8 de novembro de 2016

aVeSs0

No avesso da história
Todos os espelhos são amor
Pedaços de pó e de memória
Momentos de riso e de dor

Cantigas suaves e magia
Abraços de vento e sedução
O avesso é sempre parte do dia
Mesmo que longe do coração

Secretos labirintos de desejo
Loucuras ferventes junto ao mar
Que da história sobre a lembrança e o beijo
Que de tudo se faça tudo, a cantar

Abre-se a vida enfim
Dentro dos passos que se entornam
Do recomeço, um novo fim
Nas vontades que formam

4 de novembro de 2016

p0dEsEr

Pode ser uma viagem
Todas as viagens são destinos
Pode ser um grito
Todos os gritos peregrinos
Pode ser uma paixão
Todas as paixões querem ficar
Pode ser o infinito
Cada infinito, o mar...

Por ser um poema
Todos os poemas são vento
Pode ser uma história
(É preciso esquecimento)
Pode ser um caos
Todo o caos é passo
Pode ser o meu corpo
O meu corpo é cansaço...

Pode ser nada
Pode ser tudo
Uma estrada
Um cantar mudo
Uma madrugada
Dentro da palavra.

3 de novembro de 2016

TuRv0

Há uma tristeza no teu toque
Algo que chora
Que pede.
Talvez um poema longo,
Longo demais
Se prepare
Para ser canção.

2 de novembro de 2016

NaDaSeSaBe

Sabes aquele instante em que toda a história explode junto aos nossos olhos? Quando as vozes mais familiares nos sussurram os conselhos e as loucuras. Os passos que damos esfregam-se e misturam-se embriagados. Os sonhos são somente pequenos grãos de poeira viva à deriva. Cada nova palavra torna-se insuportável e o destino é talvez morte.,,

Sabes entender-me no meio de tanto prato e lençóis? Sentir a dor de uma inquietação perdida. Agarrar a corrente que se desvia da foz, que se desnorteia pelo espaço vazio. Sem sossego nem vaga.

Sabemos tanto um do outro e no entanto continuamos aqui...

18 de outubro de 2016

jUnToÀpArTiDa

Foi junto à partida que se disse mais uma vez que não valia a pena sair; que era longe demais o destino. Ou talvez só em Paris. Onde o Vento é aquele abraço materno no sorriso de uma pulseira tatuada. E o circo mais que forte e seguro. Os loucos saltos são pesados. E perigosos. Nada mais. Junto à partida que fica mesmo ao sabor do meu grito...

10 de outubro de 2016

bEm DiTo

Bendito o teu corpo sagrado em pé de feijoeiro
Carrasco de mil e uma perdições
Segredo de um nó de canções
Luz fértil que nos queima o nevoeiro

Fortaleza de mistérios em magras vontades
Versos de rasgo vómito entre donzelas
Amiúde, tristes carimbos e aguarelas
Do mundo feito bruma e verdades

Nada de mais, apenas musgo e dor
Sementeira de vazios pobres e sem futuro
Mortalha e lençol sujo, rasgado e duro
Por entre poetas loucos sem conhecerem o amor

26 de setembro de 2016

QuE!

Que do tempo a sua canção em euforia me faça saltar! Que de ti, amor, a saudade me faça cantar. Que do mundo um rasgo de energia me faça sorrir. Que de ti, amor, o desejo me saiba cobrir. Que dos versos, eu continue o meu canto. Que de ti, amor, me emocione cada novo sorriso de espanto. Que da vida, de mim, todo o sentido em comunhão. Que de ti, amor, esta riqueza mágica no coração. Escrever-te-ia sem parar!

5 de setembro de 2016

Só

Só os caminhos revelam a passagem.
Aquela em que os segredos eram vento e maré...
O mar aberto em sabor e viagem,
O amor entre o que foi e o que é.

Só as pedras ficam tatuadas pelo chão,
Pelos versos caídos ao abandono mais que triste...
A dor de ver, de ser, em cada novo poema e canção,
O amor entre o que não há e o que existe.

Só o tempo encontra o seu certo lugar,
Pelos nortes do meu peito perdido...
O meu leito, doce pegada que não sabe esperar,
O amor que se estende, mesmo esquecido.

25 de agosto de 2016

ReGrEsSoAoPoRt0


São os caminhos de sempre. O rio e a luz. Os sorrisos e as vozes da memória. Qual o peso do tempo quando regresso ao Porto? Esqueço-me dos passeios já pisados, das esquinas e do ar. Já não existe o campo de futebol. Agora é verdadeiramente uma estrada depois de ter sido o que nós quiséssemos...  É como um acordar de um sono profundo que é a vida. Quem sabe a minha avó me vem chamar para a mesa ou a mãe leva a roupa à lavandaria. E se o Armando tivesse o campeonato já preparado? As primas grandes estão em casa. E os caminhos são os de sempre. O rio e a luz. Até os novos semáforos e sentidos obrigatórios não conseguiram apagar esse tempo! O Porto é a minha cidade e eu estou longe. Saí de lá demasiadamente cedo. Abdiquei da minha cidade e abdiquei da vida. Gostava de sentir esse reencontro com ela. Podia ser que finalmente encontrasse a paz.

15 de agosto de 2016

v0lTa

Volta. Que o mundo parece ficar mais fraco sem ti. Sem esse sorriso que abraçava a tua voz rouca e sábia. Um dia sei que voltarás.
Volta. Que o meu corpo às vezes cai. Ainda sinto a tua mão a segurar-me, mãe...

14 de julho de 2016

oVeNt0fUgIu

Pobre Pequena Pantera, que estás tão calada...
Sabes, o vento fugiu.
Compreendo.
Sentes o mesmo?
O quê?
Que o vento fugiu.
Sinto.
E então?
Eu não ando calado.
E então?
Então o quê?!!
Sentes que o vento fugiu e não andas calado?
Como tu?
Sim, como eu.
Não.
Porquê?
Porque sou o Pequeno Príncipe.
E andas como?
Ando.

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...