26 de setembro de 2016

QuE!

Que do tempo a sua canção em euforia me faça saltar! Que de ti, amor, a saudade me faça cantar. Que do mundo um rasgo de energia me faça sorrir. Que de ti, amor, o desejo me saiba cobrir. Que dos versos, eu continue o meu canto. Que de ti, amor, me emocione cada novo sorriso de espanto. Que da vida, de mim, todo o sentido em comunhão. Que de ti, amor, esta riqueza mágica no coração. Escrever-te-ia sem parar!

5 de setembro de 2016

Só os caminhos revelam a passagem.
Aquela em que os segredos eram vento e maré...
O mar aberto em sabor e viagem,
O amor entre o que foi e o que é.

Só as pedras ficam tatuadas pelo chão,
Pelos versos caídos ao abandono mais que triste...
A dor de ver, de ser, em cada novo poema e canção,
O amor entre o que não há e o que existe.

Só o tempo encontra o seu certo lugar,
Pelos nortes do meu peito perdido...
O meu leito, doce pegada que não sabe esperar,
O amor que se estende, mesmo esquecido.

25 de agosto de 2016

ReGrEsSoAoPoRt0


São os caminhos de sempre. O rio e a luz. Os sorrisos e as vozes da memória. Qual o peso do tempo quando regresso ao Porto? Esqueço-me dos passeios já pisados, das esquinas e do ar. Já não existe o campo de futebol. Agora é verdadeiramente uma estrada depois de ter sido o que nós quiséssemos...  É como um acordar de um sono profundo que é a vida. Quem sabe a minha avó me vem chamar para a mesa ou a mãe leva a roupa à lavandaria. E se o Armando tivesse o campeonato já preparado? As primas grandes estão em casa. E os caminhos são os de sempre. O rio e a luz. Até os novos semáforos e sentidos obrigatórios não conseguiram apagar esse tempo! O Porto é a minha cidade e eu estou longe. Saí de lá demasiadamente cedo. Abdiquei da minha cidade e abdiquei da vida. Gostava de sentir esse reencontro com ela. Podia ser que finalmente encontrasse a paz.

15 de agosto de 2016

v0lTa

Volta. Que o mundo parece ficar mais fraco sem ti. Sem esse sorriso que abraçava a tua voz rouca e sábia. Um dia sei que voltarás.
Volta. Que o meu corpo às vezes cai. Ainda sinto a tua mão a segurar-me, mãe...

14 de julho de 2016

oVeNt0fUgIu

Pobre Pequena Pantera, que estás tão calada...
Sabes, o vento fugiu.
Compreendo.
Sentes o mesmo?
O quê?
Que o vento fugiu.
Sinto.
E então?
Eu não ando calado.
E então?
Então o quê?!!
Sentes que o vento fugiu e não andas calado?
Como tu?
Sim, como eu.
Não.
Porquê?
Porque sou o Pequeno Príncipe.
E andas como?
Ando.

3 de junho de 2016

bRuMa3

O repositório de versos não era mais do que uma espécie de vaso com água gasta e turva. Põe-se lá um ramo fresco e mesmo assim não sobrevive. As flores de plástico enferrujam. Até quando se troca a água o cheiro permanece. O melhor é mesmo abrir a janela?

30 de maio de 2016

bRuMa2

Hoje nada do que dissesse ou fizesse o iria fazer sorrir. Tentou saltar, mas o medo da queda colou-o ao chão. Quis gritar, mas a voz entaramelou-se. Pediu socorro, mas ninguém parou. Até chorou abandonado, mas a cidade não parou. Então, sem saída, resolveu vestir-se.