24 de abril de 2009

dEdEnTeScErRaDoS


Deixo-me levar pelas sombras. Perdido entre o infinito, o desejo e a morte. A minha vida leva-me por caminhos inquietos e meus e nossos. Carreiros monte acima de beijos e fome. Irei de novo cantar a liberdade. De dentes cerrados. Só assim vale a pena!
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Hoje, no Largo do Carmo, à noite, num dos lugares mais altos da liberdade, lá estarei, para dar voz à liberdade. E amanhã, pelas 17 horas, em Figueiró dos Vinhos, num espectáculo único. Conto convosco porque A CANTIGA É UMA ARMA!

20 de abril de 2009

dEvAnEi0

Terra plantada
Semente
Carne pisada
Da gente
sangue e estrada
Urgente
Onda gritada
Em frente
Fome rasgada
Poente
Cinto do nada
Que mente
Salto de fada
Doente
Beijo em manada
Tão quente
Alma calada
Somente
Rio e jangada
Corrente
Viagem calçada
Serpente
Materna cantada
Somente
Guerra cruzada
Presente
Jarra enfeitiçada
Paciente
Dança em escada
Ardente
Fruto camarada
E sente
Arroto a feijoada
"Caliente"
Poema e rabanada
Resistente
Que dorme deitada
E contente
Santo pedrada
Potente
Amarga madrugada
Ausente
Joga a jogada
Confidente
E fica a noitada
Pendente!

18 de abril de 2009

m0mEnToDePuRaFeLiCiDaDe

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Carregado de mim te encontro feita rio
Na corrente de um sorriso aberto em nós
O amor segue leve e vadio
Sem ter pressa, entre a nascente e a foz

Carregado de mim te encontro na saudade
Que o tempo vai e vem sem se calar
O amor é um vento sem idade
De palavras que ecoam ao passar

Carregado de mim te encontro assim feliz
Canção eterna que dará à luz
Sei-te onda, praia ou raiz
Uma estrela que se dá e nos seduz

Carregado de mim te encontro na chegada
Da partida de um novo regresso forte
E nos passos mais que certos da entrada
Saberemos construir a nossa sorte

Carregado de mim aqui estou de punho erguido
Gritando a fome e a inquietação
De te querer mesmo que perdido
De te perder mesmo que não

Carregado de mim aqui fico amante e doce
Porque te quero como a vida corre
E seremos sempre como se fosse
E morreremos sempre como se morre

E cantaremos sempre como se canta
E amaremos sempre como se ama
Carregado de mim em ti, como manta
Carregado de nós, em nós, como cama

Saberei eu como se sabe?
Que o que carrego é o fruto da eterna sabedoria?
Que no amor tudo vale e tudo cabe,
Que nos meus olhos te pinto cada dia?

Na ternura me deito e aconchego
No calor, no silêncio, no leve toque...
Na embriaguês do desassossego
No beijo, no abraço, no choque...

Seria capaz de não parar de escrever(-te)!
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NOTA: Eufórico de uma noite cheia de emoções e energia onde tive o privilégio de estar e participar, cheguei a casa com toda a força para construir uma praia para correr e saltar. Resolvi deitar para trás das costas todos os pensamentos que me pudessem parar e deixei fluir as palavras. Não queria uma obra de arte. Ou um bom poema. Nem sequer algo que me orgulhasse mais tarde. Quero lá saber! Apeteceu-me PORQUE SIM. E dedico este momento de pura felicidade a todos os que amo.

16 de abril de 2009

jÁéTeMp0mEuAm0r


Já é tempo, meu amor, de termos tempo para nós
De sabermos rir enfim
De cantar sem estarmos sós
Já é tempo, sim!

Já é tempo, meu amor, de termos tempo para a saudade
De chorarmos o mar forte
As distâncias da cidade
Sim ao tempo, não à morte!

Já é tempo,
Se o tempo for nosso
Dá-me tempo
Que eu não posso
Usa o tempo
Dentro em ti
Sai do tempo
E vem para aqui!

Já é tempo, meu amor, de termos tempo em cada hora
De ser ar, mar e fruto
De ser tempo sem demora
Quero o tempo, em bruto!

Já é tempo, meu amor, de termos tempo feito cor
De pintar cada passo
De dar colo ao amor
Se não há tempo, eu faço!

Já é tempo,
Se o tempo for nosso
Dá-me tempo
Que eu não posso
Usa o tempo
Dentro em ti
Sai do tempo
E vem para aqui!


Já é tempo, meu amor, de termos o tempo na nossa mão
Carregado de pele a arder
No grito da paixão
Que
é tempo de nascer!
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Já é tempo, Rogério, da tua voz se ouvir em Abril!

12 de abril de 2009

tEnHoUmSoRrIs0pArAaSoLiDã0



Soltas-me em versos que correm pelas margens de mim, pelas curvas do tempo. Carregas-me a história e serves-me de fonte de lágrimas que se encostam na minha voz. Sabes que no silêncio de ti sou capaz de pintar todos os horizontes. Que a minha pele reflecte sonhos. Os meus dedos intranquilizam o calor de quem aperta contra si a vida. Toda a vida. Encontro-me em mim e nos outros. E tu sabes-me assim, solidão. Perto do poema. Que um dia quero alcançar!

10 de abril de 2009

sAbErEiDaSaLiVaCoMqUeTePiNtEi



Saberei deitar-me sobre o fim


Cair em cada nova lágrima ainda quente


Talvez impelir o silêncio de encontro ao meu peito


Quem sabe gritar mais alto que toda a gente...


Saberei ter-te na memória eterna dos meus dedos


Pedir um outro acordar e seguir em frente


Talvez inventar uma outra praia infinita


Com que nos vamos expulsando como quem mente


Eu sei que gira e gira e gira o mundo que sempre gira


Pelos seus becos e labirintos que nos corta em mantas de nós


Talvez um dia saiba morrer digno da saliva


Com que te pintei todos os dias ao sol poente

9 de abril de 2009

tErMiNaL




E segredou-lhe em jeito de verso: "Estamos vazios de nós, meu doce amor. As ruas cheiram a pó e a estrada desfaz-se no tempo. O horizonte cobre-nos com o seu manto de fantasma feito sonho. E nada voltará ao seu lugar nesta canção." Ela, levantou os olhos a medo, apertou-lhe a mão e fez-se rio. As águas transbordaram-se pelos corpos afogando tudo à passagem. Nem uma janela escapou. E a morte se anunciou num tapete de sangue estendido sobre os as chagas dos peregrinos. "Não vás...", pediu. "Não aguento mais uma história." E foi-se mesmo.

8 de abril de 2009

nÃoSeIdAsMaRgEnS

Sento-me silêncio na beira do rio

Perco o olhar entre a fome e o arrepio

Sei da morte, do tempo, das viagens

Mas não sei das margens...

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Grito flores ao vento em poemas de dor

Rasgo-me por inteiro entre a solidão e o amor

Sei de tantas memórias e paisagens

Mas não sei das margens...

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Rebento um sangue ardente que das veias corre lento

Pouso o corpo por entre o sonho e o esquecimento

Sei dos rumos e das paragens

Mas não sei das margens...

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Curvo-me embriagado perante mim

Carregado de cinza que se desfaz por fim

Porque sei de cor todas as fontes e miragens

Mas ainda não sei das margens...

7 de abril de 2009

aFoRçAd0s0lHoS



Pega na minha mão

Carrega-lhe um jardim

Cascata-lhe um beijo

Perde-te em mim

Talvez num poema sem fim

Na correnteza do teu olhar

Que nos meus olhos se faz mar

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Pega outra vez

Sussura-lhe um verso mais


Um pequeno trilho de abraços


Onde morram os teus pés e nasçam teus passos


Na força que me dás... sempre o teu cheiro


Teima em banhar-me os olhos...

5 de abril de 2009

dEiXaDeMoRrEr


Perdes-me a cada momento em que de novo chamas o silêncio para te aquecer o leito... Deixas-te ficar no horizonte dessa correnteza estranha da tua história. Não cantas. Não choras. Não chamas. Quedas-te prisioneira do passado, que não te liberta o futuro. Podias gritar... Talvez o teu corpo percebesse então que tens a tua vida na palma das mãos!

2 de abril de 2009

rEeNc0nTro


A ponte dos meus versos
Liga as margens de mim
De um lado pesadelos dispersos
Do outro, um inquieto jardim

O rio, esse, é de amor
De paixão e eterno desejo
Que desagua num mar de dor
Onde cada onda se transforma em beijo

Natureza de palavras conhecidas
Pintadas à minha vontade
São as voltas mais antigas
Que procuram fonte de verdade

24/4/2003

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...