21 de dezembro de 2009

Dá-Me0tEuSiLêNcIo

Dá-me o teu silêncio...
Essa cicatriz em nós guardada.
Como quem sabe que se chora de noite
Para se sorrir de madrugada
Dá-me o teu silêncio...
Potente e cruel manto de gritos.
Como quem adormece na lava do tempo
E acorda nos sonhos mais interditos
Dá-me o teu silêncio...
Diz-me tudo o que é teu.
Sabes bem que dos passos da tua voz
Invento um manto que faço só meu

20 de dezembro de 2009

aDiAnTe


Sinto-te perto mas longe.
Como se o rio me olhasse e sorrisse.
Sinto-te perto mas longe.
Vento forte que tudo em nós cobrisse.
Sinto-te perto mas longe.
Na viagem de voltar e ninguém disse.
Sinto-te perto mas longe.
Solidão que me mata por amor e tolice.
Sinto-te perto mas longe.
És meu manto mesmo de sonho e ventura.
Sinto-te perto mas longe.
No vazio das ruas sedentas de ternura.
Sinto-te perto mas longe.
Que o tempo adiante é fogo e água pura.
Sinto-te perto mas longe.
E assim espero como quem sabe e procura.
Sinto-te perto mas longe.
No caminho que piso de flores e mar.
Sinto-te perto mas longe.
Mistério de mim que não quer acordar.
Sinto-te perto mas longe.
Poema eterno que renasce no toque do meu cantar.
Sinto-te perto mas longe.
No silêncio de ti que me faz cair para voltar a andar.

18 de dezembro de 2009

oLhArVaGaBuNd0


Não me cantarás na noite o teu silêncio...
O amor é um grito em brasa no peito
Mesmo que os ventos se levantem
Saberemos calar em nós cada segredo das memórias...
Não me cantarás palavras roucas e frescas...
Forte a tempestade do olhar vagabundo
Colorido de tanto sabor a nós
Que deste leito guardo sempre o cheiro
Que da noite... sou suspiro de morte.

17 de dezembro de 2009

dEiXa


Deixa que o meu rio se faça colo
Uma dor de embalar por dentro e por fora
Um calo demasiado fundo para se ir embora
Como se fosse também felicidade...
De amor também se chora!

Deixa que o meu rio se faça mar
Uma pele que arde sempre sem ter hora
Quando tudo passa e o tempo se demora
Como se fosse também felicidade...
De amor também se chora!

Deixa que o meu rio se faça ventre
Um punho de raiva que ao destino implora
Todos os minutos do teu abraço agora
Como se fosse também felicidade...
De amor também se chora!

Deixa que o meu rio se faça morte
Este luto sangue meu de te ter aurora
E de te amar assim por esta vida fora
Como se fosse também felicidade...
De amor também se chora!

16 de dezembro de 2009

SeMtìTuLo


Corre, dança, salta, solta, canta, molha, engole, fica, deseja, arde, perde, volta, cala, abraça, entra, curva, esquece, procura, beija, chama, sente, espera, fica, trinca, explora, queima, adormece, pede, olha, toca, diz-me, pergunta, marca, grita, chora, amanhece, faz, dorme, pára, sonha, provoca, ama, experimenta, anda, mergulha, despe, dá, prende, escreve, escreve, escreve, escreve, escreve...

pEqUeNaPaNtErAePeQuEn0pRíNcIpE

Se eu fosse verdadeiramente mágico, levaria esta história no vento até não poder mais.
Sem me cansar nunca!
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Pequena pantera, para onde olhas tu?
Para o fundo dos teus olhos, à procura de ti...
Pequena pantera, porque gostas do silêncio?
Porque é a tua voz a cantar...
Pequena pantera, porque te escondes na noite?
Para te seguir e te poder alcançar...
Pequena pantera, porque estás tão quieta agora?
Para não te assustar...
Tens medo de me assustar, é?
Sim. As panteras podem ser ferozes...
E tu podes ser feroz também?
Achas?!!!! Eu sou... a pequena pantera!
Ah... Então assim contigo não sinto o medo...
Ó mãe, o que é o escuro?
Nos teus olhos há a luz de me aconchegar os sonhos...
Ó mãe, onde está o lobo?
No teu rugir está o grito de me sossegar os sonhos...
Ó mãe, quem vem aí?
Nos teus passos há os abraços de me esconder...

Pequeno príncipe, porque choras tu?
Porque tenho um rio dentro do peito...
Pequeno príncipe, porque sorris tanto?
Porque tenho o amor dentro do peito...
Pequeno príncipe, porque me encantas?
Porque sou poeta também.
Pequeno príncipe, porque estás em todo o lado?
Não estou em todo o lado. Tu é que me vês sempre...
Pequeno príncipe, porque tenho saudades tuas?
Porque é bom!
Pequeno príncipe, podes ficar sempre assim?
Sabes que sim. Os príncipes das histórias nunca mudam!
Raio de pergunta!!!!!

15 de dezembro de 2009

SeFoReSaPaRiS


Se fores a Paris
Diz ao Sena da minha tristeza.
Conta-lhe as coisas que fiz
Mostra-lhe a cor da minha mesa
Do meu leito ou regaço.
Se fores a Paris
Conta-lhe que as coisas que faço
São da magia do nosso amor
Do ventre e do teu calor
Onde choro e rio também.
Se fores a Paris
Lembra-te da minha mãe.

Se fores a Paris
Diz ao Sena da minha voz.
Conta-lhe que ainda sei ser feliz
Como um rio junto da foz
Da margem ou da fonte.
Se fores a Paris
Deixa-te ficar numa ponte
E lança os teus olhos na corrente.
Cada lágrima passará junto dos cais
Para te cantar mais e mais
Aquela dor que ainda se sente e sente
E que teima em não ser cicatriz...
Se fores a Paris
Procura a minha morte no passeio junto ao rio
Essa é a minha história, o meu fio.
A passagem entre o cá e o lá
Essa terra que não há
Ou a que teimosamente me diz:
Pára de chorar e canta
Deixa que quando for a Paris
Deitarei o teu sangue como uma manta
Sobre o espelho do teu passado
Esse que te consome por todo o lado
Que te fala verdade e que te mente
Que se confunde com o presente
Ou que te fecha os punhos em luto puro
Só porque ainda não alcançou ou futuro
Ou tudo o mais que se pode dizer de quem
Traz no ventre a sua própria mãe
E grávido de muito, te grita num beijo doce
Vai a Paris como se fosse
Fazer amor por todo o lado
E depois, de mansinho e sem perguntar
Adormece o meu desassossego acordado
Para finalmente eu poder regressar...
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Tinha de ser magia. Porque Paris é magia. Obrigado, Andreia, pela fotografia.


13 de dezembro de 2009

nUnCaTeCaLeS


É com este poema que fiz para a minha recente amiga Joana que gostava de homenagear todos os que têm estado a meu lado. Ontem foi mais um dia desses, que nunca mais esquecerei. Obrigado a todos. Um beijo especial à Maria e ao Zé Manel, que me brindaram mais uma vez com a sua ternura, a sua voz e a sua intensidade!
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A força da tua voz é um passo de bailarina
O sorriso de dar um beijo
O olhar de eterna menina
Um rio que corre, pode ser o Tejo
Um mar que dorme, pode ser o amor
Um canto de ave, no vento, a nu.
A força da tua voz és tu!

A força da tua voz é um grito de fera
As rugas do tempo e da luta
A chaga que abriu uma nova Primavera
Um trovão, a lágrima enxuta
Uma onda, sémen e gravidez
Um corpo que ama, nu.
A força da tua voz és tu!

A força da tua voz é um laço
Feito de ternura e vontade
Carregado deste poema que faço
Direitinho ao teu colo de amizade
Pode ser novo, de mansinho
Uma revolução permanente, a nu.
A força da tua voz és tu!

12 de dezembro de 2009

dAsPaLaVrAsQuEn0sUnEm

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Por cá me vou encontrando
Nas palavras de nos unir
Do sonho que temos a nosso mando
Só mesmo verso, amor e porvir
Para nos deixar viver mais um pouco
Que de tanto gritar me sinto rouco
Que de tanto cantar me deixo louco
Que de tanto existir vou caindo mouco...

Por cá nos vamos tendo
Das palavras de andar à deriva
Na procura de nós, na tortura de ir sendo
Versos simplesmente de dor cativa
Só mesmo agora o tempo se enterra
Só mesmo na hora de tudo que encerra
No céu, no mar e na terra
No vento da paz, no fogo da guerra...
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18 de Novembro de 2006, o início...

11 de dezembro de 2009

eSc0lHaS


É já amanhã que aspalavrasquenosunem ecoarão nos nossos peitos, olhares e sorrisos. Espero por vocês!

9 de dezembro de 2009

aSmInHaSpAlAvRaS

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As minhas palavras partem-me
Arrancam-me de mim
Cruéis e sedentas
Rios e mantas
As minhas palavras são tantas!
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As minhas palavras devoram-me
Suicídios permanentes
Partos e trovas
Ondas como plantas
As minhas palavras são tantas!
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As minhas palavras abraçam-me
Fazem amor
Saudade e temporal
Raízes fecundas
As minhas palavras são fundas!
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As minhas palavras são a noite
Inquietações e silêncios
Gritos e lágrimas
Embriagadas, vagabundas
As minhas palavras são fundas!
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As minhas palavras...
Canções, ventos, marés
Se trago palavras no peito
Se as pinto a meu jeito
Acorrentando-me desfeito
É por seres assim quem és!
O meu sangue e o meu leito.

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...