31 de maio de 2007

SeMdEm0rA


Seguem doces os meus passos na tua direcção por entre todas as flores do chão.Tremem-se à hora da chegada, mesmo que errada.Iludem-se os meus olhos a cada vertigem do caminho que se percorre sozinho.Este de procurar(-se) cada vez que há uma respiração. Mesmo em vão.Fortes os braços que me sustêm a pele gasta, ao sabor da morte que não se afasta.Silenciosos os soluços da memória em sobressalto. Sem descanso no asfalto.Tudo pelas flores que sempre nos aparecem à frente... em forma presente.


De nos termos.

sÃoCrUéIs

São cruéis as palavras que brotam no escuro. São cruéis os ecos que nos adormecem ao ouvido. São cruéis todos esses momentos em verso puro com que me atormentas tudo o que sou e tenho sido... São cruéis os teus amores, os teus olhos as tuas paixões. São cruéis as silhuetas dos reflexos cortantes. São cruéis as verdades, o nervo dos turbilhões com que me perco em ti como hoje ou dantes... São cruéis as voltas das correntes na foz. São cruéis os encontros perdidos ou apagados da memória. São cruéis todas as cores iluminadas em nós com que pintas a derrota com as cores da vitória... São cruéis os montes dos céus cruéis. Os amores, as solidões, os desencantos. Por isso, amor, pega nos teus pincéis e pinta de novo todas as letras com que escreves os teus prantos!

30 de maio de 2007

aMeDiDaDoTeMp0

Perto. Demasiadamente perto o tempo se gastou sem que eu morresse...
Perto. Muito perto mesmo tudo aconteceu sem que nada se perdesse...
Perto. Horrivelmente perto cada um de nós se destrói na passagem do tempo vagabundo...
Perto. Perigosamente perto se choram trémulas todas as mãos e dores do mundo...
Perto. Ternuramente perto te encontro no doce olhar de quem sempre espera...
Perto. Inquietamente perto os risos se perdem no ventre da mãe que desespera...
Perto. O tempo esquece a sua medida...

29 de maio de 2007

ReGa

De que vale um jardim feito de lágrimas? Onde ao passar se sentem os aromas da saudade e do sofrimento? Em que cada pétala encerra uma história de encantar sem vitória? De fontes que jorram os desejos e os deitam ao abandono? Nas palavras que cobrem os sonhos com as cores imparáveis da fantasia?
Vales tu.

28 de maio de 2007

m0rDaÇa

Se o reflexo das tuas palavras te cobrisse o corpo como me cega, ambos saberíamos que só no silêncio poderíamos ser felizes.
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Ou duvidas que esse som alberga todos os desejos de dentro?
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Se as cores do teu olhar se voltassem de novo para trás, ambos iríamos finalmente conhecer o sabor do desencontro.
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Ou duvidas que essa memória nos carrega as noites?
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Se cada sentido disto tudo se transformasse, não valeria a pena a volta.
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Ficaríamos na dúvida...

PaUsA

Só por breves momentos moribundos me entreguei de olhos fechados aos encantos de sentir um forte tremor dentro de mim sem saber se deveria morrer de vez ou deixar-me manter inquieto nesta espera...
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Só por breves momentos percebi que os sabores do teu beijo serão mais delicados que um punhal em sangue de te teres assim tão segura em voo planalto...
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Só por breves momentos tudo se evaporou nos olhares amantes de uma janela aberta ao desejo que em tudo breve se mantém só para se eternizar...
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Só por breves momentos é que nos esquecemos que nos brotam no peito todas as dores e todos os amores sem nunca nos deixarem dormir descansados...
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Nem por breves momentos...

27 de maio de 2007

RoMaRiA


Levaste-me para tão longe que nem me cheguei a perder... Desfiei-me em gotas de orvalho nas pétalas da tua paixão. Entreguei-me ao soletrar secreto de todas as respirações. Por dentro da janela que todos os dias passa diante dos meus olhos.

26 de maio de 2007

Ad0rDeDeNtRo

Já te disse. Hoje e ontem já te disse que este desejo é uma história de olhos fechados.

Já te disse. Que cada lágrima das minhas noites corre direitinha a mim e volta a banhar-me os ossos.

Já te disse. Procurei-me dentro de ti e não me encontrei. Nem no tempo nem no sopro da tua pele.

Já te disse. Tudo se vai escondendo no secreto deambular dos anos até que a tempestade regresse.

Já te disse. Talvez me oiças. Talvez me queiras ouvir.

Amo-te.

25 de maio de 2007

sAbEs.

Sabes que em cada jardim existe uma estátua que nos espera. Serena. Para que através do nosso olhar possa compreender o cheiro das flores.
Sabes que em cada flor existe um encarnado que nos transforma o sangue e nos pinta o caminhar dos pés.
Sabes que em cada pé nosso existe o peso dos dias e das noites embrulhado no desejo da pele.
Sabes que em cada pedaço de pele ouviremos o som dos cantos de cada um dos amantes.
Sabes que em cada amante tudo se revela:
.....................................Os jardins.......................................................................................................................As flores....................................................................................................................Os pés......................................................................................................................A pele

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24 de maio de 2007

SeReNiDaDe

Voltaremos de novo ao jardim onde todas as estátuas se transformam nos horizontes das flores. Para de novo receber os amantes...

23 de maio de 2007

PeRdÃo

Não me calem os gritos de cada vez que sangrar
Nem tentem colorir as fogueiras
A minha alma dói. Simplesmente.
É a palavra de tudo querer, de tudo dar
São os trilhos de viagens e canseiras
As fontes onde nascem os rios onde tudo se sente

Não me perdoem, se em flor, tudo se tornar cruel
Nem tentem esquecer-me ou enterrar
O meu peito corre. Talvez.
É a mortalha de um desejo feito fel
São os ruídos de um coração que se faz ao mar
As ondas onde me refaço do que ninguém refez

22 de maio de 2007

PoDeSeR

Pode ser que os meus olhos te neguem de cada vez que ao passar pelas flores se deixem pousar nos aromas...
Pode ser que o meu corpo se entregue a este silêncio mordaz de te saber ventania...
Pode ser que a minha voz seja canto de cada vez que em nós se perca...
Pode ser que cada palavra soletrada consiga conter tanto tempo...
Pode ser que eu esteja mesmo aqui...
Pode ser...

21 de maio de 2007

ApEnAsPaLaVrAs


Novo tempo. Nova espera.
Pede-se o horizonte de cada vez que a erva cresce.
Limpa-se o céu nos reflexos de uma outra luz.
Novo tempo. A mesma espera.
Só o passar dos sonhos assim nos seduz!

Novo tempo. Nova maré.
Envolvem-se as paisagens olhar dentro, secretos.
Deslizamos nas brisas sem rota, amantes.
Novo tempo. A mesma maré.
Só o retorno nos devolve o que já não é.

Novo tempo. Nova janela.
Percorrem-nas as dunas sem destino. Afincadamente sem destino.
Alimentam-se as ondas sem tempestade. Ruidosamente sem dor.
Novo tempo. A mesma janela.
Só a tua imagem para a minha se tornar bela.

Novos. Os mesmos. Tempo. Espera. Maré. Janela.

Apenas palavras...

19 de maio de 2007

eNtReGa

Foi naquele fim de tarde que ele resolveu tudo. Levantou o olhar. Decidido. Bebeu de um só trago o resto da cerveja fresca que o acompanhava no lamento. Vestiu-se e saiu. Os seus passos eram firmes e velozes. Por isso chegou depressa. Tocou à campaínha. Nervoso. Assim que ela abriu a porta olhou-a nos olhos. "Aqui estou.", disse meio a medo."Vieste?", interrogou ela. "Sim. Dou a minha vida por ti, já sabes.", afirmou. "Não quero um vazio em corpo de homem. Desculpa. Vai-te embora.", e fechou-lhe a porta. Como na hora do parto, ele deixou-se então ficar sentado nas escadas do prédio. Sem querer voar de novo. Agora só desejava encontrar-se. Para voltar? Quem sabe...

PeLaJaNeLa

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Pela janela, só pela janela entrarás. Que a porta é passagem com fechadura. E a janela só se abre para o vento e a luz. Assim te quero cantar, a cada silêncio das palavras que ecoam nos olhares. Nos túmulos de cores que vão pintando o renascer dos amantes. Velho? Novo? Mistério... Um poder apenas ser-se outra vez do lado de cá dos sonhos.



17 de maio de 2007

nEsTaHoRaDoLad0dEcÁ


Do lado de cá da vida apareces-me como ar permanente em meu peito. Um ar de respirar. Sinto-me fresco. Só de pensar tem ti. Na tua voz de palavras certeiras. No teu olhar de mais de mil magias. Caminhante sei que do lado de cá da vida tudo se torna possível. A presença única. A ausência que dói. Vamos entrando no lado de cá e talvez digamos que finalmente chegámos somente na hora da partida. No lado de lá. Naquele que os outros não gostam. Mas se é verdade que desse lado da vida, a que alguns (demasiados?) chamam morte, muito se sofre, também podemos aceitar que desse lado não existe ausência...

16 de maio de 2007

aBaNd0n0

Rompe-se o silêncio das contemplações. Perde-se o olhar além de dentro. Esvazia-se o corpo na entrega. Abandono súbito. Já nada quero. Talvez ficar... Apenas.

SoRrAtEiRaMeNtE

Vagueio na penumbra do teu leito. Sorrateiro. Que o teu calor me sufoca. Escondo-me na tua silhueta só para fechar os olhos. Sorrateiro. Que o teu corpo me devora. Encolho-me perante cada gesto do teu deitar. Sorrateiro. Que no cofre das danças ainda repousam as memórias. E a seguir?A seguir, deixo que me seques uma lágrima antes de chorar...

15 de maio de 2007

14 de maio de 2007

coRrEnTe


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Por dentro deste sufoco morro mais um bocado
Arranco de mim a minha pele ardente
Esburaco o futuro por entre résteas de passado
E enterro-me só, na maré de todo o presente...
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Nem me acautelo. Assumo cada som enfraquecido
Pouso o corpo sobre mim. Pergunto-me se existe
Canto para dentro tudo o que tenho sido
Sem saber se o amor vence ou resiste...
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Morro devagar nas lágrimas dos rios de mim
Curvo-me perante a inquietação de morrer
Anseio que tudo isto chegue um dia ao fim
E que possa finalmente ter tempo de viver!
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11 de maio de 2007

dIsCuRs0

Hoje não sinto. Não te sinto. Apenas permaneço de dedos trémulos nas lágrimas do cansaço. Não sinto. Não te sinto. Hoje. Deixo-me ficar na inquietação dos silêncios de tanto te querer sentir... mas não sinto. Não te sinto. Arranco-me as palavras mais ousadas para fugir disto. De não sentir. De não te sentir. Porque quero sentir. Quero sentir-te. Vagueio pelas noites vagabundo à procura não sei bem de quê. De sentir? De te sentir? talvez não seja bem assim. Se calhar é preciso um olhar diferente. Para sentir. Para te sentir. Ou melhor, outra poesia. Não! Esta é a minha. Mesmo que não sinta. Que não te sinta. Não posso matar(-me) a minha poesia. Estas marés de tanto sentir. Ou não sentir. E não te sentir. Chegarei à praia, seguramente. Nos gritos ao alto de tanto sentir. De tanto te sentir. Mas voltarei de novo às cores do escuro. E depois vejo-te a olhar para mim, indiferente. Que sinta. Ou te sinta. Haverá uma paragem para isto?!!! Encontrarei o sentir? O sentir-te? Arranho-me de aflição nesta curtíssima viagem de estar aqui. Para sentir. Para te sentir. E tu dirás: Sentes! Claro que me sentes. E eu direi: Pois...

6 de maio de 2007

LiBeRtAçÃo

Fecho as portas das memórias para que as lágrimas não desaguem de novo em mim. Mas para isso, talvez um beijo. Um abraço apenas. De luz. De calor e fontes amenas onde nos passeamos olhos nos olhos. Porque nas praias me perco. Nas praias não há portas, mas há memórias. E passos. Que vão e voltam. Nas marés. Nas praias posso correr... Gritar. Saltar. Tudo numa só vez. Agarrando todas as coisas, como eu queria. Pelo menos só uma vez. Para mais não voltar a queixar-me das portas que em nós vamos fazendo. De dentro da porta. De fora da porta. Onde estaremos nós, afinal?









Volto na Sexta-feira, só...

v0aR

É no voo maior que chegarei a ti. Por isso não me calo!

5 de maio de 2007

oUtRoFaDo

Volto-me de novo para ti, caminhante
E vendo-te partir de mãos tão soltas
Digo-te, talvez pedindo talvez amante
Leva-me contigo, embala-me nas tuas voltas


Volto-me de novo e de novo outra vez
Percorro-te o olhar em abraço puro
Canto-te o amor, o perdão talvez
De te querer sempre, no passado presente e futuro


Volto-me aos céus nas aves migrantes
Grito-lhes o desejo de te ter a meu lado
E somos de novo amigos e caminhantes
Porque sem ti, sou outro fado.

EmLiNhA

De que vale o reflexo, ó Lua, se a meu lado não te vejo?

"Fecha os olhos..."

É incrível! Fechar os olhos à Lua e inventar tudo... como se ela não estivesse lá a chamar-nos...

"Não compliques..."

Pois, pois. Querer que todos os espelhos te mostrem. Como se o mundo fosse só eu e tu. A minha vida sem eu e a tua comigo.

"Então, sofres!"

Não. Amar é a arte de sofrer. Por amor. Com prazer.

"Fogo! Que complicado és..."

Esquece. Mesmo quando olhares para a Lua, não te lembres mais de mim.

Impossível. Tu és eu.

Sou?

"És. Em mim. Em tudo de mim."

Tudo?!!!

"Bom... quase tudo."

Ah... por momentos pensei cegar.

"Assim não se verias a Lua..."

Ou veria?

4 de maio de 2007

ÉsTu

És mesmo tu... de tão singela que se aproximou que até me assutei de tanta ternura. A bela amante, outra vez. Perdida no inesperado. Como a noite. Não aquela que vem todos os dias, mas a que em nós se forma em partos de ficar e esperas ousadas. Assim, perdida perto das paredes do quarto, de olhar abraçando as janelas - a fechada e a aberta -, de grito contido em melodias de memórias inventadas. Perto, outra vez. Eu sei que és tu.

3 de maio de 2007

rEm0


Sabes o que é um olhar além de ti? A onda elevada ao mais alto das fontes atrás dos trilhos... Sentes o vento quando tens a cara no chão? Talvez o embalo de tudo passar ao lado... Reconheces-me no canto dos silêncios perdidos e esquecidos pelas lembranças de cada memória? Talvez se abandonem finalmente as palavras e se consiga atingir uma flor...


Sabes de cor tudo isto. Mas nada dizes...

2 de maio de 2007

RuÍnA


Procuro as vozes nos silêncios das noites.
Às voltas em mim. No desespero de mim...
Vasculho nas portas. Nos limiares das tempestades mudas.
Às voltas em cada acorde de jasmim. Do fim...

Procuro-te, ó noite de tamanha inquietação!!
Para depois te contar do descanso do guerreiro.
Da dor de mais um preciso momento em que me vi
Embriagadamente por inteiro. Certeiro...

Procuro-me, ferozmente mordendo o lábio
Que outrora te beijara cheio de calor.
Nos reflexos penetrantes das memórias
Percorridas em direcção a um outro amor. Se for...

Pro curo-me? Nunca!
Só nesta doença vive parasita cada ferida de existir.
Sem ti. Contigo. Perto. Longe. Calado. No grito
Que te envio a cada vontade de fugir...

SoNdA



Jamais serei pirata na tua ilha! Nunca me irás ver ao assalto no areal límpido de transparente das tuas palavras e dos teus sonhos. Mesmo que te percorrendo ao redor, em lágrimas de ternura e fascinação, serei apenas a embarcação da eterna vigilância. O sólido e deslumbrante olhar que se deixará afogar no teu seio. O improvável caminhante que andará perdido. A inquietação de somente ficar. A ver. À espera. Mesmo nas tempestades que de ti emanam na minha direcção. Porque as ondas de nós são dançantes. Na permanente espuma colorida e bem cheirosa dos sons do amor.



1 de maio de 2007

VeNsEnÃoVeNs

Por momentos pensei chamar-te
Riscar de mim todas as memórias
Numa corrente de desejo e arte
Onde se inventam dores e histórias

Por momentos quis ver-te nua
Sentir no teu corpo as marcas de ti
Neste olhar que em mim se habitua
De te encontrar sempre que venho aqui

Por momentos asfixio-me porque quero
No calor que os silêncios dão ao universo
Que me dás sem saber que desespero
Sempre que me roubas mais um verso

UmDiA

Um dia... Ao abrires a cama sentirás um frio estranho. Um vazio muito maior que o meu tamanho E nada sobrará a não ser passado... ...