23 de setembro de 2013

RaMoSr0sA

Solta-se o vento dos teus versos
Flores vermelhas, cantares dispersos
Na grandeza de cada palavra quente
Viverás em mim eternamente!

Que da pegada deixada fruto e cor
Que da voz, ternura e amor.
Árvore forte, secular entre a gente
Viverás em mim eternamente!

Não se calará o sabor único no horizonte
Mel dos meus lábios no teu nome a monte
Vais, ficas... e é isso a maré da tua semente:
Viver em nós eternamente!

20 de setembro de 2013

pAuSa

Potente sopro o do amor
Cansado, em dias de sol e sorrisos
Calado entre os gritos mais precisos
Este sopro de sol, chuva e cor...

Carregado, o brilho da nossa vida
Na brisa fresca da euforia louca
Como uma dança nunca feita, nunca pouca
Este brilho, doce paixão forte e colorida...

Silenciosa, a dor da solidão
Feita gume que jorra sem parar
Cantiga de tanto não te saber amar
Esta dor, manto inquieto do meu coração!

10 de setembro de 2013

pArTiDa

Que do vento o amor se levante
Que do toque, a vida
Lágrima doce, a despedida
Num tempo de espera mais adiante...

Que da casa nasça a mãe
Que do leito, o futuro e o presente
Lágrima doce, a saudade quente
Dentro de mim, como uma onda que vai e vem...

Que dos sorrisos vossos se faça a luz
Que da força, esse abraço eterno
Lágrima doce, o desejo terno
Onde tudo cabe, engrandece e seduz!

5 de setembro de 2013

(H)aMaR

Leve, leve, o sorriso do dia a nascer
Mágico o sabor da tua pele em mim
Canto forte, nesta vida de te ter
Pousada em flor no meu jardim!

Bom, bom, o abraço do nosso abrigo
Céu de acordar neste amor sem fim
Abro-me em mar e tudo consigo
No embalo da flor no meu jardim!

16 de agosto de 2013

b0iAr

Um dia o vagabundo decidiu voar até ao rio. Por isso chorou a noite inteira e inventou as nuvens. Depois gritou os silêncios e fez o vento. E foi...

6 de agosto de 2013

AtEuLaDo

Passo a passo, no sonho de um sonho sonhado
Sonho a sonho, no canto de um canto cantado
Canto a canto, no abraço de um abraço abraçado
O meu abraço é estar contigo, deste lado!

Medo a medo, no silêncio do silêncio calado
Silêncio a silêncio, no inquieto caminhar também gritado
Grito a grito, no sentir do sentir às vezes acorrentado
O meu leito corre assim, a teu lado!

5 de agosto de 2013

DeNoVo

Escorre-me a saudade no peito
Lambe-se na pele suada de tanta espera
Rompem-se as agonias no leito
Cabe-me o mundo todo assim perfeito
Em tudo o que foi e já não era...

Canta-se-me outra vez a dança
Pelos beijos sedentos que damos
Homem doce, livre criança
Vento próspero da esperança
Onde nos deitamos e ficamos...

Abre-se-me a alma ao futuro
Por entre esta entrega de magia
Acende-se um sorriso e já é dia
Cobre-se de perfume a sabedoria
Com que te amo e te perduro...


30 de julho de 2013

SeNtA-tEàMeSa


Senta-te à mesa e come do meu pão
Pede mais um copo de vinho e solta uma gargalhada
Estar aqui é mais que um soneto ou canção
Mais que um plano centenário ou jornada
É querer saber da vida e dar-se ao abraço
É ter em cada novo gesto uma outra pose para o cansaço
É querer que o carinho se refaça a cada instante
É ter a certeza que o mundo circula adiante
Mesmo na podridão do que vemos e deixamos passar...
Natal é um retalho do que somos sem pensar.

Senta-te à mesa e arrota
Fuma mais um cigarro dos teus e pede-me um beijo
Afinal, estar aqui é uma sorte e não uma derrota
Uma mesa assim, com pão, vinho e queijo
E mais as outras migalhas que cuspimos gestos fora
Porque estamos sós, nos aturamos e não vamos embora
E mais as feridas das revoltas e as rugas do tempo que passa
Porque estamos aqui, como quem sorri de prazer à desgraça
E mais se cala, e mais escreve e mais se faz pasmar
Que retalhos somos nós, que vivemos sem pensar?

Senta-te à mesa, minha mãe. E deixa-me chorar cada pedaço da minha morte.



25 dezembro 2009

25 de julho de 2013

dEs0rAs

Que caiam os ardores do mundo!
Que soam as batidas do sofrimento!
Se nos passos deste amor profundo
Tudo é ânsia e pensamento...

Que se cantem os hinos do mar!
Que se raivam as salivas do leito!
Se nas palavras de cada esperar
Tudo é demasiadamente (im)perfeito...

Que morram os eternos amantes!
Que se calem os silêncios demais!
Se nos cantos mais dançantes
Tudo são insossegos gastos e triviais...

Que me consuma cada pedaço de flor!
Que os escombros se levantem em mim!
Se nos sonhos que me deste, amor
Tudo são aromas de inventar um jardim...

22 de julho de 2013

pUnHo

Certo é a morte. Que a vida incerta corre.
Do tempo, o nu espelho do medo
Da asfixia, o ar que nos morre
Neste acordar demasiadamente cedo...

Doce é o amor. Que o corpo chora e reclama.
Pedaço da respiração, embalo da sorte?
Gigante hino de tudo o que é e ama
Mais uma vez fraco, na sua sedução forte...

Ausência, o perfume da maré em mim
Ora marginal na casa, ora poema de silêncio envelhecido
Flor de cada moribundo no seu jardim
Semeando os retalhos do que está perdido...

20 de julho de 2013

rEgReSs0

O Vagabundo chegou à cidade outra vez. Olhava para as paredes dos prédios, para as ruas movimentadas... Ouvia os sons do dia a nascer. Dentro de si, apenas a paz embriagada do regresso. Procurava-a. Sabia que estaria sorridente no meio de qualquer multidão. A pouco e pouco sentiu a dança da Bailarina. Vinha do outro lado do jardim. Espreitou, ainda escondido. Lá estava ela. Delicadamente a chorar a saudade. Deixou então que os seus passos decidissem o rumo da sua vida. "Olá." Disse-lhe. A Bailarina levantou os olhos, como quem conta uma história de dor. E o rio inundou-o, afogando-o no seu próprio destino...

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...