21 de março de 2016

lAvA?

Serei lava de vulcão que escorre e queima a terra à sua passagem, que serpenteia, em fuga, pelos trilhos mais (im)prováveis. Serei essa explosão única, capaz de matar as próprias cinzas, sem com isso deixar de cantar baixinho. Um grito em melodia de colibri, doce e triste, cansado e sonhador. Serei tudo também ao redor de uma tímida e forte inércia. Aos céus que me cobrem e aos amores que me esperam. Não vale a pena esquecer.

7 de março de 2016

NaRcIs0

Junto ao rio, aquele único rio da tua estória. Acaricias a noite e os silêncios. Sabes a filmes e fotografias. Deixas-te fluir pelas pedras do chão. Encostas os sonhos ao imprevisto. E nada acontece. Apenas o momento que não vês...

22 de fevereiro de 2016

NiNgUéMmEaCoDe

Já o cansaço me tolhe a morte e sacode
O pesado grito que o meu peito embriaga.
Sou solidão e ninguém me acode,
Sou poço entre a flor e a chaga

Já o futuro se colhe e explode
O tempo invertido da vida
Sou solidão e ninguém me acode
Sou semente de uma terra esquecida

Já o presente sou eu em frágil ode
E aqui me deixo na montanha e no cais
Sou solidão e ninguém me acode
Neste roda-viva onde tudo é demais

7 de fevereiro de 2016

OsEgReDo

Era uma vez um pequeno amante que adorava flores. Cada uma significava um enorme sorriso de amor. Um dia, o pequeno amante abriu a janela de sua casa, como o fazia sempre, mas desta vez não viu o seu jardim. Que seria feito dos canteiros todos que plantara anos e anos a fio? Procurou pelos sonhos e pelos pesadelos e não obteve resposta. Procurou nos papéis seus se por acaso lá teria deixado alguma mensagem. Procurou nas canções e nos poemas. Nos lençóis e nas toalhas. Nada... Então, sem baixar sequer a cabeça, vestiu-se de pássaro e voou.

5 de fevereiro de 2016

ReTaLh0

Quando a noite se pôs e o silêncio cobriu as águas, os dois amantes surgiram sorridentes. Finalmente o mundo todo se transformou em nada, afinal o tudo que precisavam para existir. A Lagoa, essa, serve de espelho aos olhares dos que não querem desperdiçar a vida...

1 de fevereiro de 2016

TaLvEz

Talvez um dia o dia acorde tarde demais e se cantem as viagens em capas de jornais. Talvez lágrimas de união ou mesmo uma ideia de revolução...
Talvez seja assim a vida inteira: nunca se saber o tempo justo e a hora certeira. Por isso o amor é um frágil aperto à procura de encontrar o seu leito incerto...

25 de janeiro de 2016

dEsTeChÃo

Deste chão nosso pisado. As almas embriagadas da vida. Sei do sonho e do fado. Não sei da ventania perdida. Deste chão nosso cansado. O eco de dentro além. Sei do sangue brilhante e rasgado. Não sei do que ainda mal vem. Deste chão nosso dançante. As ausências e as saudades outra vez. Sei do tempo solitário e amante. Não sei de nada, nem de mim, talvez. Chão nosso agora. Gritos em abraços de ir e estar. Sei da memória que fica e se demora. Não sei do fogo que me arde sem parar. É assim, este chão nosso terra. Um forte oceano de energia limpa e clara. Por isso tudo o que sei e não sei se baralha e encerra. O tudo que o meu corpo diz em história rara.

9 de novembro de 2015

BuRaCo

Como nesse dia em que me deitei ao mar e tu te deixaste secar em lágrimas. A minha vida navegou pelas ondas dispersas e livres. O meu sonho fez-se marinheiro na vertigem das incertezas maiores. O Sol, no seu ritmo divino e meticuloso, fazia questão de me lembrar o passar dos tempos...

30 de outubro de 2015

AuSêNcIa

Se os meus passos estão
Se os meus olhos vão
Se a minha pele é essência
Carrego-te comigo seguro
Forte como uma raiz num muro
Solto como a cor da tua ausência

Se as minhas mãos apertam
Se os meus gritos alertam
Se o meu beijo é pura demência
Embriago-me na saudade de ti
No teu cheiro ainda aqui
Solto como a cor da tua ausência

Se os meus sonhos cantam
Se os meus dias se espantam
Se tudo é morte e existência
Choro cada minuto mais
De todo o tempo em que te vais
Solto como a cor da tua ausência

6 de outubro de 2015

LiBeRdAdE

Existem no fundo de cada história
Os maiores mistérios.
Monstros e fadas
Gnomos e palhaços
Tesouros imensos!
Basta ir.

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...