13 de dezembro de 2007

AfEcT0

Volto-me de novo para ti e sorrio
Aguarelas-me o olhar entre sonhos e cores
Navego por entre mil e um amores
Os da minha vida, que se dão à corrente do rio
Entre tudo o que das suas margens me afoga
Me afaga por dentro de tanto te saber
Carregada do toque que nos une sem se ver
Em cada palavra que de novo em mim se interroga
Este meu jeito vagabundo, saltimbanco e poeta
Por entre o vai e vem da nossa respiração
Na ternura da manhã, no fogo cruel da inquetação
Guardo as janelas improváveis, no deslumbramento da minha caneta

12 de dezembro de 2007

eSePaRaSsE?

E se parasse? Se uma manhã de sol se transformasse num clarão tal que me imobilizasse em todas as direcções. Poderia ver melhor os outros a passar-me à frente, mesmo os que não me olham? Seria capaz de sentir todos os aromas das emoções à solta no vento e no brilho das vozes? Das que choram. Das que falam apenas. Das que riem. Das que pedem. Das que me querem enforcar. Das que me engolem. Das que não me dizem nada. Das que me amam. Das que nos unem... E se parasse? Perdido na imobilidade deixar-me-ia levar em tamanha impossibilidade. Sim. Impossibilidade. A de ir sem ir. Ou a de estar sem ser. Pelo menos poderia de novo responder-me às eternas questões que me movem? Não. Perderiam sentido... Como tudo, que ficaria vazio. Oco. Sem fundo. Sem futuro. Morto. E se parasse? Se morresse mas continasse vivo?

10 de dezembro de 2007

iA

Podias lembrar-te que um beijo desagua em mim de cada vez que uma lágrima tua me envolve.









28 de Abril

p0rTi

Perdido nos silêncios que amarram
Abandono meu corpo ao frio de tanto vazio
Encosto as lágrimas que de novo choraram
Para me sentir em corrente de rio
Percorro a minha vida outra vez por ti atirada
Canso-me dos caminhos de ir e vir
Grito-me para dentro, só em mim, demasiada
Que de tanto ser me dói tanto sentir

9 de dezembro de 2007

qUaLaCoRdAd0r?

Cada lágrima minha ecoa demasiadamente forte dentro de mim para conseguir ser corrente.
Cada silêncio levanta as palavras gastas de tamanha inquietação.

Volto de novo um dia talvez quem sabe outra vez a ser isso mesmo... Presente.

Carrego-me as memórias das ondas que devoram todos os momentos do meu coração.

Sufoca-me o peito. Abafa-me a história. Perturbante maré nos meus olhos perdida.

Calo-me. Sim. Calarei todos os pedaços das trocas. Dos aromas em ebulição.

Na estação da viagem. Por entre o escuro da noite e a certeza da partida. Só de ida?

Em todo o peso de uma existência fortemente entregue ao destino e à solidão.

Cada lágrima. As minhas. Sem reflexo. Sem brilho. Limpas. Plenas de mim.

Na mistura indissolúvel que nos interroga os caminhos quando se vê o fim.

Perto demais da morte. Longe demais da entrada. Onde tudo se atropela assim.

Será jardim?

5 de dezembro de 2007

aPeNaS

O meu olhar quebrou-se ao cair pela lágrima vertente. O meu cansaço caiu ao quebrar-se por entre toda a gente. Sou fixo assim. Em mim. Sem mesmo o saber. Se me fico à espera ou se viajo nas paragens do ser...

4 de dezembro de 2007

cItAçÃo














Quero as palavras todas no meu poema!



18 e Janeiro de 2007

rEnDiLhAd0

Nunca o carrasco tanto se assaltará quanto as memórias... Nem o pequeno poeta à solta pelos afectos, Nem o coração vadio por entre as correntes das solidões, Nem a angústia que nos consome sem pedir licença, Nem a ternura que nos rouba a paz, Nem nada. Somos os nossos próprios moribundos perto demais de não voltar atrás...Somos os nossos próprios moribundos perto demais de não voltar atrás...Somos os nossos próprios moribundos perto demais de não voltar atrás...Somos os nossos próprios moribundos perto demais de não voltar atrás... Somos os nossos próprios moribundos perto demais de não voltar atrás...
SomosSomosSomosSomosSomosSomos...

3 de dezembro de 2007

c0l0(-mE)

É nas folhas caídas que a Primavera anuncia a sua nova viagem. "Deixo-te as cores do Outono...", terá dito ao partir. Fiquei a olhar. O vento seguro e transparente remassava os dias no embalo das noites silenciosas e solitárias. Os olhares desconfiados do regresso passavam sem deixar rasto. Cada palavra tremia-me na ponta dos dedos e no eco da minha memória. As folhas caídas mortas na sua vida eterna de ir e vir, de colorir a estação, de saber que há sempre histórias em cada permanência... Perdi-me de tanto ficar. Perto. No colo forte dos anos que passam e repassam e passam e repassam e passam e passam e repassam e passam e repassam e passam... ...

2 de dezembro de 2007

n0mEuCaDeRn0

No meu caderno existo mais do que no pensamento. Pelos rascunhos dos meus sonhos... Na ponta da caneta os meus dedos são a corrente que me transporta longe. Longe demais. Onde tão perto me quedo. No meu caderno. Pousado no areal de todas as marés...

ReNoVaÇã0

Que parte de mim ecoa por aí nas palavras de andar atrás de tudo?









21 de Dezembro de 2006

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...