4 de maio de 2013

nÃoSeReI

Não serei mais do que uma migalha no infinito
Uma espécie de canção, de grito
Carregada de um chamar aflito
Talvez atrás de um sorriso bonito
Que simplesmente se deixe ficar...

Não serei tamanha fome e desejo
Solto e preso em cada beijo
Mesmo quando não te vejo
Mesmo quando não te protejo
Coração que só sabe ser se amar...

Não serei caminho nem chegada
Pó que se fica em manto na estrada
Cobrindo esta fome pobre e cansada
De tanta inquietação fustigada
Pelo toque do sangue a jorrar...

Não serei poeta ou cantor
Só porque existe dor ou amor
Na minha pele cheia deste calor
Que me percorre ao teu sabor
Pedaço a pedaço, sem se calar...

26 de abril de 2013

LuTaRéSeR

Existe a morte.
Anunciada na ponta dos dedos
Que agarram o silêncio
E cegam os sonhos
Onde os sorrisos são a luz
De cada palavra que é semente.
Existe a morte...
Aparece de repente.

Existe a vida.
Cantada ao acordar
No punho que se levanta
No passo dado
De dentro da pele
Que é casa
E fica em nós como marca,
Uma bela tatuagem.
Existe a vida...
E essa é viagem!

23 de abril de 2013

PaLaVrA

Existe uma palavra cantada dentro de mim
Leva o azul do mar
A dança das ondas
A frescura da erva
O cheiro da terra
O sabor da pele do amor.
Existe uma palavra presa
Que livremente me embala
E me deixa no sorriso das memórias.
Uma palavra que se murmura nos silêncios
Um pequeno carreiro de me levar até ti
Por entre o que sinto e é verdade:
Saudade.

19 de abril de 2013

Di0g0

No grito da liberdade
Pensamento da pele
No horizonte do sonho
No sorriso da tua claridade
Mais uma cor que se pincele
Em cada verso que componho

Na vida que levas ao vento
Por abraços sinceros e belos
De passos firmes de cantar
Tudo levas em fome e alimento
Como um rio de perfumes singelos
Que te fazem ser assim e amar!

17 de abril de 2013

p0eTa

O poeta sabe das estradas e dos rios. Conhece as profundezas dos sonhos. A qualquer hora o tempo - do poeta -, transforma-se num verso doido ou embriagado, pobre ou reluzente, que atinge as memórias e as canções. Até mesmo no aroma dos seus dedos se sente o lento turbilhão dos dias e das noites. Porque o poeta funde-se em múltiplos odores. Talvez quem sabe seja mesmo assim... De olhos abertos sobre a corrente. De corrente forte sobre os passos. De passos vagabundos na perdidão dos silêncios. Nos silêncios que ficam do abandono. No abandono rasgado sobre o seu corpo. No corpo de poeta, amante eterno das paisagens.

13 de abril de 2013

aUsÊnCiA

Quando o sol adormece
No silêncio dos teus dias
O meu corpo estremece
Gritos fortes e agonias

Canto alto sem parar
A pele seca da solidão
E de tanto chorar a cantar
Procuro beijos e perdão

Mal sei da volta dos sorrisos
Aconchegados dentro de mim
No tempo dos abraços mais precisos
Gargalhando amor sem fim

Amo-te carregado deste passo
Ondulação da minha tempestade
Espero-te aberto no regaço
De ser vida esta eternidade!

9 de abril de 2013

SeI

Sei do mar e dos seus passos
Dos versos e cansaços
Sei do olhar que me pinta os dias
Por entre marés calmas e ventanias...

Sei da relva e dos cheiros bons
Das saudades e dos seus sons
Sei do corpo que me chama
Nos silêncios da dor de quem ainda ama...

Sei da nuvem e do rio corrente
Dos gritos nos cravos de toda a gente
Sei da mão que queima ao passar
Junto às histórias de cada acordar...

Sei de tanto e talvez não saiba nada
Inquietações e ternuras pela madrugada
Sei de mim na procura de ti
No tempo por inventar, de cada vez que te perdi... 

2 de abril de 2013

PaRiSéSaUdAdE

Um dia a saudade virá afogar
Cada pedaço do sofrimento.
Um dia, nem rápido nem lento
O mundo será uma flor...
Seja o que for,
Voz inquieta que se deixa chorar...
Calo na corda de uma viola por tocar...
Força que se deita ao relento,
Que se entrega ao destino do vento!
De tudo o que o meu coração canta,
O meu corpo que mesmo fraco se levanta
À procura do eterno momento feliz:
Os cheiros de todas as histórias de Paris!

1 de abril de 2013

MáRi0

Abre-se o tempo e estás
Lembra-se a ousadia
No poema sempre se refaz
A noite beijando o dia
Embriaguez que vemCarregada de forte agonia
Solta em sangue que tem
Todo um peso que se anuncia


M
Á
R
I
O



Abre-se o olhar e vensSaudade tanta
No poema onde ainda tens
Esse corpo inquieto que canta
Vertigem do querer
Calor de fogo e manta
Eternidade no teu morrer
Que em mim vive e se levanta! 

26 de março de 2013

p0eMaDeAm0r

Quero uma janela aberta sobre o mar
O leito branco ao nosso vento
Sentir cada calor de um abraço lento
Que tem o embalo do mundo a cantar

Às vezes grito, outras, beijo de olhos fechados
Saber do tempo que se faz é um caminho de se caminhar
Soltem-se os sorrisos e os punhos cerrados
Construa-se uma janela aberta ao mar!

Teu corpo, manto colorido em pele de cetim
Envolvendo o meu olhar, o meu pensamento
Transformando o desejo que há em mim
No leito branco ao nosso vento

Meu sussurro, melodia de paixão e ternura
Um ninho doce, forte erguer em movimento
De um futuro que se beija e se procura
No calor de um abraço lento

Amo-te na corrente de estar contigo
Porque aqui é estar e amar
Minha apaixonada, meu sol e abrigo
Embalo do mundo a cantar! 

18 de março de 2013

TaLvEz

Talvez o mar
Rente à lágrima caída no entreabrir da alma
Talvez ficar
Longe da inquietação que grita a dor e a calma
Talvez o norte
A tempestade imensa dos corações cativos
Talvez a morte
Que segura o sangue que canta na pele dos vivos
Talvez a viagem
Rosto de sorriso aberto na direção certa
Talvez a margem
Nos rios da nossa mão, que afaga e aperta
Talvez o nada
No cansaço que fica em tudo o que vai
Talvez a estrada
Do pó das cinzas onde permanece e cai
Talvez o poeta
Que um dia nasceu na dança do amor
Talvez a baioneta
No carrasco de dentro que me fez cantor
Talvez, sim
Certezas existem na mentira do ar
Talvez o fim.
Para de novo poder recomeçar...

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...