1 de outubro de 2007

p0eTa?


Não morrerei de madrugada
Talvez no mar
Deixarei minha voz calada
Só para nunca mais me calar

Não comerei à tua mesa
Talvez a fome
Cantarei então de novo tua beleza
Inscrita em cada letra do teu nome

Não verto mais lágrimas no teu caminho
Que os teus pés me sugam os odores
Parto no cais de andar sempre sozinho
Acompanhado por muitos sonos, demasiados amores

Sendo assim, paisagem, queda-te por mim
Agarra-te à memória e a tudo o que me dás
E de novo, transforma cada pedra num jardim
Onde a cada guerra possamos beber de novo a paz

Não morrerei nem comerei
Viverei a terra que me floresce
Nas palavras que nunca encontrei
Em tudo o que de dentro me cresce

Poeta? Pode ser, nas entrelinhas do nada
No jogo poderoso e improvável de cada verso
E assim, outra vez, à noite ou de madrugada
Tudo se transforma no seu próprio inverso

Por quem, afinal, tanta dor?
O silêncio do mar não existe
O poder da mesa no seu esplendor
Na corrente de tudo o que é mais que triste

30 de setembro de 2007

iMóVeL


Pobre do meu corpo assim deixado ao sabor do vento e do labirinto da vertigem. Da vaidade dos olhos adversos por entre cada reflexo da pele quente. Onde em cada toque sentimos um novo amanhecer.

27 de setembro de 2007

dEdIcAtÓrIa


Perto da minha janela corre o ar das veias Dentro das veias, a luz dum sol ardente Abro-te à vida, em solidões mais que cheias Onde te respiro por seres também doce e quente...

26 de setembro de 2007


Chora. Inventa a tua praia de lágrimas cheia de grãos e pequenitas pedras no vai e vem das marés. Depois levanta a cabeça para o sol e oferece-lhe um sorriso. O teu sorriso. Talvez a medo. O Sol saberá guardá-lo e mostrá-lo ao mundo. Nesse momento voltaremos a cantar. Na aragem dos poetas...

25 de setembro de 2007

a0pAsSaR


Onde está a nossa alma? Sim. A nossa alma. A que se cansa nas palavras e se atormenta nas memórias
nas saudades
nas vontades
e
verdades.
A que se move dentro de nós consumindo-nos o sangue e as veias de tanto girar.
Como o mundo nas mãos de alguém? Talvez.
Nas carregadas mãos da enxada ou da foice que a caneta também pesa e faz calos.
Porque é que a alma anda assim? Forte e pequenina ao virar de cada lágrima do tempo a passar entre os que ficam e os que vão.
Perto.
Tão perto de nós que nos queima!

24 de setembro de 2007

mEuSoLh0s

Não mais gritarei meus olhos
Guardo-os no lago do meu labirinto
Vagueio-os pelo teu peito
E isso é tudo o que sinto...
Só o meu grito se revela bastante
Se de tanto gritar outra vez fluir
Porque os olhos, meus olhos, sim, meus olhos
São tudo o que me pode fugir...
Por isso, fico sentado nos versos
Pousado em cada amanhecer do mar
À espera que voltes, quem sabe serena
Mas sempre nessa vontade de gritar!

23 de setembro de 2007

b0cAd0


O silêncio. Hoje o silêncio na tua partida. Os teus passos não deixaram rasto. O teu rosto deixou fome. Sorrindo por dentro na leve leve nuvem nos nossos sonhos de menino. Saltando nas riscas de uma tela preenchida por ti. Unicamente por ti. À luz dos nossos olhos bebendo cada silêncio. O silêncio. Hoje e sempre.

22 de setembro de 2007

tAnTo

Tanto a maré se desfez que acordámos os olhos em volta. Tanto os gritos se marcaram que os rios se espelharam na corrente solta. Tanto as palavras pousaram que se abriram as janelas. Tanto o sossego se torturou que mordemos os caminhos e as sentinelas. Os olhos voltaram na corrente solta das abertas janelas das sentinelas. E nunca mais o sonho acordou por entre eles e elas. Apenas ficou. Nas vozes e nas aguarelas.

21 de setembro de 2007

PaLaVrA

Palavra por palavra, sempre palavra às voltas nas palavras de cada um e nas minhas onde se perdem e se (re)encontram novas e velhas palavras de tanto nos serem palavras de dizer(-nos) outra vez nas palavras que por vezes não (nos) reflectem e que também palavras nos fazem entrar pelas palavras adentro sem temor que a palavra é um pouco forte nas palavras de tanto existir nas fórmulas e nos labirintos das palavras dos olhares que as marés em palavras vivas em mim nos aconchegam também por tanto ser eu palavra por palavra...

eSt0uViVo

Estou vivo. Claro.
Vivo na respiração diária das lutas.
Vivo na transpiração interior das marés.
Vivo nos olhares penetrantes dos amantes.
Vivo nas palavras soltas em mim.
Vivo sem partida nem chegada.
Vivo por aí.
......................................
Por aí me viro pois vivo. E é vivendo que me desperdiço a cada momento. Apesar de tudo.
Vivo.

20 de setembro de 2007

eSpElHoSnÃoFoGeM

Nunca os espelhos serão claros em dor forte
Por dentro das palavras que em corrente nos escapam de vez
Nunca as lágrimas se prostraram ao amargo sabor da morte
Quando sabemos que cada olhar novo pode ser vida outra vez.
.
Nunca mais me calarei sem verter-me à foz
Nos abraços dos poetas, nas memórias clandestinas
Nunca mais poderei ser eu se não formos nós
Na fome das ternuras e das cores mais finas
.
Nunca mais quero ser sem ser
Regresso-me nos postais da minha vida
Nunca mais, nem mesmo parecer
Quando todos fogem e não há despedida.
.
Nunca mais. Sou assim...

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...