11 de abril de 2016

BaTiMeNt0

Se soltar a ave de madrugada
Se me atirar ao mar sem destino
Se perder o meu brinco que me deste em pequenino
Se mergulhar profundo em lágrimas na almofada
Se escrever em bebedeira e lucidez
Se vomitar o sonho mais uma vez
Se der finalmente o grito que se anuncia
Se pintar a noite e a fizer dia
Se cantar por dentro de ti
Se te beijar a mão, como te pedi
Se abrir a cachaça, finalmente
Se entoas um discurso que ninguém desemente
Se as janelas fossem apenas pretextos para um regresso
Se o tempo não matar o que nunca esqueço
Se o poeta for assassinado pela sua própria inundação
Se o mundo couber todo no teu coração
Se voltares para mim, em solidões de encontros especiais
Se o queijo for tão bom como o leitão de Negrais
Se entretanto eu me for embora
Não te esqueças que estarei aqui, como outrora.

1 comentário:

Maria disse...

Não te vás embora....
Saudades da cachaça, do queijo, do pão, de uma boa conversa......
Saudades!

aTuAaUsÊnCiA

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