13 de agosto de 2018

ViGiLaNtE

Um dia pego devagar na tua mão
E devagar vamos com pressa
Até ao fundo da paz daquele silêncio
Em que as folhas das árvores,
Vigilantes,
Aguardam um beijo envergonhado.
Um dia cantaremos no céu dos nossos sonhos
Enquanto as gaivotas passam
Até ao fundo da eternidade
Em que o mar é o reflexo dos teus olhos,
Vigilantes,
À espera da dança redonda dos tambores.

12 de agosto de 2018

n0iTe

A noite, quente, como o tempo da espera. A minha respiração já desespera e tudo permanece no silêncio inesperado. Há vento por todo o lado e não descanso. Nunca o meu dormir é manso nas catacumbas da inquietação. Pobre coração, que te enganas a cada novo passo e preso me desfaço só para esquecer. Que o amor ao morrer será um fruto mais. Quem sabe um cais na passagem para uma nova viagem? Já me agonia toda esta quimera. Na noite, quente, como o tempo da espera.A noite, quente, como o tempo da espera. A minha respiração já desespera e tudo permanece no silêncio inesperado. Há vento por todo o lado e não descanso. Nunca o meu dormir é manso nas catacumbas da inquietação. Pobre coração, que te enganas a cada novo passo e preso me desfaço só para esquecer. Que o amor ao morrer será um fruto mais. Quem sabe um cais na passagem para uma nova viagem? Já me agonia toda esta quimera. Na noite, quente, como o tempo da espera.

11 de agosto de 2018

rEgReSs0

Os cacos no meio do chão
As pedras soltas e misturadas
Já não aguento sonhos e estradas
Quero calar-me em dor e vulcão!

Basta-me a ternura e sou rei.
Mesmo em silêncios de mão em mão
E tudo se refaz e nada esperei:
Os cacos no meio do chão.

Há as ternuras perdidas em corpo quente
Momentos e danças tão bem amadas
Onde o tempo é sempre presente:
As pedras soltas e misturadas.

Há os cantos e as chagas do regresso
Mesmo no leito das loucuras cantadas
Os meus lábios frios trazem impresso:
Já não aguento sonhos e estradas.

E agora? Fica-me a vida outra vez
Na raiva que se rompe na incompreensão
É por isso que serei grito talvez:
Quero calar-me em dor e vulcão.

10 de agosto de 2018

rEbEnTaÇã0

Cabe em mim uma eterna inquietação 
Um jardim de vulcões prontos
Tempestades e nuvens cheias de formas
Os meus passos são vagabundos e de perdição
Por isso a minha estrada é uma fogosa pintura
Onde cabe toda a raiva e toda a ternura...
Cabe em mim o rescaldo e ruína
A grande falésia da dança eterna
Areais e migalhas de muitas histórias
Os meus passos são loucos e cheios de tanto
Por isso canto e me faço em versos em eterna mistura
Onde cabe toda a raiva e toda a ternura...
Cabe em mim todo o cansaço do meu corpo reluzente
E pronto para o vómito ou para o beijo
Felugem de um vento morno
Por isso os meus passos estão aqui
Prontos a rebentar os abraços e a surpresa mais pura
Onde cabe toda a raiva e toda a ternura...

9 de agosto de 2018

gAiVoTA

O teu olhar vermelho
As mãos cheias de histórias
O corpo, fonte de memórias
Onde repousa o meu espelho
Vejo-me em sonho eterno
Junto a um caminho deserto
Que me trará por certo
O abraço quente do inverno
Sabes cantar e repousar em mim
Porque o quero como quem se alimenta
É por isso que neste voo não se tenta
Perceber onde é o começo e onde é o fim
Será um leito fresco e puro
Um sorriso de abrir cada onda em mar
Gaivota, nunca pares de (me) voar
Que esse é um passado ainda futuro!

29 de novembro de 2017

aLuCiNaÇã0

Prometo-te um poema de amor, meu amor.
Sim, hei-de chamar-te "meu amor"...
Posso, meu amor?
Gosto da palavra "amor"
(mesmo que não seja meu)
Prometo-te, então, esse poema um dia
Quando o tempo se fizer em nosso peito
Quando a pele se deitar no nosso leito
Ou quando os sonhos se refizerem do acaso que nos juntou
E perdoar toda a vida que já passou
E onde andámos fora
Por isso...
Não te vás embora, não?
Eu conheço o meu coração
E sei que ele estará mais ou menos em flor
Para te fazer um poema de amor
E te chamar "meu amor"...

19 de novembro de 2017

m0rAsEmMiM

Moras na solidão mas os teus olhos são de mar
Moras na solidão mas o teu bairro é a tua voz
Moras na solidão mas o teu corpo é de bailarina e dança
Moras na solidão mas os teus versos são flores
Moras na solidão mas as tuas mãos conhecem o sabor dos beijos
Moras na solidão mas tens sonhos de caminhos e saltos
Moras na solidão mas o teu nome abraça-me os dias
Moras na solidão mas os teus passos são leves e carregam viagens
Moras na solidão mas cantas as histórias do mundo


Moras na solidão mas não estás aqui...

9 de novembro de 2017

UmDiA

Um dia fujo do mundo
Solto o corpo na maré ou no vento
E choro.
Um dia, talvez amanhã,
Acorde de novo sem saber
Se o tempo está feito ou é para fazer...

Um dia grito toda a poesia
Vomito sorrisos e lágrimas
Por entre a rouquidão do Tom Waits.

Um dia, talvez amanhã,
Aconchegue os cansaços de cada olhar
Só para me sentir adormecer e ao mesmo tempo acordar...

Um dia, juro, serei feliz!
E que ninguém me incomode
Ou abrace.
Um dia, talvez amanhã,
Consiga entender esta saudade menina
Que me consome aos poucos como a dança de uma bailarina...

8 de novembro de 2017

rEp0uSo

Nas madrugadas o corpo nu
Talvez um pequeno arrepio na pele
Ou um calor da noite
Porque é que o tempo corre assim
Se tudo parece tarde em mim?

Nas madrugadas os silêncios
Talvez o grito ou um sussurro em chaga
Ou a saudade
Porque não para esta dor sem fim
Se tudo parece demasiadamente tarde em mim?

Repousar?
Quem sabe um dia os rios corram dos meus olhos até ti
Para acordar devagarinho e correr livre
Entre as flores do teu jardim
Porque este tarde, que tarda, é eternidade em mim

7 de novembro de 2017

BaTeR


Saberei esperar pelo respirar das ondas? E a dança, será um canto de andorinha ou uma gruta que protege? Saberei do tempo novo por entre o doce olhar? E o abraço, será uma paz feita vento na paisagem? Saberei ficar perto, por entre beijos e silêncios fortes? E o futuro, um amanhecer em sorrisos onde o desejo é apenas sol? Saberei? Saberemos?

2 de novembro de 2017

bAiLaRiNa

Gostava hoje de ser onda e adormecer no colo de uma bailarina...
Perder-me por entre os seus passos e não ter medo de chorar
Quando vejo a sua dança, em sorriso largo e de menina
O meu corpo desaparece, cansado e sem conseguir parar
Perco o tempo e grito dor e saudade
Canto um sussurro de solidão
E depois em frente ao mar, sem perder a cidade
Parece que sinto a sua mão
Que me leva ao encontro do seu abrigo:
E me diz: Vem, dança comigo!

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...