Espero-te neste tempo de silêncio e grito
Que passa tão devagar, sem fim...
Solto-me em lágrimas de um poema ainda não dito
De um sofrer interdito
Um sangue maldito
Só porque ainda te tenho em mim...
.
Espero-te, mãe. Com um sorriso e uma flor de Primavera
E fico tão nu, perdido no meio do teu jardim...
Ansioso como quem se dilacera
Aos poucos em forte quimera
Um sossego que não se gera
Só porque ainda te tenho em mim...
.
Espero-te e rouco me deixo vagabundo perto de uma qualquer ponte
Que me levará em fugas sem dono ou Alecrim...
Na ilusão que me consome de fronte
Eterno e turvo horizonte
Secura entre a foz e a fonte
Só porque ainda te tenho em mim...
.
Queria dizer-te adeus ou quem sabe cantar
Chorar tudo e deixar-me assim...
Para que consiga de novo chegar
Ao teu ventre para outra vez me gerar
E tudo recomeçar.
Só porque ainda te tenho em mim...
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