4 de abril de 2015

mAiSuMaSaUdAdE

Pode a Pequena Pantera sobreviver aos sonhos? 
- Podes, claro. As janelas deixam sempre passar a luz do sol.
Pode a Pequena Pantera saboreiar o aroma das flores?
- Podes, claro. O vento é o manto colorido do tempo.
Pode a Pequena Pantera cantar?
- Podes, claro! O teu coração tem o brilho dos teus olhos.
Pode a Pequena Pantera saltar e dançar?
- Podes, claro. Basta o abraço do Pequeno Príncipe.
- Onde estás, Pequeno Príncipe?
- Aqui. Sempre estive aqui. Nunca saio daqui...

31 de março de 2015

FuGa

... Foi então que o Pequeno Príncipe resolveu perder-se. Procurou um jardim que fosse suficientemente grande e belo ao mesmo tempo. Depois afundou-se no calor dos cheiros e das cores. Sem se preocupar com o caminho de volta.

26 de março de 2015

CoMpReEnSã0

Quando a andorinha encontra o pardal pergunta-lhe porque razão deixou de cantar tanto. O eterno cantor, de lágrima no peito, responde que a vida nem sempre o deixa livre. Então a andorinha disse que adoraria ter uma casa bonita.

25 de março de 2015

ÚnIc0m0mEnTo

Assim, aos pedaços se pode renascer
Do fundo de um cansaço ou embriaguez
Por dentro de nós, em tudo o mais ser
É verdade: só se vive uma vez...

Podemos cantar o quanto ainda somos
Na dança que o corpo tem, que o sangue fez
Por dentro de nós, em tudo o mais pomos
É verdade: só se vive uma vez...

Rasgamos o tempo de inventar a vida
Procura-se a alma na sua mais bela nudez
Por dentro de nós, na pele endurecida
É verdade: só se vive uma vez...

Nessa única passagem em nossa defesa
Vamos dizendo tão bem, talvez
Que também temos a certeza
Que da mesma maneira, só se morre uma vez...




Desenho "roubado" ao António Procópio


24 de março de 2015

hH

Que da vida pouco sobra... Seguramente o tempo que se fez ou os amores. O mar das lágrimas nas dores e as palavras todas de circunstância agora. O orvalho e o sol posto. Talvez se lembre um verso ou outro. Na reexistência forte da eternidade.

23 de março de 2015

rEgReSs0

Como se o tempo fosse a dança
Por onde se inventam todas as histórias...
Como se tudo fossem apenas memórias
embebidas em tecidos de dor e esperança

Como se o tempo fosse o grito
Feito mar a cada nova passagem...
Como se tudo fosse sempre viagem
Que de mim resta este poema aflito

Como se o tempo fosse o amor
Do nosso amor eterno e forte...
Como se o meu corpo soubesse matar a morte
E eu, pobre amante, a madrugada em todo o seu esplendor

16 de março de 2015

eMsAuDaDe

Hoje vou adormecer na saudade
Aconchegar-me nos silêncios da tua voz ausente
E depois, por entre os lençóis de um amor ainda quente
Adormecer as luzes que se apagam na cidade
Nos sonhos, das flores encantadas do nosso amor
Percorrer cada verso que se cantou e ouviu
E depois, nestes lençóis a chamar o frio
Sossegar o meu coração, sorrindo à dor

10 de março de 2015

mEuJaRdIm

Abre o meu sorriso em silêncio. Acorda estes olhos perdidos e turvos de vazios. Ancora o meu coração junto ao teu respirar e adormece-me os pés, demasiadamente frios...
Aperta-me e afaga-me todos os versos de amor. Pode ser numa respiração eterna e funda? Assim cada passo meu será maior que a minha dor moribunda...
Volta. Atinge-me a liberdade e o ser! Liberta-me das correntes de mim. Para que todos os dias me possa enconstar a ti e chamar-te "meu jardim"...

23 de fevereiro de 2015

ZeCa

Vou chorar-te todos os dias. Lavar-me destas lágrimas tuas e sorrir. Que da tua morte a minha vida ainda tem.
Vou cantar-te sempre. Pela primeiríssima vez. Que na tua voz o meu corpo se detém.
E voa! Zarpa e avança embriagadamente na lucidez de ser génio. Único que o mundo ainda tem.
E precisa! Na sabedoria que nos podemos dar.

22 de fevereiro de 2015

LáEcÁ

Sob o teu olhar levo-me a vida
Pela vida que corre
E em cada nova despedida
Um pouco que morre...

Sob o meu passado levo-me o amor
Pelo amor de ser
E em cada janela de luz e cor
Um verso mais a nascer...

Sob mim, o caminho
Na grávida solidão
E em cada quente ninho
Uma ternura, em inquietação...

11 de fevereiro de 2015

oSiLêNcIoDoVeNt0

Resta-me o silêncio do vento. Os versos no labirinto que pousa em mim. Como um tártaro destemido. O vento é um sopro de sangue nas memórias. O vento é uma canção. Uma noite apenas. Um calor eterno. Por isso os seus passos me são importantes. Porque sei que o caminho das ondas é um abraço sem tempo. E que devolve sempre o seu sorriso. A ternura de ter estado. É neste embalo que me resta hoje que me deito. Em silêncio. O do vento.

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...