura, vida nascente
Azul, cinza, aguarela de corpo ardente
No pequeno bater tímido do peito
Na canção que sempre se leva a eito
Este porto de cais esperança
Onde te ressuscitas para ser criança!

9 de outubro de 2008

rEnAsCeR

Pedra a pedra a minha terra sacode-me a alma a cada vendaval. Estilhaça-me o olhar por entre os seus cânticos e vazios. Tropeça por no meu corpo nu e inerte perante a desgraça. Embriaga-se-me nas mãos. Depois volta. De novo. No regresso das cores.

7 de outubro de 2008

p0bReHoMeM


Pobre Homem que não sabe desenhar...
Que inventa as linhas dos outros à sua vontade...
Porque não pensas, simplesmente, em cantar
Em vez de te preocupares com a verdade?

Pobre Homem que não quer desenhar...
Que se distrai assim, julgando-se eterno...
Porque não pegas no lápis sem corar
E inventas um outro inferno?

Pobre Homem que não pode desenhar...
Que inventa a vida de olhos fechados
Porque não desaguas sem nunca chegar
No espelho dos teus sonhos e dos teus fados?

Pobre Homem... desenha solto e não fales!
Que o silêncio é a sinfonia do olhar
Que tudo o que é azul e males
Se refaz nas linhas de cada desenhar...


5 de outubro de 2008

c0r

Sei-me vagabundo
Poeta à solta
Esfarrapado
De olhar dentro dos outros.
Não sei ser de outra forma...
.
Sei-me perdido e só
Por entre todas as maravilhas da vida
Da que faço todos os dias
Das lágrimas que me escapam porque também sou rio
Das ondas que gritam o meu peito
Dos vendavais das feridas
Do mel da ternura...
Da minha voz sai tudo o que sou.
.
Por isso não páro de cantar...

1 de outubro de 2008

sUsTo

Quanta cor me penetra o sangue... em virgens correntes de sonhos
Mergulho-me por entre espasmos e silêncios... de cada regresso
Afogo-me e morro vezes sem conta em mim... solto
Salvo-me de perto, grito longe, escondo-me apenas
O meu nome é este e só este me merece. Eu sei. Eu quero.
As palavras são simples mecânicas na engrenagem da viagem
E o puzzle nunca se completa... desmorona-se ao ar livre... ao leve suspiro onde carrego as minhas paixões
Nu. De sorriso em punho. Que o olhar saberá entoar as melodias do aconchego. Que o canto é a profundidade da alma feita em mim. Eu sei. Eu quero.
Por momentos pensei que não tinha mais nada para dizer...

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...