20 de junho de 2017

PoDeSeR

Pode ser que os dias sejam apenas ilusões
Pode ser que cada sonho se limite ao sumo das canções
Pode ser que um poema consiga abrir o mar
Pode ser que cada segundo seja magia no amar...


Pode ser que a vida tenha paz
Em tudo o que faço e sou capaz
Pode ser que grite um sussurro em ti
Só para te dizer que estou aqui...


Pode ser que a alma se distraia demais
Pode ser que a partida se faça ao sabor do cais
Pode ser que o meu corpo não aguente
Pode ser que o passado ainda se veja lá à frente...


Pode ser tudo, pode ser nada
Cada mistério, uma nova estrada
O suor da ternura abençoada
Que se faz ao mundo, que se faz à estrada...
Pode ser..

13 de junho de 2017

qUe

Que o tempo me devolva a mim. Poeta do amor e sorriso aberto. Que os dias me procurem assim, para não me perder, em abismo certo. Que o sangue me corra outra vez. No abraço da madrugada. Que os dias me cantem, talvez, no fugitivo correr da morte anunciada. Que o meu corpo grite, alcance a loucura sã! De te querer na pele, ao leme desta viagem. Que os dias se inventem em cada manhã, para se nascerem à noite, sempre em rio e margem. Que cada palavra seja um beijo mais. Dos que são cheiros, em jardim e flor. Que os dias deixem de ser tão iguais, só porque somos nós, unidos em ternura e amor!

8 de junho de 2017

ArTuRsAnToS

Eu tenho um amigo que é poeta.
Os seus versos como respiração
Saem-lhe como beijos
Entrelaçados nos ritmos do seu grande coração.

Eu tenho um amigo que é poeta.
Seus abraços são dádivas a sorrir
Entre os sonhos e as loucuras
Com que me emociona sem pedir.

Eu tenho um amigo que é poeta.
O seu nome, furacão de afeto e estar
Artur entre nós sempre em nós
Artur entre nós sempre a dar.

O meu amigo poeta faz hoje anos.
Mais um dia de feliz querer
Por isso o meu peito canta!
Toda a ternura do seu ser.

Parabéns, meu amigo poeta que diz!



25 de maio

5 de junho de 2017

qUe

Que desta viagem de sonhar
Restará um calo, ainda dorido
Uma revolta, um amor ferido
Uma onda à deriva longe do mar...

Que desta viagem de querer
O meu peito ainda te chama
É o fogo que diz o quanto te ama
É a lágrima que te chora em te perder...

Que desta viagem de palavras e vontades
Trago pesado o fardo do engano
Cubro cada vertigem deste dano
Com que o tempo pintou as verdades...

Que desta viagem do nada
Fica-me o vazio de tanta história atrás
Quem sabe um dia, semeadura de paz
Quem sabe outrora, uma nuvem enclausurada...

Que desta viagem agora
Neste preciso momento de grito alerta
Nesta curva e raiva da minha pele aberta
Me deixo ficar. Para me ir embora...

1 de junho de 2017

sEmTíTuLoCoMd0r

Hoje ele disse-lhe mais uma vez: "Meu, amor, eu não ando bem." E ela disse: "Não te preocupes, eu estou aqui. Sou a tua companheira." Nessa mesma noite ele ficou novamente a olhar as paredes da sala e ela no computador, com certeza a cuidar de uma casa qualquer comum.

PaLaVrAsEpAlAvRaSePaLaVrAs...

Do amor ou da solidão
Da ternura,
Da saudade,
Em correntes de dor e emoção,
Entre o sangue que teima e perdura,
Às voltas no peito que já se perde na idade,
Existem as silenciosas fontes castas.

As castas águas de um rio que corre,
As castas tempestades de uma paixão que não morre,
As castas lágrimas de quem não sacia,
As castas noites que se anunciam ao dia...

As palavras, gastas ou não,
Vertem sempre do coração
Quando ditas assim:
Num poema gritado
Num gesto lembrado
Numa solta amarra sem fim.

Dá-me essas palavras loucas e sãs
Esses rugidos em tremuras nas manhãs
O teu abraço presente e forte.
Dá-me esses sonhos todos teus
Essas vontades que nos insossegos meus
Me deixam sorrisos, vida e morte.

23 de maio de 2017

DeHoJeDeSeMpRe

Esta flor que nasce no vento
Este sorriso que trago em mim
Sabe-me melhor no momento
Em que me acordas assim
Este mar que se abre (às vezes com medo)
Este sopro de grande saudade
Sabe-me ao ínfimo e sentido segredo
Em que devolves a verdade

A verdade de ser cheiro
A verdade de ser rio
De ser eu em corpo inteiro
De ser corpo, calor e frio

A verdade de te querer
A verdade entre nós e na mão
De inventar o tempo só para te saber
De te saber entre o choro e o coração
Amo-te muito e sou desta maneira eu
Entre o que escrevo e a magia do leito
Entre o que sonho e ainda não aconteceu
Entre o que pergunto a cada passo refeito

19 de maio de 2017

ViDa

Devolve-me a pequena migalha, o pardal.
Deseja o caminho em passo sereno...
Tanto saber naquele grande animal
Que apesar de tudo, é demasiado pequeno.

Arranha-me os sonhos, a serpente.
Aquece cada pedaço de mim...
Tanta ousadia em tão profundo vaguear presente
Que se dá ao futuro como um lençol sem fim.

Floresce apenas, a flor na mariposa.
Concebe o ventre materno e parte...
Tanta vida tão longa em verso, canção e prosa!
Tanto amor e dor, em arriscada ânsia de arte!

16 de maio de 2017

nArRaÇõEsImEnSaS

A vida perde-se em narrações imensas
O rumo de cada passo às vezes é incerto
O meu lugar estende-se nas praias das noites tensas
Onde cada fuga me devolve a mim, demasiadamente perto

O suor dos tropeções
As memórias e mentiras
As vozes 
As iras
Os fogosos corações
As pontes e os desejos
Os silêncios entre beijos
Os poemas arredondados
Os sonhos tão pesados
Já em mim entre crenças...

De vida perdida em narrações imensas.

13 de maio de 2017

vEnToSdEgUeRrA

Aqui, no sabor deste andar vazio
Encontro um nada que me segreda sonhos
Inquietante e cruel
Arrepiante e sagaz
Este nada não me dá paz...

Assim, nos silêncios do tempo longo
No meio das cores e magias de sempre
Ousado e penetrante
Calado em gritos loucos
Tudo em mim se encerra:
Esta paz em ventos de guerra!

11 de maio de 2017

rEtNçÃo

O vagabundo sabia que um dia haveria de voltar e que o regresso seria penoso. E feliz. Abriu a porta da casa e reteve os cheiros de sempre. Encontrou as janelas abertas e as camas por fazer. Estavam todos lá. Procurou que os silêncios lhe devolvessem as canções de amor. Quis que o tempo dançasse de novo pelos sonhos muitos. Eternamente, chorou. E regressou à solidão.

PoDeSeR

Pode ser que os dias sejam apenas ilusões Pode ser que cada sonho se limite ao sumo das canções Pode ser que um poema consiga abrir o mar Po...