8 de maio de 2014

oLhArEnÃoVeR

Trago dentro uma solidão
Feita de tanto de ti ou talvez não
Feita de mim ou talvez sim
Um caminho preso ao meu próprio cordão
Uma corrente veia que corre assim
Uma dor de amor
Solidão...
Trago dentro um desejo
De querer perder-me no teu beijo
Ao mesmo tempo que respiro
Um doce abraço em cada suspiro
Que me traz de volta e sem fugir
Porque o meu corpo anda a pedir
Aquele tempo fresco que já mal vejo
Sim! 
Aquele em que tudo era beijo...
Trago dentro algum vazio
Como se ardesse de tanto frio
Ou me queimasse simplesmente
Ao arrepio de um sonho em frente
Que se vai deixando moribundo e calado
Cansado, 
Parado,
De se sentir sempre do outro lado
Perdido entre palavras ditas em vão...

Porque
... o vazio
... o desejo
... o amor
Existem-me dentro da solidão.

6 de maio de 2014

qUe

Que da corrente resiste a viagem
Que da viagem se faz novo amor
Que o amor nunca é de passagem
Que da passagem vou para onde for

Que do rio navego em sonhos loucos
Que dos sonhos se morre em cada desilusão
Que da desilusão sobram gestos poucos
Que dos gestos se esquece o coração

Que do poema tropeça esta vida
Que da vida mal sei da sua margem
Que da margem existem sempre uma saída
Que da saída se faz outra viagem

29 de abril de 2014

lEnGaLeNgAdEfIcAr

Meu Amor,
Da vida, este suspiro de saudade em aroma de nós,
Do tempo, um arrepio quando estamos sós
Uma dor até...

Meu amor,
Dos meus passos, a certeza dos sorrisos em magia
Do leito, o eterno dançar da poesia
Uma maré...

Meu amor,
Do corredor, a casa e a inquieta chegada
Do toque, aquela sede que vale tudo e não vale nada
O chão!

Meu amor, 
De mim, que sou teu e que te chamo a toda a hora
De ti, que és minha e que teimas em ser fruto que demora
O nosso coração!

E nesta lengalengapoemacantigaetudoomais ficaMos. Amo-te.

24 de abril de 2014

TeMp0d0aMoR

Há sempre tanto para fazer...
A vida cheia, multicor
Milhares de eventos a acontecer
E o tempo, que sobra para o amor?

Há sempre um mundo a chamar
A mesa de trabalho, que já sei de cor
Recados inteligentes e botões para carregar
E o tempo, que sobra para o amor?

Há sempre a ilusão de tudo existir selado
Por entre certezas que nem chegam a causar dor
E um dia acordamos sem ninguém ao nosso lado
Porque o tempo, afinal, precisa de tempo para o amor...

18 de abril de 2014

MiNhAvIdA

Foste a secreta ternura do rio
Ganhando cada pedaço do amor
Minha vida, em forte e doce arrepio
Dentro do peito, sempre, mergulhado na dor

Foste o abraço único do futuro
Por dentro dos sonhos mais além
Minha vida, inquieto respirar em estado puro
Nas mãos, largas, que tudo tem e sustém

Foste a canção e o poema assim
Como quem come e bebe em seiva santa
Minha vida, que tanto se apodera de mim
Em passos pesados, onde tudo se dá e encanta

Foste a morte, o travo da eternidade
O chão desta viagem em comunhão
Minha vida, lágrima do tempo e da saudade
Onde se desassossega o meu pobre coração

7 de abril de 2014

Ci(Cl)0

Era uma vez...
Duas faces, manto de memórias e rio
Três silêncios, cada um, um arrepio
Quatro versos, às voltas em cinco noites de solidão
Seis vezes dor, sete coração
Oito formas de morrer em vida
Nove partos, desejo e despedida
Dez voltas que o meu peito já fez
E tudo recomeça outra vez

2 de abril de 2014

CrUeL

Pobre vagabundo, que continuas a vaguear sem vagar devagar pela vida...
Pobre mulher, que te escondes por trás dos teus sonhos...
Pobre homem, que te distrais nos teus passos...
Pobre criança, que nasceste.

27 de março de 2014

mÃe

Porque te choro ainda, mãe? Porque é que vagueio inconsciente entre as memórias e o esquecimento? Porque é que parece que falta qualquer coisa na minha vida? Porque é que também quero recusar mais lágrimas? Que o tempo foi tamanho e a minha pele está carregada do teu cheiro e do teu toque. Que a minha voz sussurra-se na ternura das tuas histórias. Que as minhas mãos transportam o poder dos teus passos. Que o meu olhar quer voar longe. Gostava de poder dizer-te tantas coisas... ouvir-te a rir. Sentir a tua emoção no calor da minha loucura. E descansar. Sabes, mãe, todos os filhos descansam junto das suas mães... Os dias correm entre o cinzento e a balbúrdia de cores, nos gritos de todos e mesmo assim sinto vazio. Há tanta gente a gritar, mãe. E eu também quero gritar. Mas não consigo. Não estás cá.

23 de março de 2014

aMaR-tE

O céu todo em cada magia
O sonho capaz no olhar
Sorrir-te no aconchego do dia
Amar-te é também respirar

O tempo todo em cada sussurro mais
O desejo mais que tanto
Querer-te quando vens e quando vais
Amar-te é ser nuvem e é ser manto

A vida toda em cada abraço
O abraço que é tudo e é vida
Ser-te caminho, paisagem e passo
Amar-te é a viagem mais querida

20 de março de 2014

eNcRuZiLhAdAdAtErNuRa

Pega-me na mão com o teu sorriso e leva-me. Sei para onde vamos. Quero deixar-me transportar pela encruzilhada da ternura acabada de abrir. Como um piscar de olho ou uma música quente. Desejo-te. Abertos um ao outro pelas marés do nosso leito sempre renovado. Pela encruzilhada da ternura. Os nossos corpos ganham asas de tempo e cor. Uma cor vermelha de energia apertada no nosso abraço. Uma cor branca cheia de todas as outras cores ancorada no nosso olhar. Que ama a cada sussurro. A cada grito. A cada tempo nosso. A cada praia ou gruta. Na encruzilhada da ternura onde estou. Contigo.

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...