Fosse o verso um silêncio Um pequeno manto apenas E talvez os meus gritos fossem passos... Fosse a noite um leito Um segredo perdido e vagabundo E talvez adormecesse nos meus cansaços... Fosse a faca em sangue Uma fonte de mim poeta à solta E talvez cantasse a tua solidão... Fosse o amor urgente Um labirinto ou um precipício E talvez voltasse de novo ao meu coração...
10 de Novembro de 2009
fOsSe
Fosse o verso um silêncio Um pequeno manto apenas E talvez os meus gritos fossem passos... Fosse a noite um leito Um segredo perdido e vagabundo E talvez adormecesse nos meus cansaços... Fosse a faca em sangue Uma fonte de mim poeta à solta E talvez cantasse a tua solidão... Fosse o amor urgente Um labirinto ou um precipício E talvez voltasse de novo ao meu coração...
8 de Novembro de 2009
0tEuLuGaR
O teu lugar é em mim
Como se fosse terra fértil e eterna.
O teu lugar é no mar
Como se fosse um manto.
O teu lugar é o amor
Como se vivesses.
O teu lugar é no monte
Como se fosse uma fotografia.
O teu lugar é na minha voz
Como se fosse um grito.
O teu lugar é na lágrima
Como se fosses rio.
O teu lugar é no ventre
Porque és fecundação.
O teu lugar é o mundo, mãe...
Porque bem lá no fundo
Como se fosse uma fonte
Jorras no meu coração!
6 de Novembro de 2009
VeRtIgEmFeItAtEmPo
Monte a monte o voo da andorinha rasgou-lhe o coração. Era Outono mas estava tanto calor que o ar fresco parecia cortar. Como um punhal. Seguiu o seu caminho endiabrada e serena, na inquietação do olhar vagabundo e da pele feita seda. O seu corpo era um manto ou um jardim. Deixou-se levar sem receio. Sabia que a chegada não seria uma nova partida. Monte a monte, na solidão dos silêncios. Nas memórias perdidas das rugas. Nos passos firmes da autenticidade. Cada casa um lar de amor e crianças. Cada janela uma saudade. Cada canto uma tela aberta aos céus. Divinos leitos de perfume e reflexos onde todos eram poetas. Ou amantes. Que o desejo das andorinhas é sempre este voo que se (re)faz como quem respira. É sempre a aterragem de quem chega a um lugar desconhecido que afinal é o seu. Monte a monte. No ritual da vertigem feita tempo...
3 de Novembro de 2009
s0uSeMpReMeNiNo

Deixa-me voar mais um pouco no vento
Falésias de saudades entre mim e o infinito
Memórias entrelaçadas no sangue ainda aflito
Chama feita em nós entre o olhar e o pensamento
.
Deixa-me dizer-te "Bom dia" outra vez
Sentir o sorriso perdido à minha procura
Cantar o amor, a fuga, quem sabe a loucura
Chama feita em nós entre o sim e o talvez
.
Deixa-me esperar-te num outro dia de novo
Aquecer nos versos o grito fervente
Ser tudo e nada, neste rio corrente
Que em lágrimas de distância tremo e chovo
.
Deixa-me dizer-te um segredo assim pequenino:
Sou um vagabundo que se solta devagar
Mesmo em inquietação ao rebentar
Nunca me transformo. Sou sempre menino!
1 de Novembro de 2009
ApErGuNtA
"Como se guarda um beijo para sempre?", perguntou a Bela Amante ao Sábio.
"Oh... se eu soubesse...", respondeu ele, que nunca tivera tempo para amar.
"Como se guarda um beijo para sempre?", perguntou a Bela Amante ao Coveiro.
"Oh... se eu soubesse... A vida fez-me esquecer tudo. Só lido com a morte...", respondeu ele, que deixou de saber o que era o tempo.
"Como se guarda um beijo para sempre?", perguntou a Bela Amante ao Músico.
"Canto, porque o amor apetece...", respondeu ele, cantando, a tempo, no meio do seu rendilhar de notas de amor que pintavam a sua solidão.
"Como se guarda um beijo para sempre?", perguntou a Bela Amante ao Menino.
"Guardando!", respondeu ele, já que tinha tempo para tudo e tudo era simples e possível.
"Como se guarda um beijo para sempre?", perguntou a Bela Amante à Mãe.
"No colo.", respondeu ela, cheia de tempo e abraços.
"Como se guarda um beijo para sempre?", perguntou a Bela Amante ao Poeta.
"No silêncio de ti. Dentro de ti. Nos gritos de ti. Fora de ti.", respondeu ele, tão cansado que se sentia do tempo.
"Como se guarda um beijo para sempre?", perguntou a Bela Amante ao Vento.
"Na minha pele.", respondeu ele, acariciando de novo a sua saudade.
E foi aí que ela percebeu outra vez a sua história... e do tempo se ressuscitou num sorriso eterno.
O Sábio,
O Coveiro,
O Músico,
O Menino
e
a Mãe fizeram-se à estrada.
.
.
.
E o Poeta?
"Quem?"
"O Poeta!"
"Não conheço..."
"Não conheces?!! Acabaste de lhe perguntar como se guarda um beijo para sempre!"
"Eu?!!!! Que disparate de pergunta..."
30 de Outubro de 2009
dEnTr0dEmIm
Os meus olhos perdem-se na escuridão. Dentro de mim.
Nada acontece. Dentro de mim.
Conto as horas e o tempo eterniza-se. Dentro de mim.
Corro atrás de não sei o quê. Dentro de mim.
O silêncio é um grito que ecoa. Dentro de mim.
O mapa da história e sangue da memória. Dentro de mim.
Cada verso repete-se e sufoca-se. Dentro de mim.
Multidões e vazios dançam. Dentro de mim.
A morte. Sempre a morte. Dentro de mim.
Que o desejo é pele. Dentro de mim.
O abraço mais que tudo. Dentro de mim.
Nada acontece. Dentro de mim.
Como se tudo parasse demasiado. Dentro de mim.
Ou o ritmo dos bombos um coração aflito. Dentro de mim.
Um cheiro. Um toque. Um olhar perdido. Dentro de mim.
Olhas-me sempre assim? Dentro de mim.
Na exactidão mais exacta de mim. Dentro de mim...
27 de Outubro de 2009
eStAmInHaSeDe
A minha sede soltou-se em grito
Um rasgão no peito,
Um infinito...
Doce abraço mais-que-perfeito
Quem sabe um meteorito
Que se lança assim à terra
Só para temperar esta guerra
De desejo aflito
E que depois adormece
Como uma onda que em nós se tece...
.
Esta minha sede é um trovão
Cravado na saudade.
Um vento forte, um arpão
Que nos une em tempestade.
Um raio de sol, um trovão
No feitiço da imensidade.
.
Esta minha sede...
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