10 de outubro de 2014

pErGuNtAs

Os poemas não chegam.
Não carregam os cheiros ou os beijos
Não fazem cócegas na barriga
Nem entopem as palavras de sorrisos em florestas de fantasias...
Os poemas não me chegam para os cantos dos dias.

As promessas não servem.
Não sussurram o nosso nome ou gritam liberdade
Não constroem canteiros
Nem mesmo aconchegam o frio de tanto frio que às vezes passa...
As promessas não servem para acalmar a saudade que em sempre me abraça.

Os sonhos não morrem.
Não se apagam em memórias outras ou pedaços de nada
Não fogem
Nem se escondem em carnavais de presentes vazios de tanto...
Os sonhos não morrem e é por isso que ainda estou e assim canto.

E de pergunta em pergunta...

De poema em poema
De promessa em promessa
De sonho em sonho

Há um mar de tempestades e outros jardins a inventar
Porque cada pergunta, na sua inquietação máxima, vive nas respostas por dar.

3 de outubro de 2014

p0dErE(a)eSpErAnÇa

Saberei eu das saudades nos silêncios dos dias?
Serão elas apenas peças de um museu de emoções?
Ou antes tempestades e ventanias
Que se embrulham em pacotes de poemas e canções?

Saberei eu desta vida assim colhida
Por entre distâncias e sonhos a ir e vir?
Quantas vozes mascaram a dor mais perdida?
Quantos beijos me estão já a querer fugir?

Saberei eu do tanto que a morte me dá?
Saberei eu arrancar do leito a minha dança?
Sou o poder por entre tudo o que há e não há
Uma mistura de cinza, cor e esperança.

18 de setembro de 2014

QuEdEmImHoJe

Que dos silêncios também se fazem passos
Que dos passos, inquietação.
É tempo de lembrar beijos e abraços
É tempo de acalmar o coração...

Que das ausências outras formas de amar
Que do amor, sorrisos e feridas.
É tempo das esperas, ondas do mar
Que vão e voltam, encontradas e perdidas...

Que desta dor de ti, raiva e grito
Que de mim, vazios também assim.
É tempo de aconchegar o canto aflito
Antes que fique demasiado perto do fim...

15 de setembro de 2014

EmTiAoMoDoPoPuLaR

Trago uma flor no peito
E no peito sou feito de ti.
Olho para a frente da vida
E na vida há tanto que já perdi.

Canto o amor das esquinas
E nas esquinas escrevo a eito.
Em tudo o que tens e me fascinas
Trago uma flor no peito.

Choro memórias e mortes
E nas mortes não adormeci.
Porque vou cantando as minhas sortes
E no peito sou feito de ti.

Danço os caminhos também a rir
E a rir vou tendo a conta medida
Do tanto que soube existir
Olho para a frente da vida.

Vou de frente ao medo e à solidão
Por tudo o que já sofri
Quero-me entre o fogo e o clarão
E na vida há tanto que perdi.

10 de setembro de 2014

p0rMiMePoRtI

Percorre-me o desassossego da solidão
Pelos caminhos da larga estrada
Talvez sejas só um sopro na caminhada
Sempre no desencontro da partida e da chegada
Onde nunca adormece o calor da minha mão...

Percorre-me o silêncio de tanto estar aqui
Em direção ao mar, ao bendito e eterno mar!
Talvez consiga um dia descansar
Desta imensa forma de andar
Onde me perco em mim, por mim e por ti...

29 de agosto de 2014

MaIsUmSiLêNcIo

Podes esconder o brilho das flores
Mascarar o desassossego por entre a solidão.
Podes arder ainda todos os teus amores,
Perder-te nos versos de cada perdão.

Podes calar as chagas do teu peito
Por entre abraços e ternuras mais.
Podes do rio afogar o leito
Onde a corrente é forte demais.

Podes esquecer-te de vir, no labirinto de ti
Por muito que fiques, por muito que vás.
Podes nunca regressar a mim, aqui
Mas sei sempre onde estás.

28 de agosto de 2014

s0rRiSo

Podes ouvir o silêncio das palavras,
Tudo o que tenho e preciso.
Sabes que se o amor tem cheiro
Tem o cheiro do meu sorriso...

Podes cantar as madrugadas e os tempos,
Arrancar uma dor sem aviso
Sabes que na chuva das canções
Encontras o sabor do meu sorriso...

Podes chamar o passado em cada lembrança,
Abrir o peito em noites sem juízo
Sabes que nunca te falta nem esquece
Esta corrente tua, feita alma no meu sorriso...

26 de agosto de 2014

v0lTa

Verte-se o poeta em rios de dor quando o tempo parece parar. Pergunta-se quais as formas do futuro. Inquieta-se na ondulação da pele. Rasga-se por inteiro e é assim mesmo.

14 de agosto de 2014

sIg0

Sigo na estrada do rio
Que leva o vento,
Que traz a vida.
Meu peito é um arrepio
Pesado e sem alento
Que anuncia a despedida...

Sigo a viagem da ilusão
Às vezes perto demais,
Horizontes de ternura.
Meu canto é uma explosão
Onde nem sempre vais
Fonte de eterna procura...

Sigo cada pedaço das entranhas
Gritos vorazes dentro de mim,
Ao sabor de uma primavera.
Pinceladas e dores tamanhas
Aguarelas de tempero jasmim
Nos olhos de quem está, de quem espera...

Sigo...
                                                                                                         

6 de agosto de 2014

VeM

Vem dar-me a mão no leito de mim
Canta-me o teu sorriso sem fim
E voa suave nos sonhos da alegria...
Vem pedir-me o beijo reclamado
Aquele perfume abençoado
Que ainda hoje me acorda o dia...

Vem dançar na praceta talvez
Abrigar-me de tanta pequenez
Para o meu sonho adormecer...
Vem falar-me ao ouvido de mansinho
Fazer da minha pele o teu ninho
Onde tudo teima em renascer...

Vem voar, viajar pela história do mundo
Navegando límpida no eterno mar profundo
No regresso das solidões soltas...
Vem, que assim te chamo em chama
Em poema que sofre, sangra e ama
De cada vez que vais, sem saber se voltas...

2 de agosto de 2014

Nã0eStAr

O voo da vida, um labirinto de emoções no ar
Na sofreguidão de ir e ficar
No embalo das tempestades no mar
No segredo fecundo do amar
Falésia de vertigens do meu caminhar...

O longínquo abraço por dar
Mesmo no preciso segundo do acordar
Passagens e passagens, tudo num silencioso gritar
Que me dizes sem me sossegar.
Porque o importante é estar.

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...