29 de novembro de 2014

oSaBoRd0nAdA

Leva-me no calor da tua viagem. Pode ser pequenina. Mas leva-me. As pedras da calçada estão demasiadamente frias e as nuvens sabem sempre a espuma. Leva-me por entre os sorrisos do mundo na tua viagem. Pode ser secreta. As palavras do tempo estão cruelmente isoladas por entre solidões moribundas. Leva-me a ver as flores. A cheirar os olhares apaixonados. As minhas mãos estão a ficar podres de tanta surdez. O meu canto anda esquecido ao sabor do nada.

28 de novembro de 2014

hÁ

Há o mar e todo o sonho que bebemos
Há o sonho e todo o calor com que nos temos
Há o calor e cada sorriso nos olhos de amar
Há os olhos e o regaço quente sempre a abraçar
Há o regaço e a flor em tom primaveril
Há a flor, toda a força de (teu) abril
Há a (tua) força tatuada na minha pele às vezes fria
Há esta pele de te ter, minha querida Maria
Porque só assim vale a pena tudo o que há
Porque só valendo a pena a vida se dá

2 de novembro de 2014

Am0rSeMpReNoVo

Corre, corre no meu peito o teu amor
Na água límpida da felicidade
Pedra a pedra me invento e sei
Que um dia assim é a verdade
de me ser pele, luz e calor

Canta, canta nos meus olhos o teu sorriso
Abraço e beijo de ficar
Passo a passo é força que vai
Abrir em mim o céu e o mar
E em tudo ser o que preciso!

29 de outubro de 2014

eStAd0aGrEsTe

Cada momento é um pequeno pedaço
E de pedaço em pedaço se faz o coração
Como o meu grito também é o meu passo
Que me mata uns dias sim, outros não

Saber dos recados do que se inventa
Entre as palavras e o toque certo
É o segredo que nem sempre se tenta
Nas ondas que rebentam demasiadamente perto

Estou em estado de correr,
Arder e pintar uma nuvem de raiva e mel
Porque o tempo é um pequeno-grande amanhecer
Feito das tonturas mais agrestes de um carrossel

Arte de estar, de num peso se fazer tudo
Que da magia do amor me arde o caminho
Que da voz, o silêncio forte e mudo
Que na vida, uma morte que se dá de mansinho...

20 de outubro de 2014

oMeUaMoR

Rasgão no olhar, entrega e paz
O meu amor sabe do tanto que se faz
          Calor no peito, sorriso e quimera
          O meu amor também fica e espera
Mar adentro, luzidia solidão
O meu amor conhece os tempos da inquietação
                    Lágrima de espelho, terra, água e cal
                    O meu amor dá-me um beijo, não me quer mal
Aliança fértil, doce caminhar
O meu amor sabe a mel ao passar
          Azul de um céu todo, nós os dois
          O meu amor vem buscar-me para sermos depois

Infinitos versos sem fim, alma do meu ser
O meu amor és tu, em flor sempre a renascer!

10 de outubro de 2014

pErGuNtAs

Os poemas não chegam.
Não carregam os cheiros ou os beijos
Não fazem cócegas na barriga
Nem entopem as palavras de sorrisos em florestas de fantasias...
Os poemas não me chegam para os cantos dos dias.

As promessas não servem.
Não sussurram o nosso nome ou gritam liberdade
Não constroem canteiros
Nem mesmo aconchegam o frio de tanto frio que às vezes passa...
As promessas não servem para acalmar a saudade que em sempre me abraça.

Os sonhos não morrem.
Não se apagam em memórias outras ou pedaços de nada
Não fogem
Nem se escondem em carnavais de presentes vazios de tanto...
Os sonhos não morrem e é por isso que ainda estou e assim canto.

E de pergunta em pergunta...

De poema em poema
De promessa em promessa
De sonho em sonho

Há um mar de tempestades e outros jardins a inventar
Porque cada pergunta, na sua inquietação máxima, vive nas respostas por dar.

3 de outubro de 2014

p0dErE(a)eSpErAnÇa

Saberei eu das saudades nos silêncios dos dias?
Serão elas apenas peças de um museu de emoções?
Ou antes tempestades e ventanias
Que se embrulham em pacotes de poemas e canções?

Saberei eu desta vida assim colhida
Por entre distâncias e sonhos a ir e vir?
Quantas vozes mascaram a dor mais perdida?
Quantos beijos me estão já a querer fugir?

Saberei eu do tanto que a morte me dá?
Saberei eu arrancar do leito a minha dança?
Sou o poder por entre tudo o que há e não há
Uma mistura de cinza, cor e esperança.

18 de setembro de 2014

QuEdEmImHoJe

Que dos silêncios também se fazem passos
Que dos passos, inquietação.
É tempo de lembrar beijos e abraços
É tempo de acalmar o coração...

Que das ausências outras formas de amar
Que do amor, sorrisos e feridas.
É tempo das esperas, ondas do mar
Que vão e voltam, encontradas e perdidas...

Que desta dor de ti, raiva e grito
Que de mim, vazios também assim.
É tempo de aconchegar o canto aflito
Antes que fique demasiado perto do fim...

15 de setembro de 2014

EmTiAoMoDoPoPuLaR

Trago uma flor no peito
E no peito sou feito de ti.
Olho para a frente da vida
E na vida há tanto que já perdi.

Canto o amor das esquinas
E nas esquinas escrevo a eito.
Em tudo o que tens e me fascinas
Trago uma flor no peito.

Choro memórias e mortes
E nas mortes não adormeci.
Porque vou cantando as minhas sortes
E no peito sou feito de ti.

Danço os caminhos também a rir
E a rir vou tendo a conta medida
Do tanto que soube existir
Olho para a frente da vida.

Vou de frente ao medo e à solidão
Por tudo o que já sofri
Quero-me entre o fogo e o clarão
E na vida há tanto que perdi.

10 de setembro de 2014

p0rMiMePoRtI

Percorre-me o desassossego da solidão
Pelos caminhos da larga estrada
Talvez sejas só um sopro na caminhada
Sempre no desencontro da partida e da chegada
Onde nunca adormece o calor da minha mão...

Percorre-me o silêncio de tanto estar aqui
Em direção ao mar, ao bendito e eterno mar!
Talvez consiga um dia descansar
Desta imensa forma de andar
Onde me perco em mim, por mim e por ti...

29 de agosto de 2014

MaIsUmSiLêNcIo

Podes esconder o brilho das flores
Mascarar o desassossego por entre a solidão.
Podes arder ainda todos os teus amores,
Perder-te nos versos de cada perdão.

Podes calar as chagas do teu peito
Por entre abraços e ternuras mais.
Podes do rio afogar o leito
Onde a corrente é forte demais.

Podes esquecer-te de vir, no labirinto de ti
Por muito que fiques, por muito que vás.
Podes nunca regressar a mim, aqui
Mas sei sempre onde estás.

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...