30 de agosto de 2009

sErÁsEmPrEdIa

.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
A distância de ti até mim
É um vento de respiração
Uma aguarela de cores em fim
Com que se pinta cada inquietação
Um rasgo, um salto, uma gargalhada
Assim se pode fazer essa madrugada
De acordar de uma noite de magia
E será sempre dia
O que nos junta neste sentir assim
E na distância de ti até mim..

29 de agosto de 2009

cHeIr0s

Quanto tempo vive a morte?
Que pedaços faltam para que o mar acalme?
Quantos rios ainda?
Tudo permanece tão vivo...
Os papéis, os livros, as bonecas, as borrachas, fotografias, discos, o casaco pendurado na cadeira...
E a janela não se abriu.
Porque tu, mãe, ainda cheiras por todo o lado.

26 de agosto de 2009

aBrIrAsJaNeLaSdAcAsA


As flores cobrem-me o sofrimento. Os pedaços deste tempo estilhaçam-se por aí, lentamente. Todo o tempo é uma eternidade... Sorrisos rasgados nas chagas do esquecimento. E eu dentro de mim. Apenas... Que as memórias ainda se fazem rios tormentos selvagens. Respiro um ar estranho... O meu olhar atinge tudo e todos como uma névoa. Os abraços percorrem-me as lágrimas e as minha mãos tremem só de pensar em abrir as janelas da casa. Por isso levo os passos seguros e firmes de encontro ao futuro. Para que o ar se refaça solto. Que o meu canto são murmúrios roucos de uma dor ainda por entender...

24 de agosto de 2009

t0nTuRa

Vento dentro de mim. Corrente.

Fogo perto do mar. Ardente.

Canto, grito de lágrima. Quente.

Passo, perdido no caminho. Ausente.

Labirinto rasgado na dor. Presente.

Vagabundo à solta na solidão. Prudente.

Peregrino na fuga do manto. Urgente.

Poeta, calado entre o Sol. Incandescente.

Segredo no rio dos olhos. Florescente.

Jardim pintado a preto. Somente…

Morte de novo na força. Da gente!

22 de agosto de 2009

mAiSuMp0eMa

Quando foste de vez
Percebi que eu não tinha ido
Que tinha ficado sentado a chorar
Junto àquela margem do rio
Onde os meus pés teimavam ficar
Só porque foste de vez
Num repente tremendo
Esse pedaço de tempo que ardendo
Me sangra um futuro agora fechado
Só porque foste de vez e eu não fui avisado
Só porque fiquei em mim, assim sentado
Junto àquela margem do rio
Que ainda não me lavou nada
Porque ao ires de vez, minha mãe,
Não me apagaste a estrada...
E eu aqui me deixei a pensar
Se o ir de vez é uma passagem só
Ou um novo regressar
A qualquer coisa tipo nó
Que teima em sufocar-nos em eterno grito
Só porque foste de vez e eu sei
Só que ainda não acredito
Que o lugar para onde foste é bem diferente
A saudade pregada no peito que ainda te sente

20 de agosto de 2009

pReSo


Pode um rio ser um corpo, um nada?

Em corrente de memórias apenas…

Calar-se e nunca mais ser estrada

Perder a cor, as vestes amenas

Com que sempre vestiu as suas margens…

Pode um rio ser um manto de passagens?

Pode um rio ser um espelho morto, fechado?

Em túmulos presos aos seus próprios gritos…

Perder a voz, onde o retrato nem sequer é guardado

Tricotar-se em labaredas de dor e saudade, interditos

Com que sempre o vazio se veste de gala para dançar

Enquanto as chagas se vão deixando sangrar…

19 de agosto de 2009

mIrAd0uRo


Tenho um vazio no peito. Uma lava negra que cobre as flores. Um mar de qualquer coisa… nem chega a ser tempestade. O seu horizonte é um grito com que esta chaga imensa me tapa o olhar. E nem vejo. Não quero ver. O futuro tornou-se uma pintura demasiadamente pesada. E os meus passos uma embriaguez intemporal. E eu… de repente… num corpo que para aqui anda.

.

.

.

.

.

.

Fotografia surripiada, sem autorização, ao Diogo. Mas ele não se importa.

18 de agosto de 2009

.


"Mãe, hoje é o dia mais triste da minha vida."
"Porquê, Afonso?"
"Por duas razões: acabaram-se as minhas bolachas preferidas e a avó morreu."



O meu filho Afonso (5 anos)




"Gostava de encontrar um cavalo que me levasse até dentro de um conto de fadas. Só um bocadinho... para sentir o perfume e o calor das suas cores.. para respirar o ar dos sonhos; dos tempos... para me deixar contemplativamente às voltas de todas as suas personagens... sem ser visto... só para ver e cheirar... caminhar por entre todos os enredos... nunca ter medo do medo porque sei o que vai acontecer... apenas para ficar... por um momento só. Para depois ao voltar poder dizer que consegui!"


Este texto foi uma das escolhas da minha mãe. No dia 15 deixou este mundo... Não consigo escrever mais nada. Nem para agradecer todas as que fui recebendo nestes dias. Mas acreditem: EU VOU CONSEGUIR! EU VOU CONSEGUIR! EU VOU CONSEGUIR! E a minha mãe sabe disso.

14 de agosto de 2009

eSpEr0



Espero o tempo que já não era

O rumo certeiro dos sonhos quentes

Um abraço, uma nova Primavera

Entre mortes e partos ainda presentes

.
Espero o teu nome na minha janela

O segredo no sopro do teu olhar

Um beijo, uma nova aguarela

Entre paixões e leitos ainda por acordar

.
Espero o teu silêncio cantado em mim

O grito de saudade nos areais

Um bilhete só, um novo jardim

Entre o saber se ainda ficas para sempre ou se sempre vais

.
Espero-te, simplesmente, no verso de uma maré revolta

O aroma feito rio, feito flor

Um sopro, uma nova raiz que em nós se solta

Entre tudo o que queremos ainda ser: amor

12 de agosto de 2009

NoSiLêNcIoDeMaRiA


Deste silêncio que me invade
A tua imagem
O rosto da nossa eternidade
A fome que assalta e possui...
Todo o meu olhar é esta bela viagem
Entre tudo o que ainda não fui
E talvez o que um dia saberei ser:
A saudade em forma de verso a nascer...

Deste voo que lentamente
Se faz ao rio
A inquietação da pele fervente
O canto de uns lábios doces em mim...
Todos os meus passos são fonte de calor e frio
Uma janela entreaberta ao teu jardim
E talvez seja mesmo eu a amanhecer:
De novo amante e todo o seu poder!

8 de agosto de 2009

pRISã0dEtI

Não sei dos espelhos. Das vestes que no meu corpo se fizeram farda. Tudo permanece neste silêncio que amordaça os gritos de um caminhar solto à prisão de ti. Que de nós ficou o tempo e o manto. O rasgão na camisa e a merenda. Os lençóis limpos de seda ainda brilham à espera que de novo as estrelas deixem passar o sabor da tua pele. E o cesto das lembranças não canta mais a sua canção...

6 de agosto de 2009

vAgAbUnDo



Por um momento sóPerdido nos confins do tempo meuAgudo-me nas memórias de sermos tempestade e póCom que pintamos tudo o que não aconteceu... São assim as raizes de um desejo vagabundoSolto na pele, no calor de cada transpiraçãoComo uma árvore: imponente saborear do mundoCarregada de um manto de amor e imensidão...


3 de agosto de 2009

... -mE



Verso-me por entre ventos e tempestades



Pedaços de mim entre mentiras e verdades



Histórias sonhadas, realidades



Por onde passam os labirintos da nossa alma



Verso-me assim à solta, sem dó nem calma...



.
Canto-me por entre silêncios e gritos



Passos de onda forte e aflitos



Roucos ou mudos, interditos



Por onde cada maré se desfaz



Canto-me assim à solta, e de tudo sou capaz...



.
Perco-me por entre os rumos e a embriaguez



Areais do peito que sempre amou e se desfez



Coleira em algemas carregadas de porquês



Por onde tudo parte e tudo regressa



Perco-me assim à solta, sem destino e sem pressa...



ChEgAdA

Falas-me das certezas do voo Do seguro porto da viagem Dos sorrisos e das lágrimas à passagem E de todas as pedras da caminhada. Ma...