25 de maio de 2007

sAbEs.

Sabes que em cada jardim existe uma estátua que nos espera. Serena. Para que através do nosso olhar possa compreender o cheiro das flores.
Sabes que em cada flor existe um encarnado que nos transforma o sangue e nos pinta o caminhar dos pés.
Sabes que em cada pé nosso existe o peso dos dias e das noites embrulhado no desejo da pele.
Sabes que em cada pedaço de pele ouviremos o som dos cantos de cada um dos amantes.
Sabes que em cada amante tudo se revela:
.....................................Os jardins.......................................................................................................................As flores....................................................................................................................Os pés......................................................................................................................A pele

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24 de maio de 2007

SeReNiDaDe

Voltaremos de novo ao jardim onde todas as estátuas se transformam nos horizontes das flores. Para de novo receber os amantes...

23 de maio de 2007

PeRdÃo

Não me calem os gritos de cada vez que sangrar
Nem tentem colorir as fogueiras
A minha alma dói. Simplesmente.
É a palavra de tudo querer, de tudo dar
São os trilhos de viagens e canseiras
As fontes onde nascem os rios onde tudo se sente

Não me perdoem, se em flor, tudo se tornar cruel
Nem tentem esquecer-me ou enterrar
O meu peito corre. Talvez.
É a mortalha de um desejo feito fel
São os ruídos de um coração que se faz ao mar
As ondas onde me refaço do que ninguém refez

22 de maio de 2007

PoDeSeR

Pode ser que os meus olhos te neguem de cada vez que ao passar pelas flores se deixem pousar nos aromas...
Pode ser que o meu corpo se entregue a este silêncio mordaz de te saber ventania...
Pode ser que a minha voz seja canto de cada vez que em nós se perca...
Pode ser que cada palavra soletrada consiga conter tanto tempo...
Pode ser que eu esteja mesmo aqui...
Pode ser...

21 de maio de 2007

ApEnAsPaLaVrAs


Novo tempo. Nova espera.
Pede-se o horizonte de cada vez que a erva cresce.
Limpa-se o céu nos reflexos de uma outra luz.
Novo tempo. A mesma espera.
Só o passar dos sonhos assim nos seduz!

Novo tempo. Nova maré.
Envolvem-se as paisagens olhar dentro, secretos.
Deslizamos nas brisas sem rota, amantes.
Novo tempo. A mesma maré.
Só o retorno nos devolve o que já não é.

Novo tempo. Nova janela.
Percorrem-nas as dunas sem destino. Afincadamente sem destino.
Alimentam-se as ondas sem tempestade. Ruidosamente sem dor.
Novo tempo. A mesma janela.
Só a tua imagem para a minha se tornar bela.

Novos. Os mesmos. Tempo. Espera. Maré. Janela.

Apenas palavras...

19 de maio de 2007

eNtReGa

Foi naquele fim de tarde que ele resolveu tudo. Levantou o olhar. Decidido. Bebeu de um só trago o resto da cerveja fresca que o acompanhava no lamento. Vestiu-se e saiu. Os seus passos eram firmes e velozes. Por isso chegou depressa. Tocou à campaínha. Nervoso. Assim que ela abriu a porta olhou-a nos olhos. "Aqui estou.", disse meio a medo."Vieste?", interrogou ela. "Sim. Dou a minha vida por ti, já sabes.", afirmou. "Não quero um vazio em corpo de homem. Desculpa. Vai-te embora.", e fechou-lhe a porta. Como na hora do parto, ele deixou-se então ficar sentado nas escadas do prédio. Sem querer voar de novo. Agora só desejava encontrar-se. Para voltar? Quem sabe...

PeLaJaNeLa

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Pela janela, só pela janela entrarás. Que a porta é passagem com fechadura. E a janela só se abre para o vento e a luz. Assim te quero cantar, a cada silêncio das palavras que ecoam nos olhares. Nos túmulos de cores que vão pintando o renascer dos amantes. Velho? Novo? Mistério... Um poder apenas ser-se outra vez do lado de cá dos sonhos.



17 de maio de 2007

nEsTaHoRaDoLad0dEcÁ


Do lado de cá da vida apareces-me como ar permanente em meu peito. Um ar de respirar. Sinto-me fresco. Só de pensar tem ti. Na tua voz de palavras certeiras. No teu olhar de mais de mil magias. Caminhante sei que do lado de cá da vida tudo se torna possível. A presença única. A ausência que dói. Vamos entrando no lado de cá e talvez digamos que finalmente chegámos somente na hora da partida. No lado de lá. Naquele que os outros não gostam. Mas se é verdade que desse lado da vida, a que alguns (demasiados?) chamam morte, muito se sofre, também podemos aceitar que desse lado não existe ausência...

16 de maio de 2007

aBaNd0n0

Rompe-se o silêncio das contemplações. Perde-se o olhar além de dentro. Esvazia-se o corpo na entrega. Abandono súbito. Já nada quero. Talvez ficar... Apenas.

SoRrAtEiRaMeNtE

Vagueio na penumbra do teu leito. Sorrateiro. Que o teu calor me sufoca. Escondo-me na tua silhueta só para fechar os olhos. Sorrateiro. Que o teu corpo me devora. Encolho-me perante cada gesto do teu deitar. Sorrateiro. Que no cofre das danças ainda repousam as memórias. E a seguir?A seguir, deixo que me seques uma lágrima antes de chorar...

15 de maio de 2007

c0fRe

Nunca deixarei que a minha sombra fuja de mim. Nunca. Só a minha sombra é capaz de me guardar...

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...