27 de maio de 2012

mArEcAiS

Pelo tempo de ir e vir
Pelo toque de um sorriso a sorrir
Canto os caminhos que um dia se tornaram fatais
Que da viagem, é tão importante o mar como o cais

Pelo sangue que ferve na voz que vem
Pelos silêncios que gritam também
Espero entre versos sôfregos e vitais
Que da viagem, é tão importante o mar como o cais

Pelas ausências inquietas de ser e estar
Pelo amante fogo de ter de aconchegar
Regresso ao momento exato que nunca é demais 
Que da viagem, é tão importante o mar como o cais

22 de maio de 2012

aBrAç0dEvIdA

Um abraço de vida é aquele que nos fica na pele. Que nos inunda de cheiros e memórias. Que ilumina cada segundo dos sonhos. Que teima em nunca murchar. Que se deixa deslumbrar cada vez mais. Que se renova quando se dá. Que sorri. Que aquece. Um abraço de vida é um regaço. De todas as noites...

17 de maio de 2012

v0lTaRaNaScEr

Dizer-te amor na respiração
Cantar-te sem segredo na palma da minha mão
O meu corpo treme sem saber
Porque custa voltar a nascer...

Esperar-te na saudade que teima
Querer-te neste fogo que queima
O medo, esse, não se consegue perder
Só porque custa voltar a nascer...

Beijar-te num abraço nosso aconchegado
Ser-te tudo e tanto sem nunca estar calado
Pelo tempo eterno a acontecer
Quando me fizeste voltar a nascer...

14 de maio de 2012

SiLêNcIoDoSgRiToS

Falas-me no silêncio dos gritos
Que de madrugada se levantam
Fervores e passos tão aflitos
Que em mim nunca se encantam
Perco-me em mortes e inquietações
Sonhos, pesadelos e mitos
Por isso calo as minhas canções
No silêncio dos teus gritos
Arranho a alma sem conforto
Por um abraço mais que seja
Anuncio-me em vida assim morto
E tudo o mais que me sobeja

11 de maio de 2012

bErNaRd0

De que vale o mar
Se também é enterro
De que vale cantar
O som do nosso erro
Se o tempo... se a vida...
No teclado que nos deu em sorte
Ecoa ainda o segundo que te deu a morte.


De que vale a memória
Se também é cruel
De que vale cada história
Com que sujamos o papel
Se o tempo... se a vida...
No teclado que nos deu em sorte
Ecoa ainda o segundo que te deu a morte.


De que vale o caminho
Se também é paragem
De que vale vir de mansinho
Se caímos à passagem
Se o tempo... se a vida
No teclado que nos deu em sorte
Ecoa ainda o segundo que te deu a morte.


Irei um dia chegar em segredo
Talvez num grito
Em cada verso que deixarei escrito
O meu passo tão perto do medo
Talvez um sorriso mais
De ternura e sonhos fatais
Com que abraço todas as lágrimas do mundo
Que não querem esquecer esse segundo
Feito destino e pedaço meu
Nessa morte que te deu...

10 de maio de 2012

pRiMaR

Porque nos aromas da calmaria
Em cores e formas de um abraço
O meu canto é muito mais do que faço
Um sonho a comandar o passo
Com que o amor se anuncia

Levo na pele todo o calor assim
Na voz, o azul do mundo inteiro
Pedaços de vida em todo o seu cheiro
Como se cada beijo fosse o primeiro
Com que te dás e te prendes a mim



5 de maio de 2012

pRiNcEsA

Faz hoje 3 anos que veio a princesa. A minha princesa. A nossa princesa. Deixo aqui o post que escrevi nesse dia.



Vento da espera
Em mim presente
Caminho, quimera
Uma nova corrente
Talvez uma lágrima que desespera
Sem sair, de tão quente
Ou um beijo que tempera
O amor de toda a gente
Será o abraço da Primavera
Em flor de cheiro mais urgente?
Mais um parto que em nós se gera
Um novo rio, uma nova nascente...

28 de abril de 2012

bRiLh0

Resta-me a voz de te chamar
O sangue que do tempo se alimenta
Minha voz bate forte o meu cantar
Aquece de sonho a alma sedenta

Fica-me no peito o sabor a nós
Do tanto que um dia se fez maré
Que se deita na inquietação da foz
No embalo em que tudo é

24 de abril de 2012

sEgUnDo

Se o segundo em que te sonhar
Me queima o sonho e me devora a mim
A minha alma afoga-se neste mar
Que é o meu jeito de te querer assim

Sigo em tempestade rua fora
Desejo parar e ir embora
Sorvo as lágrimas a cada hora
Que me separa de novo do abraço

Fervo o sangue despido à deriva
Enjoo a minha própria saliva
Nada me prende, nada me motiva
Arraso-me prisioneiro do cansaço

Não quero esse segundo nunca mais!
Que o meu corpo segue fraco
Adormece junto à saída do cais
E depois não sei se vou ou se atraco...

17 de abril de 2012

aMiM

Abre-me a solidão no teu abraço.Só um...Perco-me nas telas dos dias soltosOnde todos os voos se fundemPara me deixar preso e não ficar com nenhum.Abraça-me na lágrima que chora.Só uma vez...Rastejo na minha ausênciaSem destino nem saborQue da memória se guarda apenas o que não se fez...Rasga-me a vida que da morte levo tanto.Tempo de silêncios e janelas brancasOnde se pintam os sonhosEm versos que me cobrem como manto...Partirei no sentido inverso de mim?Vagabundo de sorriso perdidoGrito que se dá mesmo caladoPara depois correr num mar assim...Não me carregues. Ama-me. A mim.

eXiStE

Existe um lado que sorri
Dentro do meu coração
Tudo o que tenho e vivi
É esse canto permanente na minha mão
Um sussurro de amor gritado
Uma chaga também de sufoco amarrado
Às vezes um rio acorrentado
Um toque de bandolim libertado
Com que faço e desfaço a solidão...

Existe um lado que chora
Na palma do meu olhar
Qualquer tempo que teima em não ir embora
Esse eterno beijo de tanto amar
Um passo mais no leito amassado
As palavras em verso mais que suado
Que na minha pele nunca se deixa calado
Porque é esse o todo do meu outro lado:
Ser-te, saber-te, ter-te a cada respirar!

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...