21 de setembro de 2018

eRA

Há um mar de palavras na tua dor
Uma eterna dança entre o tanto que há
Mas a mão que embala o lado fresco do amor
Perde-se no turbilhão do que não se fará

Perdem-se em sonhos e passos lentos e perdidos
Perdem-se em histórias e portas que se pintam de rompão
E o tempo passa e morre em leitos já idos
E o sangue enfraquece o bater do coração

Há um armário, uma janela, um sofá
Em versejados cânticos soltos num cais
E a mão embala aquele fantasma que há
Em tudo o que houve e não há mais

11 de setembro de 2018

0lHaRdEbAiLaRiNa

Este olhar é um vestido de bailarina
Abraça-me a alma com ternura
Devolve-me a tua voz doce de menina
Diz-me da flor, da água mais pura

Os teus olhos são sementes de paz
Um prado infinito onde descanso eternamente
O meu corpo que chove ainda traz
Os rios que nas minhas mãos se fazem presente

Minha pele, carne das minhas preces
Fértil e reluzente como um pomar
Tens-me em voo porque nunca me esqueces
Tens-me em canto neste teu olhar

9 de setembro de 2018

qUeRiA

Queria cheirar-te
Em voos livres e intemporais
Ser pele tua por toda a parte
Mesmo quando em beijo te vais

Queria ter-te
Como uma onda longa do mar
E sem aviso te fugir e perder-te
Só para de novo te poder encontrar

Queria este louco vento
No olhar distante que se faz perto
Quando me acaricias o pensamento
E me cobres o corpo incerto

Sou poema de amor hoje em ti
Um pequeno sorriso na engrenagem
Sou céu em voo de colibri
Sou eu, poeta em eterna viagem

7 de setembro de 2018

hÁsEmPrE

Há sempre uma escolha e uma espera
Um qualquer serpentear no pensamento
Quem sabe a vertigem repentina
Um balancear de trôpega menina
Que dança na lua e acorda no vento

Há sempre um passo que fica por dar
Nas praças onde a música se faz
Quem sabe uma emoção aprisionada
Um desejo à solta na esplanada
Onde o templo é presença, ausência e paz

Há sempre um voo de olhos vigilantes
Que a poesia encerra como quem se aninha
Quem sabe uma embriagada fonte
Desaguando de um lado e do outro da ponte
De uma paixão que um dia quis minha

6 de setembro de 2018

pArIsSeMpRe

Pedaço de tempo vagabundeando 
Nos meus olhos abertos sobre as ruas e as pessoas
Canções que enchem a noite e que entoas
Nos jardins todos que vamos sonhando
Nem fado nem acordeão
Sobre o rio ou a grande torre
Nada se detém e muito menos morre
Quando os passos vêm do coração
E os crepes sobre a minha boca
Ou o nevoeiro das pinturas
Levam-me ao infinito e às fontes mais puras
Onde cada água me sabe sempre a pouca
Paris, meu berço que teimas em presentes acordados
Que cheiras ao mundo inteiro e mais
E em cada ponte ou em cada cais
Serpenteias histórias ao ritmo dos cadeados
Voltarei para ficar
Para que o meu canto se pinte pelas praças 
Para que o meu grito te cante quando passas
Que vivo numa pele que teima em se queimar
E perdido, quem sabe, num encontro quente e singelo
Serei feliz nos silêncios de todos dias
Que numa tela de cores, danças e folias
Se faz Paris, meu eterno e umbilical castelo!

https://www.youtube.com/watch?v=yb5pCyZFrbg

4 de setembro de 2018

aBrAçA-mE

Oferece-me flores coloridas e canções cheios de sonhos. Abraça-me. Faz-te mar que eu sou um rio em tempestade... Em regaço de estuário quente. Em cama de lençóis lavados e bem esticados. Oferece-me os teus olhos no meu tremer. Abraça-me. Recebe cada grito do meu silêncio e finta o destino. Transforma as lágrimas em sorrisos e as saudades em gargalhadas. Empurra-me de encontro aos mais belos versos. Oferece-me uma porta que se abra ao paraíso onde possa dormir e dançar. Não penses mais. Acorda! Faz qualquer coisa!

eTeRnIdAdE

Salta sobre as flores e sorri
Afinal, bailarina,
Estás aqui e nem sempre os rios refletem o teu sorriso
Por isso, no mais fundo e cruel momento preciso
Choro-te e amparo-te como se o mar todo me fosse canto
Como se viver em dor e pranto
Pudesse, qual poço cheio de vitalidade,
Lavar-te em mim para toda a eternidade
Salta sobre as flores e sorri,
Afinal, bailarina,
És o meu mestre de simples e serenos abraços
Sempre no vigilante grito de desespero e cansacos
Há uma ternura tão grande que se tatua nas mãos
Altos castelos em orgulhos cavaleiros dos teus irmãos
Que me cobrem de vida, de viagens e da mágica vontade
De larvar-te em mim para toda a eternidade

Salta sobre as flores e sorri,
Afinal, bailarina,
A minha pele cola-se ao vento e às memórias
Que me transportam nas asas das tuas histórias
Nos rabiscos dos teus sonhos penetrantes
Onde bebo a sede, como sempre como dantes
Sem me perder, nem em ruína nem em vaidade
Só te quero lavar em mim para toda a eternidade

3 de setembro de 2018

dEsEsPeRo

Traz-me o mar
Deixa-o um pouquinho nas minhas mãos
Enrolando a minha pele na sua frescura
Percorrendo os meus lábios em alga brilhante
Banhando os suspiros da minha ânsia
Na eternidade desse instante
Traz-me o mar
Dança na minha memória como peixe livre
Sossega-me as tempestades
(Não sou areal)
Grita-me os cansaços na corrente da minha respiração
Na eternidade de uma canção
Traz-me o mar, Margarida,
De repente,
Talvez lá te encontre para me receber
De cada vez que te choro
De cada vez que te espero
Morro de repente por tanto te ter!

f0g0

Não
me mostrem mais as cinzas com que a história se refaz. Deixo que cada lágrima me limpe de todo o sofrimento e se invente em rios limpos de ternura e forma É preciso reconstruir as fontes e abraçar as margens. É importante pintar, cantar, amar, falar, gritar, ousar... ir em direção ao mar e dizer: Estou aqui e posso abraçar-te.

Para os brasileiros e para todos aqueles que de repente se lembraram que eles são gente.

2 de setembro de 2018

aCoRdArEmTi

O silêncio do meu leito
Carrega uma ausência tua
Um sonho forte e perfeito
Onde a tua pele me lambe nua
Sou um rio de reflexo em ti
Uma corrente de água fresca e pura
E tu, doce e eterno colibri,
Voas em mim asas de fome e ternura
Acorda esta vida na minha mão
Canta os pedaços de tudo o que se deu
Para que me descanse no embalo do coração
Que desliza na dança do amor teu

31 de agosto de 2018

sEnTiDo

Haverá mais caminhos no meu passar
Labirintos de encontro a mim
Desaguando no mar
Fontes de silêncios sem fim
Encostados ao meu cantar
Rios nos meus olhos de cetim
Quando o sentido é tudo o que se quer procurar

Haverá o teu nome gravado no meu peito
Colibri que voa secreto e atento
Pelas margens fecundas do meu leito
Pelo ventre florido de cada momento
Que se vive na solidão de um sonho perfeito
Rios na minha pele e um novo alento
Quando o sentido é a pele que se tem a seu jeito

Haverá o encontro, a falésia sobre o sonho já quente
Nos céus de espelhos e loucuras
Estradas de gritos e beijos e gente
Pousios de fomes e abraços e ternuras
Como um poema mais que se diz e se sente
Repetidamente por entre as vestes mais puras
Rios de ser de querer de sorver o presente
Quando o sentido se perde nas lembranças tuas

eRA

Há um mar de palavras na tua dor Uma eterna dança entre o tanto que há Mas a mão que embala o lado fresco do amor Perde-se no turbilhão d...