29 de fevereiro de 2012

eNtReGa

Que um sopro apenas te traga a luz
Que o entardecer te cante uma ternura em paz
Sê o meu jardim que me agarra e seduz
Na entrega que só a tua mão é capaz

Que os sons do rio te abracem bem
Que a noite seja manto, alma e te leve atrás
Sê a minha história que me consome também
Na entrega que só a tua mão é capaz

A tua mão
Fonte de correr em beijos mil
Leito de sonhos primaveril
Na flor que nasce na tua canção

Que uma lágrima te banhe o sorriso lindo
Que grite na corrente onde quer que vás
Sê este sangue quente luzindo e pedindo
Na entrega que só a tua mão é capaz

Que tudo e tanto em vento forte seja eu
Que corra no abraço que a saudade me traz
Sê o tronco deste amor que faço meu
Na entrega que só a tua mão é capaz

A tua mão
Fonte de um nascer em novo Abril
Leito de sonhos primaveril
Na flor que nasce na tua canção

28 de fevereiro de 2012

oMeUtAmAnHo

Do alto do meu sonho canto este regaço
Feito de ti, onde a vida me contém
Pinto a alegria de outra vez te chamar, mãe
No infinito do que invento e faço

Do alto da minha saudade grito o amor
Tricotado de nós e sorrisos e tanto
No meu peito, esse cheiro eterno do teu manto
No meu sangue, o reflexo da tua voz e do teu calor

Do alto do meu lugar sei de tudo o que tenho
Desejo de alcançar a pele de renascer
Para sempre, como sempre tem de ser
Porque tudo sou eu e tem mais que o meu tamanho

27 de fevereiro de 2012

p0eMaDeMeNtE

Se um dia perder a madrugada
Na procura da noite silenciosamente
Talvez morra um pouco da minha estrada
Que se construiu no futuro do presente
Talvez entregue a vida ao poema demente
Só para acreditar que do tudo não resta nada...

Se um dia calar o meu grito de assim amar
Na inquietação onde florescem telas e cores
Talvez adormeça a mordaça do meu caminhar
Asfixiado em alegrias e odores
Talvez acorrente sonhos e horrores
Só para finalmente saber acordar...
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.
.
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21 de fevereiro de 2012

n0mAr

Há o silêncio do mar
Nos gritos da inquietação
Tempestades de memórias a passar
Carregando no peito o seu navegar
Cais onde desemboca o coração...

Há o tom do mar
No perfume da tua mão
Sabores de um rio que corre sem parar
Fonte de liberdade a querer desaguar
Recanto vagabundo da solidão...

Há toque do mar
Nos versos doces de uma canção
Feita de sonhos, jardim de uma terra a sonhar
Que luta, que ama, que se levanta a marchar
No jeito simples de quem nos pede perdão...

Há o infinito na luz do mar
Um vazio de tamanha perfeição
Rocha cravada no corpo a sangrar
Falésia da alma no medo de ficar
Calor que nos treme em cada imensidão...

17 de fevereiro de 2012

aSoLiDã0n0jArDiMd0sAmAnTeS

Serei da minha história uma pegada apenas plantada no jardim dos amantes.
O meu passo trava-se nos sentidos das inquietações vagabundeantes.
O céu tornará a verter lágrimas de canções e vozes soltas ao vento
Quando se contarem os pedaços que ficarem na praia de cada momento
Que o meu peito inventou na morte anunciada da noite cruel da vertigem?
- Ai, a minha pele embala o seu sonho demasiadamente frio, demasiadamente virgem!
Calo depois o sangue que escorri das pétalas abandonadas a germinar
Como se me fizesse de vez ao manto materno do mar
Para ir,
Para ficar,
Partir...
Voltar...
Cair.
Levantar.
Fugir?
Encostar?
Existe uma solidão que me brilha nos dedos fumegantes...
Nos labirintos que turvam as tempestades do jardim dos amantes.

15 de fevereiro de 2012

SoLt0

Solto a voz ao tempo que não tenho
Quero esquecer cada pedaço do desespero
Sentir o meu peso e o meu tamanho
O sabor eterno do amor no seu tempero

Solto esta voz para de novo te encontrar
Seja nos silêncios de mim ou nos gritos vagabundos
O meu leito é muito mais que um mar
No meu peito cabem muito mais que todos os mundos

Arraso a inquietação das flores bailantes
Sei que um dia haverá um calor de paz
Nos momentos soltos e cintilantes
Com que tudo se inventa e tudo se refaz!

14 de fevereiro de 2012

tRaNqUiLo

Tranquilo segue o rumo desta viagem
Horizonte de um mel colorido que sorri
Embrião que se refaz sempre em ti
Manta que recebe a voz da nossa passagem

E grita canções de amor e de alegria!
Abre as mãos em abraços de mais um dia!
Largo cais onde gravita a poesia!
Onde tudo existe em tudo na procura de nós.
E funde-se nas memórias que pintam o futuro!
Rio de flores de um céu mais que puro!
Ventre fecundo de um caminhar bom e seguro!
Onde tudo é ser isto: eternamente foz.

Tranquilo o marinheiro no ventre da sua amada
Construção das almas ao sol que nasce aberto assim
Por isso, os sons que de dentro acordam a madrugada
São os batimentos deste coração que me devolveste a mim

DaPaLaVrAm0rTe

Da palavra morte sobra-me a lágrima.
Corre vagabunda no meu olhar
Sem nunca se fazer desaguar...

Da palavra morte sobra-me a dor.
Explode-me forte no peito
E o caminho torna-se mais estreito...

Da palavra morte sobra-me a memória.
Sorri no grito que dou mesmo em solidão
Para se fundir em todos os versos da minha canção...

Da palavra morte sobra-me a tristeza.
Invade bruta em ternura infinita cada segundo
Com que respiro quando regresso ao mundo...

Da palavra morte sobra-me a vida.
Que de tudo o que foi tudo será
Porque verdadeiramente "morte" não há...


Dedico este poema a uma senhora que conheci durante escassos minutos, mas que na força da voz e do olhar me soube ensinar muito mais do que eu já sabia...

11 de fevereiro de 2012

aCoRdArEnÃoEnCoNtRaR

Não encontrei o madrugar quando o sol se abriu em nós. Procurei no teu sorriso e foi a solidão. Regressei ao meu tempo e chorei. Tempestades de inquietação que os dias cobriram. Gritos e saltos e gargalhadas à deriva. Desejei adormecer de novo e simplesmente ficar. Ser o pássaro livre no seu destino de existir. Porque é que me sabem tão mal os abraços adiados? Porque é que tenho este fogo cá dentro que não renega sonho nenhum? Porque é que, simplesmente, não me deixo viver, assim como um rio solto que, nas ternuras que vai tecendo ao correr, desagua sempre na sua foz? E tudo porque não encontrei o madrugar quando o sol se abriu em nós...

10 de fevereiro de 2012

v0u

Vou inventar mais um jardim.

Para te cobrir de aromas e cores
Para te devolver o silêncio das flores
E quem sabe, qual rio, desaguares de novo em mim...

Vou pintar uma falésia forte.
Para que as ondas te cubram e te aqueçam
Para que nunca mais de ti desapareçam
Os silêncios que te gritam outra vez a morte...

Vou agarrar o tempo da vida.
Para que sorrias e dances sem parar
Para que cantes e queiras sempre cantar
Esse silêncio que do peito te põe despida...


Vou ser vento, leito, maré e foz
Para que tudo tenha o teu sabor a paixão
Para que nesse abraço eterno à inquietação
Saibas que o silêncio é liberdade em nós!

3 de fevereiro de 2012

sEmTíTuLo

Brota o segundo do olhar
Junto ao lago triste de um canto
Nada fica, por enquanto
Tudo são tempestades e mar
Quando se aparta o sangue no manto
Que aquece esse doce caminhar...

Ferve terno o passado
No tempo que ainda não vem
Serve-se o choro reluzente e magoado
Da morte que do filho tirou a mãe
E nada volta a estar sossegado
No tudo que um dia ainda tem...

Sobra a flor no sonho que arde
Fervente nos braços de um qualquer amante
No vento que se perde mesmo sendo tarde
Nos passos pesados e cansados do caminhante
No medo corajoso e covarde
Dos silêncios que se gritam adiante...



UmDiA

Um dia fujo do mundo Solto o corpo na maré ou no vento E choro. Um dia, talvez amanhã, Acorde de novo sem saber Se o tempo está feito o...