Andei à procura de alguma coisa que hoje, por ser hoje, me fizesse mais sentido. Entre o baú e o peito, descobri um texto de 2006, que na altura dediquei aos meus companheiros, camaradas, amigos, colegas, mestres…
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A dor de escrever é tão grande
Que por vezes perdemos as palavras sem saber
Deixamos que a noite nos devore
Aos poucos, secretamente, até por prazer
Porque a dor de escrever é grande e não se consegue ver…
A dor de chorar um poema é tão brutal
Que o tempo se dilui e nos torna pequenos
Deixamos que a utopia nos encontre
Aos poucos, em secretos gestos não serenos
Porque a dor de chorar um poema é brutal e já o sabemos…
A dor de existir cantor é tão feroz
Que nos calamos só para nos ouvir
Deixamos que a nossa solidão se torne divina
Aos poucos, no segredo da certeza de nunca conseguir
Porque a dor de existir é feroz mas não tem dentes, tem sentir…
A dor de querer é tão maior
Que surgimos em nós simples retalho
Deixamos que o amor nos traga luz
Aos poucos, secretamente, sem nenhum trabalho
Porque a dor de querer é maior e de tudo eu sempre falho…
A dor da dor é tão dor que foge
Esconde-se dentro do mundo e nem sempre luta
Deixamos então que o sonho se torne pesadelo
Sorrimos à maldição filha da puta
Porque a dor da dor de ser tão dor não sei se desfruta…
