25 de agosto de 2016

ReGrEsSoAoPoRt0


São os caminhos de sempre. O rio e a luz. Os sorrisos e as vozes da memória. Qual o peso do tempo quando regresso ao Porto? Esqueço-me dos passeios já pisados, das esquinas e do ar. Já não existe o campo de futebol. Agora é verdadeiramente uma estrada depois de ter sido o que nós quiséssemos...  É como um acordar de um sono profundo que é a vida. Quem sabe a minha avó me vem chamar para a mesa ou a mãe leva a roupa à lavandaria. E se o Armando tivesse o campeonato já preparado? As primas grandes estão em casa. E os caminhos são os de sempre. O rio e a luz. Até os novos semáforos e sentidos obrigatórios não conseguiram apagar esse tempo! O Porto é a minha cidade e eu estou longe. Saí de lá demasiadamente cedo. Abdiquei da minha cidade e abdiquei da vida. Gostava de sentir esse reencontro com ela. Podia ser que finalmente encontrasse a paz.

15 de agosto de 2016

v0lTa

Volta. Que o mundo parece ficar mais fraco sem ti. Sem esse sorriso que abraçava a tua voz rouca e sábia. Um dia sei que voltarás.
Volta. Que o meu corpo às vezes cai. Ainda sinto a tua mão a segurar-me, mãe...

14 de julho de 2016

oVeNt0fUgIu

Pobre Pequena Pantera, que estás tão calada...
Sabes, o vento fugiu.
Compreendo.
Sentes o mesmo?
O quê?
Que o vento fugiu.
Sinto.
E então?
Eu não ando calado.
E então?
Então o quê?!!
Sentes que o vento fugiu e não andas calado?
Como tu?
Sim, como eu.
Não.
Porquê?
Porque sou o Pequeno Príncipe.
E andas como?
Ando.

3 de junho de 2016

bRuMa3

O repositório de versos não era mais do que uma espécie de vaso com água gasta e turva. Põe-se lá um ramo fresco e mesmo assim não sobrevive. As flores de plástico enferrujam. Até quando se troca a água o cheiro permanece. O melhor é mesmo abrir a janela?

30 de maio de 2016

bRuMa2

Hoje nada do que dissesse ou fizesse o iria fazer sorrir. Tentou saltar, mas o medo da queda colou-o ao chão. Quis gritar, mas a voz entaramelou-se. Pediu socorro, mas ninguém parou. Até chorou abandonado, mas a cidade não parou. Então, sem saída, resolveu vestir-se.

29 de maio de 2016

bRuMa1

Rodeando o seu próprio copo de cachaça, o Vagabundo nem sequer se permitia à vertigem. Ia esvaziando o tempo. Correndo por entre espaços sem nada e sem história. Já não sentia o cheiro do queijo ou o sabor do vinho ou as gargalhadas do "porra". Apenas o copo de cachaça. Sem cachaça. Ainda a ferver da dor deixada. Ainda brilhante dos tempos de liberdade. O Vagabundo está a morrer.

28 de abril de 2016

nAdAeTuDo

de nada me vale o tempo sem paz
de nada me vale a paz sem sonho
de nada me vale o sonho sem sol
de nada me vale o sol sem sorrir
de nada me vale sorrir sem chão
de nada me vale o chão sem leito
de nada me vale o leito sem amor
de nada me vale o amor sem ti

Em ti, 
o meu amor 
é leito 
e chão 
que me faz sorrir
entre o sol
e o sonho
da paz

AMo-te