11 de dezembro de 2013

(não)LuTo

Existe a terra. Existe a flor. O fruto. Existe a magia de criar.
Mas também existe a casa. Os outros. E a lágrima capaz de matar.

10 de dezembro de 2013

pArIsEmIm

Voltarei às tuas margens para cheirar todos os versos que se aconchegam na corrente com que refletes o amor e as memórias. Deixarei os meu pés entrarem nas águas frias dos enredos e dos amantes. Depois, como um ninar, fico-me a cantar os sussurros da tua partida. 
Voltarei às ruas cheias. Aos museus. Às árvores em tons de amarelo e castanho. Ao grande lago das crianças. À embriaguez da felicidade. Tu és o meu lugar.

9 de dezembro de 2013

v0uCaNtAr0tEuNoMeNoVeNt0

Vou cantar o teu nome no vento
Fazer de cada nuvem um eterno calor
Florir os jardins cheirosos do amor
Despir-me em tudo o que faço e invento

Sei que irás bailar os poemas tantos
Tatuar na pele as melodias com que me alimento
E por entre ternuras, sonhos e prantos
Vou cantar o teu nome no vento


5 de dezembro de 2013

nÃoHáMoRtEn0tEuFiM

Em todos os momentos de mim, há um sussurro de ti. Há ainda o calor do teu colo. O sangue do parto. Mas não me farto. Não, mãe. Existes assim. Não há morte no teu fim.
Em todos os momentos de mim, há este grito da partida. Há um clarão na tua lembrança. Sou criança, mas choro. Mas não me demoro. Não, mãe. Que ter-te é um jardim. Não há morte no teu fim.
Em todos os momentos de mim, há o futuro. Há o canto e o abraço. O amor, a viagem e os sonhos. A mistura cheirosa das ruas de Paris. Mas sou feliz. Sim, mãe. Porque invento o mundo.

4 de dezembro de 2013

ToDoS

Pode ser apenas um sopro,
Um sussurro
Ou até um grito.
Pode ser o teu cantar aflito
O sonho mais interdito
O poema maldito
O amor já dito...
Pode ser tudo assim a nu.
O que interessa é que és tu!

Pode ser uma ausência,
Uma saudade
Ou até solidão.
Pode ser o cheiro do coração
A ternura da tua mão
O calor nunca em vão...
Pode ser tudo assim a nu.
O que interessa é que és tu!

Pode ser uma revolta
Uma luta!
Ou a tela de um mundo decente.
Pode ser o sorriso entre a gente
A viagem mais quente
Um passo permanente...
Pode ser tudo assim a nu.
O que interessa é que és tu!

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Pode ser a Maria,
O Rogério,
O Zé Manel,
A Carol,
A Ana,
O Paulo,
O Fernando,
A Inês,
O Henrique, o Diogo, o Guilhas, o Francisco, o Afonso, o Aron e a Margarida,
A Isabel e o Zé Mário,
A Guilhermina,
O Vítor,
O João,
O Gonçalo,
A Maria do 7,
A Catarina,
A Xica,
A Ana,
A Clara,
A Bicas,
O Migas,
O Paulo e o Luís,
O Tó,
A Joana,
A Rita,
O Pedro,
A Laura,
...
O infinito de nós!



Foto retirada da net.

3 de dezembro de 2013

TuEeU

Aconchega-se o calor por entre os corpos da ternura
No leito de cada novo abraço
Existe em nós esta magia assim tão pura
Com que iluminamos o escuro e o cansaço

Fica-se a força desta entrega única e forte
Carregada de poder e vida
Nada trespassa este ser-nos em tão especial sorte
Em tão brilhante e melódica batida

Fonte de correntes
Almas presentes
Sentidos quentes
Há de tudo em nós, amor meu
Pontes de abrigo
Mão dada, encontro amigo
É assim que digo: ser meu e ser teu!

uMdIA...

Um dia irei ser erva. Pedaço a pedaço, o meu cheiro a terra molhada iluminará poemas. Os reflexos das memórias deixadas pousadas por entre os bichos, apenas tempo. Um dia irei ser erva. Talvez os pequenos jogadores de bola passem por mim e digam "Ei, men! Bora jogar aqui que é bué da fixe!". Serei o verde do mundo, largado nos imaginários e servirei de manto às centenárias pedras e árvores. Cantaremos todos juntos nas tardes de sol os arremessos com que a vida nos brindou para aqui chegar. No encalce doido de uma loucura assumidamente serena. Um dia irei ser mesmo esta erva. Eu sei. E tu, vento, continuarás a bailar comigo...

28 de novembro de 2013

SeMpReMaRiA

Sei-te tempestade, em cada novo desalento
Fogo que varre a memória à passagem
Cratera de uma outra ilha, uma outra viagem
Lágrima que te serve de nó e alimento

Sei-te corrente, em cada grito lançado
Sobre o areal da tua inquietação
Canto selvagem, cheiro do coração
Fonte de pranto vivo e já cansado

Sei-te voz, carregada de colo e carinho
Sangue de mim, de amor e calo
Vómito, tela ou mesmo abalo
Ritual de nós, que se dá de mansinho

Sei-te aqui, agora, sempre e agora
Na volta da volta e da revolta que volta
No poema-verso de arma que se solta
Que adormece, que fica e se demora

Sei-te, assim, Maria!




SempreMaria, 28 abril 2009

27 de novembro de 2013

oQuEeUtEnHoEmMiM

"Trago no peito um segredo dos mares por navegar..." 
Trago no peito o mar todo, dos segredos por revelar. 
Canto os silêncios abertos, perdidos, aconchegados. 
Canto o aconchego mais belo, dos tempos já passados. 
Trago no peito a virtude, da ternura que se dá quente. 
Trago no peito a ternura, e a virtude de ser gente!
Canto a voz do amor, sorrindo ao destino.
Canto o sorriso do povo, na coragem de ser menino.
Trago no peito a minha mãe, a saudade que ainda chora.
Trago no peito a saudade, minha mãe, que não foste embora.
Canto os pedaços do mundo, em mim feitos jardim.
Canto-me sempre e sempre, porque só sei amar assim!

26 de novembro de 2013

aBrAç0iRmÃo

Cabem em mim as histórias, Pequena Pantera?
Claro que sim. És o Pequeno Príncipe!
E isso é o quê?
É um pouco de tudo e um muito de nada.
Um muito de nada?!!!!
Pois... Como se fosses capaz de, por magia ou apenas amor, esvaziar as coisas e parir de novo.
Parir de novo?!!!!
Sim. Uma nova história. Um poema. Uma canção. Um abraço...
Os abraços nascem, Pequena Pantera?
Obviamente! Nascem em cada gesto que tens.
E também morrem?
Pudera... em cada gesto que não tens.
São bons, os abraços, não são?
Raio de pergunta, Pequena Pantera! Dá cá um abraço e vamos tomar um chá!

19 de novembro de 2013

SuRrEaL

Pandemónio, cachaça e esfregona
avental, disco rígido e chupeta
um  dia vou a Barcelona
montado num cão a tocar trombeta

Bebedeira, bons conselhos e um pedaço de giz
alguns pionaises e cabos a dar com um pau
se pudesse voar, ia até Paris
aloucar-me à beira-rio. Nada mau!

Arrastadeira, empadão de carne e um quadro triste
horas de silêncios, sorrisos e trabalho
quem me dera ir a um lugar que não existe
e mandar tudo pó...

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...