Aqui, no sabor deste andar vazio
Encontro um nada que me segreda sonhos
Inquietante e cruel
Arrepiante e sagaz
Este nada não me dá paz...
Assim, nos silêncios do tempo longo
No meio das cores e magias de sempre
Ousado e penetrante
Calado em gritos loucos
Tudo em mim se encerra:
Esta paz em ventos de guerra!
13 de maio de 2017
11 de maio de 2017
rEtNçÃo
O vagabundo sabia que um dia haveria de voltar e que o regresso seria penoso. E feliz. Abriu a porta da casa e reteve os cheiros de sempre. Encontrou as janelas abertas e as camas por fazer. Estavam todos lá. Procurou que os silêncios lhe devolvessem as canções de amor. Quis que o tempo dançasse de novo pelos sonhos muitos. Eternamente, chorou. E regressou à solidão.
10 de maio de 2017
0nDaEmMaRéSdEiReViR
"Tu partes, mas voltas sempre..."
Ser onda, em marés de ir e vir!
Ser pedaço de uma inquietação funda!
Arrancar a dor mais pesada, mais fecunda
Acordando a ternura de te desejar e sentir.
Ser este desejo em macios fogos de alto mar!
Ser a raiz dos calos que me pisam a estrada!
Abraçar a noite em perfume de eterna madrugada,
Vagabundo que se entrega em solidões de nunca estar.
Ser a palavra, o verso, o arrepio tremendo da flor!
Ser terra, cheiro rústico em pele que chora por mais!
Acreditar que sou nuvem no céu por onde te vais
Quando me cantas o perfume a que chamas amor.
Ser nada. Ser nada. Ser mesmo nada e disto me servir!
Tudo é vã memória e simplesmente assim!
Mesmo quando eu chegar ao fim...
Só porque sou onda, em marés de ir e vir.
c0nTiGo,0c0nCeRt0
É contigo que agora estou
É contigo que quero estar
A minha história passa
aqui
No perfume deste cantar
É contigo todo o sentido
De ser gente e poesia
A minha vida corre assim
E contigo se anuncia
É contigo de tão dentro
É contigo em doce manto
Que o meu tempo é um rio
Que desagua neste canto
Contigo, sim, contigo
sempre
Roda viva, inquietação
Obrigado por estarem cá
Sou do vosso coração!
Foi uma noite memorável, onde todos contribuíram para levarem estas cantigas, estas palavras, esta arte... para uma dimensão outra. Só me posso sentir cheio!
13 de abril de 2017
UmDiA
Um dia...
Ao abrires a cama sentirás um frio estranho.
Um vazio muito maior que o meu tamanho
E nada sobrará a não ser passado...
Um dia...
Talvez o computador te diga o quanto perdeste
Só porque no tempo de correr te vendeste
E nada sobrará na plenitude da tua memória...
Um dia...
Ficaremos calados com tanto para contar do que nos aconteceu.
Quem sabe reconheças esta morte que ainda não morreu
E no que sobrar, mesmo pouco, me perguntes porque não estou aqui.
Dir-te-ei, pela milésima vez, de novo,
Parti.
10 de abril de 2017
MoMeNt0sQuEoTeMp0tEcE
Dos momentos que o tempo tece,
Em labirintos dentro do nosso peito,
Há sempre um sol que nos aquece
Queimando o sangue já desfeito...
Há o passado, o futuro e o vento.
As tempestades de sentir e estar.
Há a inquietação no nosso pensamento
E loucuras que se fazem ao mar.
Em labirintos dentro do nosso peito,
Há sempre um sol que nos aquece
Queimando o sangue já desfeito...
Há o passado, o futuro e o vento.
As tempestades de sentir e estar.
Há a inquietação no nosso pensamento
E loucuras que se fazem ao mar.
Há leitos e histórias de tanto haver.
Fontes e rios que correm sem cessar.
Há a revolução que teima em nascer
E loucuras que se fazem ao mar.
Há os perigos que o amor engrandece.
Escritos em cada tela do teu pintar.
São assim os momentos que o tempo tece
Nas loucuras que se fazem ao mar...
Fontes e rios que correm sem cessar.
Há a revolução que teima em nascer
E loucuras que se fazem ao mar.
Há os perigos que o amor engrandece.
Escritos em cada tela do teu pintar.
São assim os momentos que o tempo tece
Nas loucuras que se fazem ao mar...
7 de abril de 2017
cHÃo
O chão é um retalho medonho que os meus passos carregam em si.
É uma alma seca e longínqua que uma noite me perdeu aqui.
É uma torre de um castelo pousado nos sonhos que nunca são.
É, talvez, unicamente, o pedaço visível dos suores do meu coração.
As pedras ao acaso,
O tempo sem perdoar,
Eis o que voo louco e raso
Da andorinha que se abate sem cessar...
As raízes escondidas,
O solto sopro de cada chorar,
Eis as canseiras longas e perdidas
Da andorinha que se abate sem cessar...
O chão é um poema tremendo que nos queima em cinzas vivas, encarnadas.
É um bater que não se esconde, viagens penetrantes e cansadas.
É um dedo apontado que chama na ternura de um perdão.
É, assim, as inquietudes disto, a que teimosamente, chamo chão.
30 de março de 2017
Am0rCoNf0rMaDo
vamos tendo a vida que temos
entre o trabalho e o sofá
e sem darmos conta esquecemos
o que houve e o que há
as panelas ao lume estão
entre máquinas por fazer
assim bate o coração
já prontinho p'ra esquecer
nem o chão está por lavar
nem a roupa por passar
anda tudo controlado
Até o amor está conformado
vamos indo sem saber onde
na euforia das solidões
como um vagabundo que se esconde
entre teatros e canções
os tapetes bem passadinhos
a fruta pronta a servir
andam todos entretidinhos
Sem saber o que está para vir
nem o chão está por lavar
nem a roupa por passar
anda tudo controlado
Até o amor está conformado
entre o trabalho e o sofá
e sem darmos conta esquecemos
o que houve e o que há
as panelas ao lume estão
entre máquinas por fazer
assim bate o coração
já prontinho p'ra esquecer
nem o chão está por lavar
nem a roupa por passar
anda tudo controlado
Até o amor está conformado
vamos indo sem saber onde
na euforia das solidões
como um vagabundo que se esconde
entre teatros e canções
os tapetes bem passadinhos
a fruta pronta a servir
andam todos entretidinhos
Sem saber o que está para vir
nem o chão está por lavar
nem a roupa por passar
anda tudo controlado
Até o amor está conformado
15 de março de 2017
oCoLiBrI
Rasante como um sonho
Dança o colibri dentro do ninho
Passa pelos sorrisos como quem se distrai
Nem percebe que o chamam de mansinho.
É o leão, poderoso, na manha habitual
No voraz desejo de superioridade
Nada inocente. Um leão
Sabe sempre o sabor da sua idade!
Então o bicharoco passa voando
Entra na selva sonhando
Fica-se pela vontade de brincar.
Já se queixa, claro, hoje em dia
De tamanha teimosia
Que o fez morrer sem se matar.
Somos nós, os amantes?
Na peugada feroz dos tempos quem passam
A querer estar sempre presentes
Em todos os tempos que se adiantam?
14 de março de 2017
TaLvEz
Há uma estrada perto de mim
Que me leva para o infinito.
Não saio do lugar,
Não me mexo.
Talvez chore.
Há um grito.
Há uma paisagem por descobrir
Nos corações amigos.
Nem sempre estou cá,
Ou estou.
Talvez fique.
No meu passo de fugir.
Há um verso nos silêncios teus
Nas vontades todas
Os montes sussurram demais,
Os ventos existem.
Talvez o mundo
Nos braços meus.
1 de março de 2017
ReCuSa
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