31 de dezembro de 2007

uMn0v0pAsSoDeFuTuRo

Voltarei. Voltarei ao poema da paz
Talvez num novo ano qualquer
Quem sabe no perfume de uma mulher
Ou nos braços de quem se quer
Não sei se sou capaz...
.
Lutarei. Lutarei pelo poema da paz
Nas vozes cansadas do sofrimento
Perto de ti a cada novo momento
Ou nos gritos do esquecimento
Não sei se sou capaz...
.
Saberei. Saberei inventar um poema de paz?
No gume amargo dos passos traídos
Na certeza dos companheiros já idos
Ou no encalce dos pedaços caídos
Não sei se sou capaz...
.
Estarei. Estarei por certo num poema de paz
Cheio de amor, fogo e punho levantado
Forte ou tombado, deste ou desse lado
Por dentro do futuro e do passado
Não sei... Tenho de ser capaz!

dEcÁ


Deixei-me levar na estrada branca em direcção ao monte. Sabia que do lado de lá encontraria o sorriso que me esperava. Olhei para a esquerda e acenei a todos as janelas que me cumprimentavam. Uma a uma. Olhei para a direita e repeti os gestos tranquilos de uma caminhada certa. Eu sei que no lado de lá encontraria o sorriso que me esperava...


30 de dezembro de 2007

Ci0


É talvez no silêncio das paisagens dos amantes que os poetas se procuram.




27 Janeiro 2007

cLaRã0

Os espelhos impedem-nos de ver às vezes. Os espelhos não nos mostram quem temos à frente; reflectem-nos os que estão por trás. Às vezes mostram-nos o que não vemos: os que estão ao lado.
Mas os rios; os rios-espelho são corrente em sol forte que nos acorrentam em nós de existência. Em potentes silêncios de chamamento. Em luz certeira que nos lembra as lágrimas. As nossas. As tuas. As dele. Dela.

Parto o espelho ou atiro-me ao rio?

29 de dezembro de 2007

iReMgRiTo


Fechados os olhos ao momentoNa lágrima corrente do amorOs passos de peso forte e correnteSem força, sem rumo. Só dor...


Na tela da história por refazerAs viagens de regresso são de partidaCalo-me então, de novo ao morrerSem saber se o bilhete é só de ida...


Sei de tudo no silêncio em dentro fechadoComo um grito longo, surdo e moribundoNo turvo instante do vento guardadoÀ espera de tudo, de mim e do mundo...


oChEiRoDeMaRiA

Vem chegando no seu ritmo incerto e mágico
Penetrando-nos os sonhos e a saudade
Cobrindo-nos os olhos de sal
A alma de uma verde verdade
Onde ninamos os dedos em amores sem igual
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Vem rasteira, víbora ou sereia
Pintando-nos o corpo de vento e vida
Em montanhas, leitos e fontes de nos acordar
Onde fazemos de cada nova despedida
Uma outra forma de lutar e voltar
-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-
Vem, hoje, em sorriso de palavras soltas
Caminhando-nos os afectos em fontes puras
Que nos formam rios e rios de ti
Solidária Maria, manto de fome e ternuras
Que sempre quero ter-te por aqui!
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Parabéns, minha amiga. Que a tua ilha mantenha sempre o teu cheiro!

28 de dezembro de 2007

RuMoS


Da fragilidade de todos os tempos e de todos os amores as correntes despejam-se em margens perdidas e fracas...




10 de Março 2007

SiLêNcIoDeCaNtAr0r0sToDaNoItEdEsEr

Depois do silêncio, a maré
Depois do horizonte, o lar
Cada passo em si mais do que é
Cada volta de novo, o eterno cantar

Depois da palavra, o sorriso
Depois do olhar, a ternura
Cada rosto em mim, mais que preciso
Cada tempo, fonte em tudo que perdura

Depois do verso, o canto
Depois da noite, nós dois
Cada regaço verde, doce manto
Cada certeza de ser assim... depois.

26 de dezembro de 2007

aMaRéGrItAr

O meu sangue corre a cada grito que grita
Penetra-me em cascatas de um amor que se agita
Foge de tanto correr atormentado
Talvez por ser sangue e andar já gritado


O meu sangue grita-me na imensidão do curso do rio
Segreda-me em labirintos de memória o sabor do tempo frio
Foge de tanto correr esfomeado
Talvez por ser sangue e andar já gritado

O meu sangue grita-te com a dúvida de um condor
Certeiro encontra os poros de cada dor
Foge de tanto correr cansado
Talvez por ser sangue e andar já gritado


O meu sangue grita-nos no cimo de cada solidão
Encontra-me perdido nas portas do coração
Onde tudo foge sem a volta do condenado
Porque sangue que é sangue tem de andar gritado!

24 de dezembro de 2007

nAiMeNsIdÃoDoScAmInHoS

Passamos o portão para o lado de lá. Ficamos no portão do lado de cá. Espreitamos o lado de lá do portão. Temos saudades no lado de cá do portão. Sentimos medo do lado de lá do portão. Choramos no lado de cá do portão. Sonhamos com o lado de lá do portão. Esperamos no lado de cá do portão.
Andamos de cá para lá, do portão. Parados na imensidão dos caminhos...

22 de dezembro de 2007

eMcAdAp0nTaDaNoSsAcRuZ

Em cada ponta da nossa cruz
Encontraremos um sorriso perdido
Um pequeno momento que nos seduz
No manto retalhado de um sonho esquecido
Em cada ponta da nossa cruz
Voltaremos a nós sem mais remédio
Formando nas solidões cada sombra da luz
De tanto sermos fonte, corrente e tédio
Em cada ponta da nossa cruz
Batalhamos os pequenos nadas de tanto ser
Perpetuando de novo um passado sem capa ou capuz
Por nós, pelos inconsequentes momentos de estar sempre a morrer...

21 de dezembro de 2007

bUsCa

Levantamos o olhar e a voz carmesim, a cada nó que nos damos de mão dada...







29 de Junho

DeStIn0

Assim. Apenas por dentro...


Cada olhar que nos damos ao destino percorre-nos as memórias em direcção ao tempo. Eleva-se-nos na alma de tanto sentirmos. Nas solidões marginais dos despertares fortes do frio. Nos abraços embriagados dos aromas penetrantes dos corpos amantes.
Cada olhar que nos damos aproximam-nos demasiado de tudo o que da vida levamos mesmo que nunca se faça. Em direcção a um futuro por vezes tão dentro de nós que se asfixia nas palavras que soltamos em vómitos ou cantigas de amor. Lembro-me dos olhos assim, capazes de tudo o que meu coração rompe...

20 de dezembro de 2007

sEmMiM

Precipito-me em mim sem palavras, sem tempo. Caio num buraco escuro sem respiração. Abro os olhos sem forças. Fecho as mãos geladas. O meu corpo não pede nada. Silêncio talvez. Quietude. Sentir que os dias vão passando sem se perderem. Desperdício? Precipício! Vagueio pelos sons e aromas à minha volta em vertigem permanente. Imune. Incolor. Intransparente. Vazio. Um estado lacrimejante demasiadamente doloroso para mim onde os rios secam. Preciso de um beijo. Um abraço. O ar que respiro está poluído. Asfixia-me e penetra-me nos sonhos inertes. Quero a minha respiração. Nada que tenha em mim. Que de mim tudo se sente feio e sem sorrisos. Vou correr na praia. Gritar na praia. Saltar na praia. Deixar-me levar em cada grão de areia ou onda e talvez voltar. A mim...
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Desculpem-me o desabafo. Em Natal embrulhado...

15 de dezembro de 2007

pReCiPíCi0(-mE)

Perto de mais tão longe em todas as manhãs
Teu corpo tua voz teu beijo mais que em mim
Cantamos os dias que passam e as horas vãs
Perto de mais tão longe e sempre assim

Forte por nós por cada passagem à janela
Minha sombra meu sorriso minha cor mais que ti
Navegamos rumo ao amor sem caravela
Forte por nós por cada passagem de ficarmos aqui

Sem recados sem palavras sem sequer esperar
Mais uma noite mais um pequeno embalo
No seguimento da lágrima tão funda carregada de chorar
Sem recados sem palavras ou com tudo a separá-lo?

Não ponhas os teus passos no meu areal
Deixa-me gritar-te todos os nós do sofrimento
Vou-me embora, pela porta fechada pela parede sem cal
Onde me mato sem te possuir no esquecimento


13 de dezembro de 2007

cAvAlEiRo

A ausência foi mais forte e as palavras corriam-te das mãos...




25 de Março

AfEcT0

Volto-me de novo para ti e sorrio
Aguarelas-me o olhar entre sonhos e cores
Navego por entre mil e um amores
Os da minha vida, que se dão à corrente do rio
Entre tudo o que das suas margens me afoga
Me afaga por dentro de tanto te saber
Carregada do toque que nos une sem se ver
Em cada palavra que de novo em mim se interroga
Este meu jeito vagabundo, saltimbanco e poeta
Por entre o vai e vem da nossa respiração
Na ternura da manhã, no fogo cruel da inquetação
Guardo as janelas improváveis, no deslumbramento da minha caneta

12 de dezembro de 2007

eSePaRaSsE?

E se parasse? Se uma manhã de sol se transformasse num clarão tal que me imobilizasse em todas as direcções. Poderia ver melhor os outros a passar-me à frente, mesmo os que não me olham? Seria capaz de sentir todos os aromas das emoções à solta no vento e no brilho das vozes? Das que choram. Das que falam apenas. Das que riem. Das que pedem. Das que me querem enforcar. Das que me engolem. Das que não me dizem nada. Das que me amam. Das que nos unem... E se parasse? Perdido na imobilidade deixar-me-ia levar em tamanha impossibilidade. Sim. Impossibilidade. A de ir sem ir. Ou a de estar sem ser. Pelo menos poderia de novo responder-me às eternas questões que me movem? Não. Perderiam sentido... Como tudo, que ficaria vazio. Oco. Sem fundo. Sem futuro. Morto. E se parasse? Se morresse mas continasse vivo?

10 de dezembro de 2007

iA

Podias lembrar-te que um beijo desagua em mim de cada vez que uma lágrima tua me envolve.









28 de Abril

p0rTi

Perdido nos silêncios que amarram
Abandono meu corpo ao frio de tanto vazio
Encosto as lágrimas que de novo choraram
Para me sentir em corrente de rio
Percorro a minha vida outra vez por ti atirada
Canso-me dos caminhos de ir e vir
Grito-me para dentro, só em mim, demasiada
Que de tanto ser me dói tanto sentir

9 de dezembro de 2007

qUaLaCoRdAd0r?

Cada lágrima minha ecoa demasiadamente forte dentro de mim para conseguir ser corrente.
Cada silêncio levanta as palavras gastas de tamanha inquietação.

Volto de novo um dia talvez quem sabe outra vez a ser isso mesmo... Presente.

Carrego-me as memórias das ondas que devoram todos os momentos do meu coração.

Sufoca-me o peito. Abafa-me a história. Perturbante maré nos meus olhos perdida.

Calo-me. Sim. Calarei todos os pedaços das trocas. Dos aromas em ebulição.

Na estação da viagem. Por entre o escuro da noite e a certeza da partida. Só de ida?

Em todo o peso de uma existência fortemente entregue ao destino e à solidão.

Cada lágrima. As minhas. Sem reflexo. Sem brilho. Limpas. Plenas de mim.

Na mistura indissolúvel que nos interroga os caminhos quando se vê o fim.

Perto demais da morte. Longe demais da entrada. Onde tudo se atropela assim.

Será jardim?

5 de dezembro de 2007

aPeNaS

O meu olhar quebrou-se ao cair pela lágrima vertente. O meu cansaço caiu ao quebrar-se por entre toda a gente. Sou fixo assim. Em mim. Sem mesmo o saber. Se me fico à espera ou se viajo nas paragens do ser...

4 de dezembro de 2007

cItAçÃo














Quero as palavras todas no meu poema!



18 e Janeiro de 2007

rEnDiLhAd0

Nunca o carrasco tanto se assaltará quanto as memórias... Nem o pequeno poeta à solta pelos afectos, Nem o coração vadio por entre as correntes das solidões, Nem a angústia que nos consome sem pedir licença, Nem a ternura que nos rouba a paz, Nem nada. Somos os nossos próprios moribundos perto demais de não voltar atrás...Somos os nossos próprios moribundos perto demais de não voltar atrás...Somos os nossos próprios moribundos perto demais de não voltar atrás...Somos os nossos próprios moribundos perto demais de não voltar atrás... Somos os nossos próprios moribundos perto demais de não voltar atrás...
SomosSomosSomosSomosSomosSomos...

3 de dezembro de 2007

c0l0(-mE)

É nas folhas caídas que a Primavera anuncia a sua nova viagem. "Deixo-te as cores do Outono...", terá dito ao partir. Fiquei a olhar. O vento seguro e transparente remassava os dias no embalo das noites silenciosas e solitárias. Os olhares desconfiados do regresso passavam sem deixar rasto. Cada palavra tremia-me na ponta dos dedos e no eco da minha memória. As folhas caídas mortas na sua vida eterna de ir e vir, de colorir a estação, de saber que há sempre histórias em cada permanência... Perdi-me de tanto ficar. Perto. No colo forte dos anos que passam e repassam e passam e repassam e passam e passam e repassam e passam e repassam e passam... ...

2 de dezembro de 2007

n0mEuCaDeRn0

No meu caderno existo mais do que no pensamento. Pelos rascunhos dos meus sonhos... Na ponta da caneta os meus dedos são a corrente que me transporta longe. Longe demais. Onde tão perto me quedo. No meu caderno. Pousado no areal de todas as marés...

ReNoVaÇã0

Que parte de mim ecoa por aí nas palavras de andar atrás de tudo?









21 de Dezembro de 2006

30 de novembro de 2007

s0mBrA

Sombra. Fome de te encontrar na imensidão da memória. Onde a fonte nunca verte a lágrima que se evapora dentro dos teus olhos. Na sombra. De ti no peito de cada mistério ultrapassado. Pela corrente marginal do futuro. Ao encalce seguro da vitória.

29 de novembro de 2007

nAd0r

Forte a tempestade que se levantou sobre a ninha alma
Sem nada prever
Revoltou-se cada margem do rio
Em cores e aromas de tanta espera
E em novo amanhecer
Fiquei outra vez com frio
Mesmo na passagem repentina da Primavera...
Fortes as palavras do sofrimento
Por entre as névoas de cada paixão
Dilacerando os sonhos em contramão
Rompendo os silêncios do esquecimento

28 de novembro de 2007

aVeRdE

Nas cores que me lanças em flor
Anuncio-me mais um brilho no rosto
Aconchego-te em tudo o que quero e gosto
Em paz, manto da ternura e da dor
.
.
Nas cores que me lanças por dentro de mim
Escancaro a janela de novo para ti
Deixo-me adormecer nas palavras de estar aqui
Por de tantas cores me fazeres um jardim.

25 de novembro de 2007

rEfLeXo

"Sabes que só te tenho a ti...", terá dito a Bela Amante ao encontro do seu amado. Ao contrário do que seria de esperar, não houve resposta. Ficaram os dois em silêncio. Frente a frente. Olhos nos olhos. As lágrimas começaram a escorrer-lhes dos rostos e fizeram um grande lago. Que acolheu peixes e plantas. Raios de sol. E depois as janelas abriram-se e os sorrisos atiraram-lhe felicidade. Os pássaros cruzavam o lago em voos rasantes e seguros. O vento banhava-o sem inquietação. O sol reflectia-o. E os dois nunca mais se perderam...

23 de novembro de 2007

eSc0lHoUmDeStIn0?

......................................................................................................
Voltarei?
Tanto dos meus passos se sobressaltam no caminho...
Cantarei?
Tanto as palavras se ecoam num silêncio demasiado sozinho...
Sentirei?
Tanto as marés dos dias se perdem em madrugadas de paz e guerra...
Calarei?
Tanto os gritos me transportam demasiado fundo à terra...
Beijarei?
Tanto os meus sonhos são pesados por noites de lágrimas perdidas...
Sonharei?
Tanto as memórias se atropelam nas curvas de todas as vidas...
Saberei?
Tanto o horizonte se plantou em pinceladas de telas abertas...
Chamarei?
Tanto os nomes teus me amordaçam as horas mais incertas...
Remarei?
Tanto os rios se curvam perante o calor de cada corpo em chama...
Morrerei?
Tanto os partos se dão por cada toque de mesa e cama...

......................................................................................................

Escolho um destino?

22 de novembro de 2007

iNtErRoGaÇõEs

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Quantos passos são precisos para fazer uma caminhada?
Quantos gritos se ouvem quando a alma vai calada?
Quanto tenho para dar se não me sinto com nada?
Quanta força me resta à espera à beira da estrada?
Quantos ventos sopram por dentro de uma madrugada?
Quantas lágrimas correm na face beijada?
Quantos calos tem uma mão calejada?
Quantos rios correm na direcção errada?
Quantas palavras se rompem sem poiso ou morada?
Quanto de mim me resta, se navego em jangada?
Quantas interrogações mais, entre a saída e a entrada?
.
.

Seremos novamente poeira, em voos de uma vida parada...
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"Quantos serão os beijos com que posso ser beijada?
Quantas palavras me farão ser julgada?
Quantas sombras negras depois de uma alvorada?
Quantas passagens sinuosas nesta vida acidentada?"
(Luísa, pin gente)
"Tanto de tudo e de nada em palavras soluçada."
(Mateso)

21 de novembro de 2007

n0tEmPo

No tempo. No meu tempo me perco sem o conhecer ou dominar sequer. Vagueio pelos seus labirintos, tento contorná-lo, fintá-lo às vezes, na penumbra dos sonhos que nos inquietam os dias e as noites. No tempo. No meu tempo me vou perdendo sem saber (nem sei se me importo) se irei chorar por ele. Porque o tempo, pode ser só o meu ou não, transborda-nos o respirar. Às vezes sufoco. Outras nem dou por isso. Fico-me sem pensar. Ou sem palavras. Desejo-me dentro dele. Do respirar no tempo que é meu. Nosso. De todos. Onde os encontros são bem mais fundamentais que a filosofia. No tempo que nos vai consumindo em doses cruéis ou em pedaços de pele à solta nas fontes que nos alimentam...

19 de novembro de 2007

c0rReNtEàSoLtA

Percorro as margens do rio em paz
Sei-te corrente serena e decidida
Seja por ti, por cada lágrima perdida
Onde germina tudo o que se diz e tudo o que se faz
.
Diz-se das janelas vizinhas à espreita
Faz-se dos silêncios um mar que espera
Diz-se de um vagabundo que em ti se deita
Faz-se um jardim, mais que uma Primavera



Percorro as margens, navegando em meu corpo
Sei-me forte e vivo, em cada novo olhar
Seja pelo mundo, carregado de tudo o que é vivo e tudo o que é morto
No destino de sempre querermos desaguar
.
Tudo o que é vivo em aromas de multidão
Tudo o que é morto no sonho clandestino
Tudo o que é vivo carrega o peso de cada paixão
Tudo o que é morto não é mais que um destino

18 de novembro de 2007

uMaNoDePoIs

Por cá me vou encontrando
Nas palavras de nos unir
Do sonho que temos a nosso mando
Só mesmo verso, amor e porvir
Para nos deixar viver mais um pouco
Que de tanto gritar me sinto rouco
Que de tanto cantar me deixo louco
Que de tanto existir vou caindo mouco...
.
Por cá nos vamos tendo
Das palavras de andar à deriva
Na procura de nós, na tortura de ir sendo
Versos simplesmente de dor cativa
Só mesmo agora o tempo se enterra
Só mesmo na hora de tudo que encerra
No céu, no mar e na terra
No vento da paz, no fogo da guerra...
E depois?

16 de novembro de 2007

m0rNa

Morna. Em balanços de ondas em mim
Por dentro dos meus sonhos mais secretos
Almas di nós, fontes de ternuras sem fim
Ventos à solta em perfumes libertos
Morna. Acordes que vêm e vão
No mar de todos os passados
No sangue de cada nova respiração
Nos areais calmos e cansados
Morna. Cesária pura de tanto sentir
Rio de pele, olhar de um novo dia
Que em ti adormeço para outra vez fugir
E encontro-me finalmente nesse ir que ia...

15 de novembro de 2007

sÓeU


Construção. Poema de reflexos em cores à solta. Paragem. Na corrente forte de uma inquietação. Mais nada me resta... Só eu.

14 de novembro de 2007

AcAmInHo

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Vamos passando pelos dias de paz e guerra, de morte e parto, de quereres e perdição, de esquecimento e dor, fome e desejo, frio e vontade de correr, solidão e sorrisos, palavras e silêncios, noites e leitos, viagens e marés, aromas, cansaços, encontros, despedidas, quedas, canções... tanto os dias nos trazem em todo o seu esplendor. Umas vezes assim. Outras não. Estamos vivos. A caminho...

13 de novembro de 2007

pAlAvRaDeAc0nChEg0

Aos que se deixaramunirpelaspalavrasquenosunem:


Planto-me nestas cores à espera que cresça mais uma palavra que seja... Deito-me nestes silêncios de encontro às ondas do mar.Vagueio pelas janelas como quem beija Todos os sonhos de quem ousa sempre sonhar. Procuro-me nos momentos solitários de uma cegueira... Aconchego-me entre abraços e fortes marés. Canto meu entre o areal e a eira Cada cor que me dás por seres quem és.

12 de novembro de 2007

rEpEtIçÕeSrEpEtIçÕeSrEpEtIçÕeS

hoje vou escrever assim sem maiúscula ou pontos ou vírgulas ou essas convenções (os acentos não resisto) que se inventaram para que possamos entender um texto o mais aproximadamente possível ao que o autor escreveu mas eu hoje não me interessa como se calhar nunca me interessou apesar de sempre utilizar as maiúsculas ou pontos ou vírgulas ou essas convenções talvez porque hoje gostaria de ser livre num voo rasante num areal vazio e liso onde pudesse passear sem deixar rasto e quem sabe molhar os pés nas águas do ir e vir das marés que tantas vezes entraram pela minha escrita ou mesmo dos aromas da maresia que sempre nos transportam até muito mais longe do que alguma vez possamos sonhar basta termos algums histórias para contar ou inventar tal como muitas vezes o fazemos quando escrevemos sem nos preocuparmos muito com os outros como eu correndo até o risco de alimentarmos outros sonhos ou outros voos talvez mais rasantes e perigosos ainda mas sinceramente ando um pouco cansado do que cada palavra me faz ou me pode fazer porque quero acima de tudo sentir-me livre numa liberdade exposta nas nuvens que nos passam por cima da cabeça porque não existe liberdade quando nos fechamos ou nos restringimos às margens de uma folha de papel por isso é que ainda ando a pensar que força tem esta coisa daspalavrasquenosunem e de que forma é que tudo se pode manter bonito sincero e (reticências) livre na sua viagem de encontros e desencontros no mistério cada vez maior desta inevitabilidade que é estarmos vivos sim estamos vivos e por isso hoje vou escrever assim sem maiúscula ou pontos ou vírgulas ou essas convenções (os acentos não resisto) que se inventaram para que possamos entender um texto o mais aproximadamente possível ao que o autor escreveu mas eu hoje não me interessa como se calhar nunca me interessou apesar de sempre utilizar as maiúsculas ou pontos ou vírgulas ou essas convenções talvez porque hoje gostaria de ser livre num voo rasante num areal vazio e liso onde pudesse passear sem deixar rasto e quem sabe molhar os pés nas águas do ir e vir das marés que tantas vezes entraram pela minha escrita ou mesmo dos aromas da maresia que sempre nos transportam até muito mais longe do que alguma vez possamos sonhar basta termos algums histórias para contar ou inventar tal como muitas vezes o fazemos quando escrevemos sem nos preocuparmos muito com os outros como eu correndo até o risco de alimentarmos outros sonhos ou outros voos talvez mais rasantes e perigosos ainda mas sinceramente ando um pouco cansado do que cada palavra me faz ou me pode fazer porque quero acima de tudo sentir-me livre numa liberdade exposta nas nuvens que nos passam por cima da cabeça porque não existe liberdade quando nos fechamos ou nos restringimos às margens de uma folha de papel por isso é que ainda ando a pensar que força tem esta coisa daspalavrasquenosunem e de que forma é que tudo se pode manter bonito sincero e (reticências) livre na sua viagem de encontros e desencontros no mistério cada vez maior desta inevitabilidade que é estarmos vivos sim estamos vivos e por isso hoje vou escrever assim sem maiúscula ou pontos ou vírgulas ou essas convenções (os acentos não resisto) que se inventaram para que possamos entender um texto o mais aproximadamente possível ao que o autor escreveu mas eu hoje não me interessa como se calhar nunca me interessou apesar de sempre utilizar as maiúsculas ou pontos ou vírgulas ou essas convenções talvez porque hoje gostaria de ser livre num voo rasante num areal vazio e liso onde pudesse passear sem deixar rasto e quem sabe molhar os pés nas águas do ir e vir das marés que tantas vezes entraram pela minha escrita ou mesmo dos aromas da maresia que sempre nos transportam até muito mais longe do que alguma vez possamos sonhar basta termos algums histórias para contar ou inventar tal como muitas vezes o fazemos quando escrevemos sem nos preocuparmos muito com os outros como eu correndo até o risco de alimentarmos outros sonhos ou outros voos talvez mais rasantes e perigosos ainda mas sinceramente ando um pouco cansado do que cada palavra me faz ou me pode fazer porque quero acima de tudo sentir-me livre numa liberdade exposta nas nuvens que nos passam por cima da cabeça porque não existe liberdade quando nos fechamos ou nos restringimos às margens de uma folha de papel por isso é que ainda ando a pensar que força tem esta coisa daspalavrasquenosunem e de que forma é que tudo se pode manter bonito sincero e (reticências) livre na sua viagem de encontros e desencontros no mistério cada vez maior desta inevitabilidade que é estarmos vivos sim estamos vivos e por isso hoje vou escrever assim sem maiúscula ou pontos ou vírgulas ou essas convenções (os acentos não resisto) que se inventaram para que possamos entender um texto o mais aproximadamente possível ao que o autor escreveu mas eu hoje não me interessa como se calhar nunca me interessou apesar de sempre utilizar as maiúsculas ou pontos ou vírgulas ou essas convenções talvez porque hoje gostaria de ser livre num voo rasante num areal vazio e liso onde pudesse passear sem deixar rasto e quem sabe molhar os pés nas águas do ir e vir das marés que tantas vezes entraram pela minha escrita ou mesmo dos aromas da maresia que sempre nos transportam até muito mais longe do que alguma vez possamos sonhar basta termos algums histórias para contar ou inventar tal como muitas vezes o fazemos quando escrevemos sem nos preocuparmos muito com os outros como eu correndo até o risco de alimentarmos outros sonhos ou outros voos talvez mais rasantes e perigosos ainda mas sinceramente ando um pouco cansado do que cada palavra me faz ou me pode fazer porque quero acima de tudo sentir-me livre numa liberdade exposta nas nuvens que nos passam por cima da cabeça porque não existe liberdade quando nos fechamos ou nos restringimos às margens de uma folha de papel por isso é que ainda ando a pensar que força tem esta coisa daspalavrasquenosunem e de que forma é que tudo se pode manter bonito sincero e (reticências) livre na sua viagem de encontros e desencontros no mistério cada vez maior desta inevitabilidade que é estarmos vivos sim estamos vivos e por isso hoje vou escrever assim sem maiúscula ou pontos ou vírgulas ou essas convenções (os acentos não resisto) que se inventaram para que possamos entender um texto o mais aproximadamente possível ao que o autor escreveu mas eu hoje não me interessa como se calhar nunca me interessou apesar de sempre utilizar as maiúsculas ou pontos ou vírgulas ou essas convenções talvez porque hoje gostaria de ser livre num voo rasante num areal vazio e liso onde pudesse passear sem deixar rasto e quem sabe molhar os pés nas águas do ir e vir das marés que tantas vezes entraram pela minha escrita ou mesmo dos aromas da maresia que sempre nos transportam até muito mais longe do que alguma vez possamos sonhar basta termos algums histórias para contar ou inventar tal como muitas vezes o fazemos quando escrevemos sem nos preocuparmos muito com os outros como eu correndo até o risco de alimentarmos outros sonhos ou outros voos talvez mais rasantes e perigosos ainda mas sinceramente ando um pouco cansado do que cada palavra me faz ou me pode fazer porque quero acima de tudo sentir-me livre numa liberdade exposta nas nuvens que nos passam por cima da cabeça porque não existe liberdade quando nos fechamos ou nos restringimos às margens de uma folha de papel por isso é que ainda ando a pensar que força tem esta coisa daspalavrasquenosunem e de que forma é que tudo se pode manter bonito sincero e (reticências) livre na sua viagem de encontros e desencontros no mistério cada vez maior desta inevitabilidade que é estarmos vivos sim estamos vivos e por isso hoje (reticências, claro)

10 de novembro de 2007

v0lTa


Reflectia-te a alma. Nos cheiros dos sonhos. Nos sorrisos brilhantes dos olhos acesos. Na voz que procura sempre. No silêncio das melodias. Nas histórias passadas. Nos segredos. Nas viagens. Mantos. Janelas. Fontes. Acordes de soar para dentro. Na penumbra. Onde a luz nos reflecte. A alma...

5 de novembro de 2007

nAh0rAdApArTiDa

Ai, a escrita! Que bom que podemos com ela, mais virtual que a internet, remoldar histórias e histórias com pedaços da nossa memória, quem sabe rebuscados no inconsciente! Não a percebo muitas vezes e sinceramente não estou muito interessado em dissecá-la. A "minha" escrita vive nos olhos e nas memórias dos outros. E em mim, que me deixo contemplar com ela. Também gostava de escrever um livro.

3 de novembro de 2007

SeMs0m

Cada silêncio de nós aconchega um abraço desejado. Como se a voz fosse repousar sobre os lábios fechados. E o olhar se alongasse em direcção ao infinito...

2 de novembro de 2007

h0rAsDeTaNt0tEsEnTiR

Dentro de mim. O silêncio. De tantas horas. De tantos caminhos. De tantos sonhos... Dentro de mim. O grito. De me querer calado na dor de uma boca que se abre em direcção às lágrimas. De sentir tanto este desejo de não sentir. Que é o mais forte sentir que temos...

1 de novembro de 2007

29 de outubro de 2007

rEnTe

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Amanhece no meu coração
Rompe-se a madrugada no meu peito
Ando descalço, frio pelo chão
Onde encontro tudo vazio e desfeito
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Fujo das plantas e do vento
Nas janelas abertas de mim
Sou tão pesado que às vezes nem aguento
Mais um sopro, uma palavra de cetim
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Agasalho-me às vezes no manto
De retalhos e retalhos de todos nós
Para de novo acordar de espanto
Desatando e refazendo todos os nós
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27 de outubro de 2007

n0s0mDoNó

Na corrente do rio que me passa diante da janelaVejo as lágrimas de amor do mundo que esperaReflectem-se-me as dores e os aromas do tempo que se dilaceraPor tão perto e tão longe andar ele d'elaNa corrente dos ventos, das marés, dos dias passadosCada um exibe o seu desesperoNa intranquilidade fervente do seu temperoPor tão dentro e tão fora serem nossos estes fadosNa corrente às avessas dos sonhos escurosVoltados no tempo que passa e repassa sem pararQueremos todos só por um minuto que seja poder pararPor tão forte e tão frágil serem estes pensamentos puros
Tenho-me intensificado ao sabor das palavras. De todas. Não gosto de as escolher ou procurar. Sou assim. É como respirar. Alguém escolhe o ar antes da inspiração? Ou se preocupa se alguém se vai preocupar com isso?Tenho-me intensificado e assim quero continuar. Palavras da minha respiração. Párem de me trair!

25 de outubro de 2007

sEmPaLaVrAs

Sem rasto... os caminhos percorrem-nos de olhos fechados. Sem rosto... os horizontes vagueiam-nos por dentro. Sem casa... os aconchegos libertam-nos em dor. Sem cor... as marés geometricam-nos a alma. Sem tempo... os gritos ficam-nos em cânticos nocturnos. Sem ti... eu fico-me.

23 de outubro de 2007

fRuToSiLvEsTrE

Serei o fruto silvestre que rompe todas as distâncias. Que chega ao profundo olhar da interrogação. Que se despeja por entre o suor de cada passo trémulo. Que percorre demasiadas estradas. Que se enrola dentro de cada palavra. Para de novo ser. Fruto Silvestre.

sUf0c0

Não atires mais palavras à calçada
Não fundas as tuas lágrimas em qualquer futuro incerto
Perdes-te no vazio. No tudo cada vez mais nada
Num encontro que nunca se dará assim tão perto
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Não me empurres. Não me mates outra vez
Quero a liberdade solta de todos versos
Na margem de mim, junto a cada olhar que se fez
De novo reflexo dos amores perdidos e dispersos
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Não me olhes. Não me cantes. Não me sorrias
Não quero. O meu grito só ecoará na solidão
Na que cada um procura em si, nas noites frias
Em que tudo arde por dentro de cada coração
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Vai. Corre por entre as pedras dos sonhos e caminhos
Na luz de todos os partos e viagens do mundo
Sangra-te nos pés, nas cores dos espinhos
Para renascer-te viva, num porvir profundo

22 de outubro de 2007

cAnSaDo

Pouso e repouso o meu olhar
Na vertigem das palavras em rodopio
Catavento de viagens,
Entre o calor e o frio
Por onde navego sem nunca parar
Pouso e repouso este cansaço ardente
Nos aromas de todas as paixões
Nas correntes fortes das emoções
Por onde me atiro, imprudente
Pouso-me e repouso-me nas cores fortes da vida
Nos areais dos sonhos eternos
Nas ventanias de todos os invernos
Por onde regresso, à despedida

aLuCiNaÇã0

Prometo-te um poema de amor, meu amor. Sim, hei-de chamar-te "meu amor"... Posso, meu amor? Gosto da palavra "amor&quo...