15 de março de 2017

oCoLiBrI

Rasante como um sonho
Dança o colibri dentro do ninho
Passa pelos sorrisos como quem se distrai
Nem percebe que o chamam de mansinho.
É o leão, poderoso, na manha habitual
No voraz desejo de superioridade
Nada inocente. Um leão 
Sabe sempre o sabor da sua idade!
Então o bicharoco passa voando
Entra na selva sonhando
Fica-se pela vontade de brincar.
Já se queixa, claro, hoje em dia
De tamanha teimosia
Que o fez morrer sem se matar.

Somos nós, os amantes?
Na peugada feroz dos tempos quem passam
A querer estar sempre presentes
Em todos os tempos que se adiantam?

14 de março de 2017

TaLvEz

Há uma estrada perto de mim
Que me leva para o infinito.
Não saio do lugar,
Não me mexo.
Talvez chore.
Há um grito.

Há uma paisagem por descobrir
Nos corações amigos.
Nem sempre estou cá,
Ou estou.
Talvez fique.
No meu passo de fugir.

Há um verso nos silêncios teus
Nas vontades todas
Os montes sussurram demais,
Os ventos existem.
Talvez o mundo
Nos braços meus.

1 de março de 2017

ReCuSa

Deixaste-me o teu silêncio e eu fiquei
Andaste pelas danças do teu passar e eu vi
E quando o mar voltar,
Será que conseguirei
Encontrar todas as conchas que nele perdi?

Deixaste-me o teu silêncio e eu gritei
Quiseste tanto aquela paisagem tua e eu senti
E quando os rios se limparem,
Será que ainda terão tudo o que lhes dei?
Será que nesse tempo já fugi?

Deixaste-me o teu silêncio e eu parei
Atentaste o meu calor que quase não senti
E quando o tempo for embora
Será que ficou o passado e me lembrarei
Do tanto que cresci entre o tanto que fui em ti?

Nada ficará senão a história total e mais alguma
Nada entrará pelo futuro adentro. Nem uma
Honra de te ter amado tanto. Só a
Magia dos momentos de espanto. E os
Gritos mudos de levantar montanhas. Toadas
Despejadas pelas dores tamanhas. Fortes
Arrepios, sonhos e loucuras
Que de mim só sei assim ser
Mesmo ao morrer.
Porque depois,
Ao renascer
Com o condão de um inseguro talvez
Recomeça tudo outra vez.

26 de janeiro de 2017

hEnRiQuE

Que a vida se fez e se faz
Em sementes de amor e respiração
E eis, que o príncipe rapaz
Está seguro, forte e alegre no seu chão

Destes todos e destes tantos
Venham assim em meu olhar
Que em jardins de mares e espantos
Sejas da terra um eterno estar

Meu filho, grande e do tempo de mim
Sorriso aberto na história toda por fazer
E a vida que se fez, se faz e não tem fim
Há(s)-de ser sempre o meu amanhecer!

24 de janeiro de 2017

DiZeS-mE

Dizes-me que as noites em frente ao mar são regadas a vinho tinto. E que as mulheres cantam este bater na palma da sua mão. Dizes-me que cada volta nossa é bem mais que um abraço irmão. Dizes-me que queres sempre aquele canto louco entre a alma, o fogo e o coração. Dizes-me que todos os dias os rios correm para a foz mesmo que não. Dizes-me que sou o teu braço, o teu olhar e até o teu chão. Dizes-me o amor, o ser, o tudo que se diz e nunca isso é em vão. E porque me dizes tanto, em silêncio ou canção, és meu, irmão.

20 de janeiro de 2017

n0iTe

É de noite que tudo acontece.
É de noite que sou dono de tudo.
É de noite,
Alma que na minha vida tece
O meu grito canto, o meu grito mudo.

É de noite que sou o tal vadio
É de noite, em tempestades de ser
É de noite,
Alma que me traz calor e frio
De aconchego quente que nem chega a adormecer...

É de noite que me lembro de ti.
É de noite que sou poeta e vagabundo.
É de noite,
Alma de nunca estar aqui
Porque procuro sempre o meu lugar no mundo.


Para o meu amigo André, que reclamou o meu poema.

18 de janeiro de 2017

iNsPiRaÇã0

De noite, na madrugada de mim
Perto do mar, do infindável mar
Encontro um tesouro seguro:
A vontade de te ter e amar
Em leito corrente e puro
Onde me possa desaguar.

De noite, na madrugada de mim
Junto ao peito ardente
Volto-me de novo em canto meu:
Quero-te, minha doce pele quente
Que um dia me teve e prendeu
Fazendo de todo o tempo o presente!