30 de junho de 2008

Calculo as margens do teu regresso
Na rouquidão da minha voz inquieta
Vagueio e embriago-me por entre as palavras que peço
Só para nunca deixar de ser poeta
Navego inseguro e rente ao precipício da memória
Por entre lágrimas, amores e fogos que não meço
Calo-me pelos gritos enlouquecidos da história
Que me consome entre o partir e o regresso
Em frente ao espelho da dor
Por dentro da pele suada
Em cantos que ainda não sei de cor
Em voos de querer tudo e nada

29 de junho de 2008

eSpElHo

Qual o caminho que nos espera?
Que nos leva e traz, sem perguntas
Perto demais da lágrima da Primavera
Onde as margens se quedam demasiadamente juntas...

Quantos passos temos ainda para dar?
Na certeza dos trilhos ardentes
Perto demais do eterno caminhar
Onde a morte nos estende os seus dentes...

Porquê? Esta estrada assim marcada?
Vertigem de cada passagem
Perto de mais de uma qualquer hora marcada
Que em nós se chama eterna viagem...

Foste, assim de repente. Eu sei.
E eu fiquei, assim quieto. Eu sei.
E subitamente o percurso me pareceu imenso...

27 de junho de 2008

rEsTaUr0


Cada peso da palavra me magoaRompe-me os silêncios por entre as memórias e as viagensTudo é rouquidão, cansaço, inquietação que atordoaOs secretos trilhos de todas as passagens
Vou, sou, não sei bem.Caio, grito, talvez demais.Choro, sonho, tudo tem.Os pedaços de terra por onde vais.
Tudo é fogo, ardente caminharVertigem, retalhos, suor em sargaçoQue de tanto eu ser rio e ser marMorro e renasço em tudo o que faço

26 de junho de 2008

fLoR


Hoje sonhei que quando acordasse o meu coração seria um ramo de flores. E que iria parar ao teu jardim...

24 de junho de 2008

mAiÚsCuLaS

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Somos feitos destes retalhos mais. MAIS um pouco do fundo do olhar em frente. FRENTE a nós. NÓS que nos atamos e desatamos sempre. SEMPRE em direcção às nossas mãos. MÃOS que nos aconchegam, nos amam, nos traem, nos apaixonam, nos... NOS trilhos e tribos de cada história. HISTÓRIA plena do que somos. SOMOS...
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22 de junho de 2008

SiLêNcIoII


Calam-se os versos por dentro do pensamento. As memórias devoram-se na faísca do futuro. Em silêncio. Apenas. Em cada grito exaltante que do interior da montanha se evapora na explosão dos olhares. Rasgando todos os minutos em que sem palavras todos os vocábulos do Universo se tornam vulgares. E mais nada acontece. Porque tudo o que se dá é demasiado...

18 de junho de 2008

aNtE

Entre o sonho e o olhar
O meu peito treme por um instante
Minha voz ecoa sempre mais adiante
Os meus versos, em poeta errante
Só porque um dia ao nascer ousei amar

...

Rompo cada silêncio sem parar
Que o meu sangue ferve e é constante
A inquietação rouca e possante
O medo louco e distante
Só porque um dia ao nascer ousei amar

...

Fujo de mim na lembrança e no lar
Nas feridas minhas, do assalto amante
Na praia perdida demasiado asfixiante
No vazio da noite, no entre e no durante
Só porque um dia ao nascer ousei amar

tRoPeÇã0

Não sei andar devagar. Não quero andar devagar. Corro. E morro nesta inquietação em que cada minuto é bem mais longo que todos os dias do mundo... E depois salto e grito e fujo e nem sei quem sou. Volto-me nos reflexos do espelho que não quero ver. Não sei quem sou. Por onde vou. O que vou... fazer se um dia me descobrir? Não sei andar devagar. Não quero andar devagar. Corro. E morro nesta inquietação em que cada minuto é bem mais longo que todos os dias do mundo... E depois salto e grito e fujo e nem sei quem sou. Volto-me nos reflexos do espelho que não quero ver. Não sei quem sou. Por onde vou. O que vou... fazer se um dia me descobrir?

16 de junho de 2008

cAmPa

Carrego todas as gotas da tempestade
Abrigo agridoce de sonhos e ventos
Solavancos fortes e tormentos
Que amordaçam os soluços da saudade
Vomito a chuva nos reflexos dos dias
Aconchego os punhos na luta da paixão
Marés de fogo, pinhas e carvão
Que me levam de mim, florestas de melancolias
Fado-me nas viagens de tanto te cantar
Sem saber da dor cruel do regresso
Por entre o sabor de cada palavra mais que peço
Só para nunca morrer, a um novo acordar!

13 de junho de 2008

sErMaIsAlTo?

Se cada palavra desta dorDeste inquietante respirarSufocante caminharEntre o fogo e o ardorDe tudo se me rebentarDe cada vez que desfaço mais um pouco do meu interiorSe cada palavra fosse apenas isso:Única vertigem do meu cansarPrecipício sem o compromissoDa morte ou do ressuscitarEm chagas tamanhas de onde me despeçoPara de novo me acordarSer mais alto? Mais perto?Ou apenas uma solidão ao passar?Por entre os nós da memória e do tempo incertoQue me corrói sem sequer me tocarQue me arrasa, que me está a pisarQue me atira, de encontro ao mar...

11 de junho de 2008

oChEiRoDaIlHa

Resistir entre o verso e o cansaço
Cantar na rouquidão do caminho
Abraço cada fonte da história que faço
Por entre os beijos em verde pinho

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De mão dada em luta e marcha, no sonho ou na avenida
Percorro-te no calor da cumplicidade
Abraço cada palavra que cobre a ferida
Para renascer de novo, para toda a eternidade

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Força em nós, no poder do punho fechado
Que se eleva aos céus em forte corrente
Abraço até a solidão de não estar calado
Para não morrer ao acordar, para não fingir o que se mente

10 de junho de 2008

n0iTe

Recorda-me o teu rosto em pequenas parcelas de uma viagem eterna. A tua voz no meu peito, sacudindo na memória as entranhas das palavras que não morrem. O bater na rocha. Em tempestades de gritos pela solidão fora. Em permutas entre mim e cada pedaço que sou. No encalço de um horizonte sem janelas. Onde tudo permanece. Tece. Enaltece. Se esquece só porque regressa. Mesmo que ninguém o peça. Rasgando a minha liberdade...

7 de junho de 2008

tEr


Percorro cada pedra do caminho
Em palavras que nos unem vida fora
Queria poder sair de mansinho
Sem nunca ter de me ir embora
Deixar um pedaço da minha rouquidão
Para se ecoar para sempre no teu olhar
Saber do poeta, do amante e do irmão
Que um dia ousou morrer e acordar
Quantos é que nós seremos afinal?
No apeadeiro de uma nova viagem
No segredo de um eterno terminal
No passo dado à passagem
Quantos é que querem ficar outra vez?
Na inquietação fervente e dolorosa
Do começo, da fonte, do fado português
Da fragilidade da mariposa
Percorro cada pedra deste caminho nosso
Sem saber do regresso
Minha alma pesada e não sei se posso
Conseguir-me tudo o que a mim peço

2 de junho de 2008

rAsGo


Sacudo de mim cada palavra que em gesto me transborda. Rompo por dentro de mim mais um lábio mordido, uma lágrima solta de encontro à minha tontura de tanto ter e nada ter! Quero atirar-me contra uma parede e deixar essa marca da fúria a escorrer-me no rosto e no cansaço. Rogar a rouquidão de tamanho fogo que se esvai em cada volta. Tempestadamente criar de novo a ternura e quem sabe poder abraçar. Ou então perder-me no aconchego do tranquilo manto estendido sobre cada verso que te dou. Sem saber que nunca mais o tempo me servirá a paz. Porque morro todos os dias em mim. No acordar fernético dos embalos, dos gritos, dos saltos, dos perturbantes soluços que me pintam a criação. Esta maldita seita que não me larga! Puta de merda!!!!

aTuAaUsÊnCiA

A tua ausência morde-me o tempo e já não sei muito bem contar. Contar os dias que faltam ou contar os passos obrigatórios. Sabes que o me...