28 de novembro de 2010

aVeZpRiMeIrAsEmPrE

Explode-me o peito sempre que o tempo não vem
Grito de aflição os segundos contados
Quero inventar outro tempo também
Quero os segundos teus eternizados

Invade-me o peito a cada despedida
Ficam os silêncios das memórias em chama
Que os nomes se fundam à partida
Que os cheiros regressem à cama!

Forte o sentido deste caminho vagabundo
Feito frio, fome, insossego e amargura
Sobram os poetas, cantadores do mundo
Nos vazios das saudades e da ternura...

Explode-me e invade-me sem cessar
Simplesmente porque NÃO QUERO de outra maneira
E deixo assim o meu sangue escoar
Sempre como se fosse a vez primeira!

26 de novembro de 2010

oLh0sFeChAd0sSeMvEr

Fecho os olhos e vejo. Todas as cores; todas os abraços. Fecho a boca e grito. Carrascos, amores, sangue e cansaços. Pouso o caminho e páro. Viagens de ir, de nunca chegar de vez. Perco-me no tempo e encontro-me. Como um peixe perdido num rio que nunca se desfez. Marco a terra e fico. A espera que se desliga sem pedir. Por isso, no embalo do poeta, arrasto-me sem sequer o conseguir. Choro as pedras e floresço. O céu rompe por entre os meus dedos. E depois, no mais duro momento da noite, abafo-me no meio dos meus segredos. E minto. E sinto. E pranto. E tanto. E só. Sem dó. E novamente. Se sente. E eu. Não teu. E tu. A nu. O verso assim. Sem fim. Fica. Para ser. Nos meus olhos fechados sem ver...

24 de novembro de 2010

eTeRn0



Partiria se o tempo fosse meu
Uma viagem de chegar
Para sempre, cada sorriso teu
Que em mim soube desaguar
Voltaria se os caminhos fossem leito
Um labirinto de sonhos a cantar
Para sempre, que nada será desfeito
Enquanto em mim souberes desaguar
Ficaria se o amor fosse este regresso
Onda que vai, onda que vem... que quer ficar
Para sempre, no secreto sabor deste jardim que atravesso
E que assim se enche de cada vez que vem desaguar...

23 de novembro de 2010

fAlA-mE


Fala-me a solidão num silêncio mais
O mar, em nova tempestade
Grita o caminho por onde vais
E morre mais um pouco na tua eternidade...
.
Fala-me a solidão no teu olhar
Ternura que me ampara e abraça
Outro fogo, outra chaga de tanto chorar
Cada retalho do tempo que fica e não passa...
.
Fala-me a solidão no amor
Única semente do mundo inteiro
Por isso, de cada vez que me fala a dor
Volta-se a morte sem pouso derradeiro...

21 de novembro de 2010

aSoNdAsVã0eVoLtAmSeMpArAr


Fica um vazio sempre que a onda se desfaz
Depois de abraçar a terra e os restos da areia,
Depois de enfeitar à solta cada esquina da sua teia,
Assim, num abraço eterno que tudo é capaz:
Cantar os gritos do vento e do passado
Colorir os poemas e a ternura imensa
Voar pela espuma sempre intensa
E nunca se sentir morto ou cansado.
É este ir e vir das marés, em semente
Que fazem do poeta e do vagabundo
Mais do que aquilo que se sente:
Transforma o tempo em algo ainda mais profundo
Com um cheiro ainda mais penetrante
Um toque ainda mais mágico de tudo inventar...
Porque cada onda faz da praia sua amante
Porque cada noite faz de mim o mar!

19 de novembro de 2010

qUe

.
.
.
Que a calçada se desfaça a meus pés!
Que queime todas as memórias. Do que és...
Que o tempo desafie o meu sonho desfeito!
Que arrase e leve consigo cada pedaço de mim. Imperfeito...
Que as palavras se transformem em armas de guerra!
Que arranhem sempre que forem ditas. Nesta terra...
Que as sombras nunca regressem nem mais nada.
Nunca mais!
Porque um dia voltarei a ouvir o cantar da madrugada...
Porque nos caminhos deitados ao lixo não vais...
.
.
.

16 de novembro de 2010

IrEvIr


Se o toque das marés fortes em mim
Fossem apenas gritos,
Gemidos de encontro ao peito
O meu canto seria a pele que enfim
Por entre sonhos interditos
Desaguava na rocha liquefeito

Se o rugir das ondas loucas de tanto
Fossem somente caminhos,
Pedaços de memórias e sonhos a chegar
A minha voz seria a dor e o pranto
Que um dia se amaram sozinhos
Só para de novo poderem regressar

Se o brilho das marés ferventes à solta
Fossem silêncios e passos,
Flores eternas que cheiram a vida
A minha viagem talvez fosse também de volta
Entre as chagas do destino e os cansaços
E em cada chegada, se inventaria outra despedida

15 de novembro de 2010

FeLiZeSpArAsEmPrE

"... e foram felizes para sempre!" Porque nas histórias, mesmo nas mais tristes, quem escolhe é o poeta. Porque nas memórias, mesmo nas mais duras, quem decide é o amante. Porque nos sonhos, mesmo nos mais loucos, quem se inventa é o vagabundo. Porque nas janelas, mesmo nas mais fechadas, quem respira é o pássaro. Porque na pele, mesmo na mais fria, quem toca é o menino. Porque no olhar, mesmo no mais cego, quem pinta é o peregrino. Porque no leito, mesmo no mais silencioso, quem canta é o grito. Porque nos contos, mesmo nos mais fechados, quem escreve é o futuro. Porque em tudo o que se tem, mesmo que não se tenha, quem tem é quem quer ter!

t0cAr0sSoNh0s

Nunca falta o tempo para se tocarem os sonhos
Assim, como uma flor de céu
Ou um beijo de vento
Marcado no pele,
Rasgo de dentro
Que se inflama e respira
Sem ter medo
Sem descanso
Sempre presente no olhar
Que se desfaz nas tempestades do mar
Quando a solidão nos chama
Ou que chove de ternura
Quando um verso é tudo
Sem fronteiras, nem lados...
Os sonhos são para serem tocados!

13 de novembro de 2010

sAnGuEeMaR

Serpenteia-se-me a alma na procura de tanto
Versos e caminhos que aos meus pés se perdem sem cantar
Talvez uma saudade, uma memória envolta no manto
De tudo o que das minhas mãos se inventa em sangue e mar

Rompe-se-me a corrente na embriaguez do caminho
Gritos e ventos e marés e cores que invento sem parar
Talvez o que resta de uma morte envolta em lençol de linho
De um leito afogado entre o sonho, o sangue e o mar

Volta-se-me o vagabundo que o meu peito abriga
Por entre o macio da pele, perdido nas malhas e nos silêncios do teu olhar
Talvez um outro segredo, verso, tela ou cantiga
Que seja muito mais do que o tempo, o sangue e o mar

Por isso, seja lá quem me quiser um dia eternamente
Eu consiga quem sabe morrer e anunciar
Que a minha vida se faz de trás para a frente
Ao sabor de tudo o que me corre no sangue e no mar!

11 de novembro de 2010

DeAmBuLaÇõEs

Pudesse eu abraçar todas as cores
E já seria jardim.
Como se fossem dores
Aninhadas, pousadas em mim...
Pudesse eu cantar todas as janelas
E já seria rio.
Como se fosse tê-las
Entre o leito, o silêncio e o arrepio...
Pudesse eu transformar cada memória
E já seria vento.
Como um pequeno príncipe perdido na história
Que numa noite apenas renasce; belo lento...
Pudesse eu ser verso em grito forte
E já seria mar.
Como uma tempestade que foge da morte
E na praia se deixa simplesmente aconchegar...
Pudesse eu ser fado no mundo
E já seria corpo entregue sem dono.
Como um passo mais, leve e profundo
Entregue ao seu próprio abandono...
Pudesse eu ser tudo, nada, vazio, força, animal, corpo, fome, palavra muda, digestão
E já seria outra vez...
Porque o bater que teima o meu coração
É o respirar que sempre em mim se fez!

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...