22 de janeiro de 2014

fAd0mEn0r

Espero o amor no silêncio dos dias
Cansada, choro um presente assim
Cheio de nada e de mãos vazias
Vazia de tudo, de todos e de mim

Em raiva e desilusão
Tristeza e fado menor
Calo meu pobre coração
Que conheço já de cor

Espero em frente ao espelho
Numa história que me cai no colo
E num passo que se faz velho
Sei que morrerei sem consolo

Em pobre viagem só
Lágrima que as nuvens carregam
A vida é isto: terra, fruto e pó
Onde os nossos sonhos navegam 

20 de janeiro de 2014

gRaViDeZ

Pudesse a espera ser água,
Sempre fonte, a dançar e a cantar
E seguramente se chamaria mar...
Pudesse o desejo ser terra,
Brotando flores e cheiros sem fim
E talvez se chamasse manto ou jardim...
Pudesse a ansiedade ser céu,
Conjunto de pinturas sem cansar
E provavelmente se chamaria ar...
Pudesse o medo ser sossego
Ternura e sorrisos plantados nos vendavais
E com certeza os meus olhos não chorariam mais...

11 de janeiro de 2014

cRiAnÇaFeLiZ

PelAs paredes seculares da história
Nos jardiNs da nossa memória
Todo o céu se cobriu d(n)a tuA voz potente
A noite fez-se em ternura doce e quente
E eu sorri. Sorri como uma criança feliz!
Pelas notas de cada mão aberta à arte
Nas cores que se pintaram por toda a parte
A tua voz potente, no miLagre de ti
Juntinho A cada um de nós, aquI
E eu sorri criança. Feliz!
No sabor de cada palavra, cada momento
Fogo-ventre em abraço leNto
Voz que o olhar entrega total
A quem ama e canta aSsim Portugal
E eu sorri feliz. Criança.





6 de janeiro de 2014

VaLe(S)

Vale o silêncio das flores...
ou as maiores dores
Valem os teus sonhos um a um...
 ou a preGuiça de não aceitar nenhum
Vale a alegria (n)do teu sorriso...
ou o secreto murmúrio preciso
Vale cada abraço como o minuto...
ou o leito já enxuto
Vale o canto dos suores e a saudade...
ou o nosso canto na cidade
Vale o espaço entre nós...
ou a permanência de estarmos sós
Vale a Distância, a pureza...
ou carregar o manto da certeza
Vale o embrulho da casa...
ou o meu corpo feito brasa
Vale o que fazemos e não fazemos...
ou mesmo tudo o que ainda não perdemos
Vale o passo cerTo e o feijão...
ou o brilho do nosso coração
Vale o ínFimo pormenor...
ou o olhar de nos sabermos de cor
Vale o cuidado e a ternura...
ou o toque que se beija em água pura
Vale o carrasco insuspeito...
ou o medo que me rói o peito
Vale o céu e o mar...
Todo o tempo de te amar!

3 de janeiro de 2014

tRaNsLúCiDo

Do poema que me corre nas veias
Nos sonhos
Solidões
Ou simplesmente embriaguez
Uma tempestade
Um rio apenas
Um areal
Solto à espera da sua vez...

Do sabor de cada palavra
Os sorrisos
As lágrimas até
Ou quem sabe o abraço do mar
Um mergulho
Um abismo
Que um dia quis cantar...

Dos mistérios da criação
As voltas de mim
Inquietações, fugas
Certezas de um caminho certo!
Margens e pedras
Flores no arrepio do ar
Que de tão longe, se fazem perto...

Sei que escrevo e sou
Sou o que escrevo e também não
Vivo o que tenho, perco ou o medo
















                                                  
                                                          
                                      
                         
                                            
                                                          

26 de dezembro de 2013

fErViLhAr

Reparo agora que o chão me queima os pés. Sinto aquele fervilhar a chegar aos olhos. Mal vejo a hora de cantar.

23 de dezembro de 2013

c0r

Castanho teia de sonhos ao vento
Azul eu no toque da ternura
Sou fome que perdura
Fonte em água pura
Onde se inquieta o pensamento

Amarelo calor na minha pele deitado
Vermelho sangue de eterna paixão
Sou tanta vida em mais uma canção
Arrepio nos sorrisos do coração
Onde habita este corpo já cansado

Brilhante caminho pegada de amor
Verde ondulação nos teus cabelos luz
Sou ainda a voz que seduz
No útero fecundo que me conduz
Onde o mundo dança cada pedaço da sua cor!

20 de dezembro de 2013

aBaNd0n0

Se cada folha da calçada se silencia
Nos meus aromas sedentos
Morre mais um pedaço neste dia
Do ventre fecundo dos pensamentos
Não basta ser flor para brilhar
Não basta ser luz para um sorriso
Mesmo que as ondas não regressem ao mar
Mesmo que o gesto se perca indeciso
E se o vento chega furioso ou de mansinho
Resta-me recuperar a solidão
Para que de novo se chore o embalo no ninho
Feito abandono distraído do coração...

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...