6 de janeiro de 2008

sÓoSsEgUnDoS...

Em cada segundo, de novo, o parto. O parto de nascermos à luz de uma nova luta. Ou das mesmas... O parto de irmos de encontro aos nossos companheiros. Ou a nós mesmos... Em cada segundo, um novo poema ou hino eterno. Eternamente nas memórias dos calos que nos afagam o rosto. Eternamente nos reflexos que os nossos olhos nos devolvem. Em cada segundo, outra vez nós. Nós de ficarmos juntos, caminhando em direcção à liberdade. Nós de nos deixarmos envolver. Nós...
Só os segundos valem a pena se nós formos partos e eternos.

5 de janeiro de 2008

4 de janeiro de 2008

SaLt0

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Gostava de encontrar um cavalo que me levasse até dentro de um conto de fadas. Só um bocadinho... para sentir o perfume e o calor das suas cores.. para respirar o ar dos sonhos; dos tempos... para me deixar contemplativamente às voltas de todas as suas personagens... sem ser visto... só para ver e cheirar... caminhar por entre todos os enredos... nunca ter medo do medo porque sei o que vai acontecer... apenas para ficar... por um momento só. Para depois ao voltar poder dizer que consegui!

3 de janeiro de 2008

Am0r

Corre-me o sangue no peito
Das teias de paixões e desertos
Aconchego-me ferido e desfeito
Onde todos os longes são pertos
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Navego-me nas melodias das ondas na areia
Das ventanias e brisas de mim
Mesmo cá dentro, muito cá dentro, no fundo da nossa teia
Saberemos fazer de cada silêncio um jardim

2 de janeiro de 2008

sEgUiReMoS

Seguiremos adiante pelos caminhos trilhados ou por trilhar. Saberemos das direcções dos afectos; dos labirintos e das vertigens; das ondas que banham as almas nos areais dos sonhos; das secretas paisagens nos olhares pintadas; das perdidas palavras que irão desaguar em nós; outra vez. Seguiremos em frente. Em frente em direcção a nós!

1 de janeiro de 2008

PeReGrInAçÃoDeMiM

Calam-se-me os passos deste ano
Os gritos fortes das vertigens
As canções de todos os tempos
Os labirintos fernéticos da crueldade
As palavras mendigadas dentro de mim
Os perfumes da saudade
As mortes carpideiras da solidão
Os termores e tremores e tremores e tremores
Calam-se-me os passos deste ano
Pousados em todas as janelas
Cansados nos sorrisos e lágrimas
Demasiadamente perdidos nos itinerários
Sugados no sufoco das paisagens
Embriagado de ser e ser e ser e ser e ser
Calam-se-me os passos deste ano...

31 de dezembro de 2007

uMn0v0pAsSoDeFuTuRo

Voltarei. Voltarei ao poema da paz
Talvez num novo ano qualquer
Quem sabe no perfume de uma mulher
Ou nos braços de quem se quer
Não sei se sou capaz...
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Lutarei. Lutarei pelo poema da paz
Nas vozes cansadas do sofrimento
Perto de ti a cada novo momento
Ou nos gritos do esquecimento
Não sei se sou capaz...
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Saberei. Saberei inventar um poema de paz?
No gume amargo dos passos traídos
Na certeza dos companheiros já idos
Ou no encalce dos pedaços caídos
Não sei se sou capaz...
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Estarei. Estarei por certo num poema de paz
Cheio de amor, fogo e punho levantado
Forte ou tombado, deste ou desse lado
Por dentro do futuro e do passado
Não sei... Tenho de ser capaz!

dEcÁ


Deixei-me levar na estrada branca em direcção ao monte. Sabia que do lado de lá encontraria o sorriso que me esperava. Olhei para a esquerda e acenei a todos as janelas que me cumprimentavam. Uma a uma. Olhei para a direita e repeti os gestos tranquilos de uma caminhada certa. Eu sei que no lado de lá encontraria o sorriso que me esperava...


30 de dezembro de 2007

Ci0


É talvez no silêncio das paisagens dos amantes que os poetas se procuram.




27 Janeiro 2007

cLaRã0

Os espelhos impedem-nos de ver às vezes. Os espelhos não nos mostram quem temos à frente; reflectem-nos os que estão por trás. Às vezes mostram-nos o que não vemos: os que estão ao lado.
Mas os rios; os rios-espelho são corrente em sol forte que nos acorrentam em nós de existência. Em potentes silêncios de chamamento. Em luz certeira que nos lembra as lágrimas. As nossas. As tuas. As dele. Dela.

Parto o espelho ou atiro-me ao rio?

29 de dezembro de 2007

iReMgRiTo


Fechados os olhos ao momentoNa lágrima corrente do amorOs passos de peso forte e correnteSem força, sem rumo. Só dor...


Na tela da história por refazerAs viagens de regresso são de partidaCalo-me então, de novo ao morrerSem saber se o bilhete é só de ida...


Sei de tudo no silêncio em dentro fechadoComo um grito longo, surdo e moribundoNo turvo instante do vento guardadoÀ espera de tudo, de mim e do mundo...


oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...