27 de abril de 2011

oMeUtEmPo

O meu tempo é um lago onde não tenho lugar

Mergulho na inquietação

Inundo o meu coração

E nunca chego a chegar...


O meu tempo é um arco-íris por sorrir

Nos silêncios que grito e não

Nas memórias que me fogem em vão

E nunca consigo conseguir...


O meu tempo é um punho que vai pedindo

Um vagabundo no amor e na paixão

Uma voz rouca à toa num porão

E nunca vou porque indo...


O meu tempo é um poema por fazer

Algo ainda em forma de embrião

Um parto que chega a cada estação

E nunca a palavra se pode escrever...


O meu tempo é cada um desses olhares

Que me vigiam os sonhos e a canção

Que me segredam o meu nome em contramão

E nunca sei dos meus lugares...


O meu tempo é o que ainda nem sei

Talvez um poço frágil como o algodão

Talvez um vazio de tamanha lentidão

E nunca sei, nunca sei...

25 de abril de 2011

sEmPrE




Neste chão que piso

Corrente forte da liberdade
Agarremos a fome do que é preciso
As vozes da luta. A verdade!
Cantemos as armas e a força da gente
Do pão saber a nada e o cravo andar sem cheiro...
Neste chão que piso eternamente
Caminho contigo, camarada, amigo guerreiro!
Que país somos nós que apaga memórias e suores?
Que se levanta de olhos fechados, calado e sem esperança?
Que vira as costas aos seus poetas, aos seus cantores,
Que não sabe o valor de um abraço de criança?

Não quero esta liberdade, que fala de cor, sem cor.
Quero pegar na espingarda, por-lhe um cravo e chorar
De alegria e comunhão novos tempos, um novo acordar primaveril!
Não quero estas sombras, que matam as fontes do amor.
Quero erguer o punho ao sol, à palavra... e de novo cantar
De raiva, de silêncios, os mortos, os vivos. ABRIL!

23 de abril de 2011

p0eMa


Solta no ventre das flores, a palavra faz-se poema. Em cores e cheiros de tanto. Por isso às vezes o silêncio é tão precioso...

22 de abril de 2011

PeLaStUaSáGuAs


É pelas tuas águas que o meu coração se arrasta. Deixa-se ir na corrente a abraçar as margens do caminho. O meu coração é o meu ninho. Sofre, mas não se gasta...
É pelas tuas águas que levo a saudade a todos os cantos do mundo. Mergulho-a junto às flores do leito de tanto amar. E tu, meu amor de sempre, beijas-me vagabundo e acompanhas-me até ao mar...
É pelas tuas águas que me prendo e me suspiro sem demora. A minha voz rouca e cansada não se cala e canta. Por isso, adormeço na paz de nunca de ti me ir embora. Porque és o meu sangue, a minha alma, a minha manta...
É pelas tuas águas que os dias se tornam eternos sorrisos de felicidade. Os nossos passos, da fonte até à foz, num bailado de amor. Carrego todas as cores da nossa eternidade, neste meu jeito de ser poeta e cantor!

20 de abril de 2011

oPoEtA

Pudesse eu ser uma cor e pintava uma onda. Daquelas que cobrem o areal ao amanhecer e ficam marcadas para sempre. Pudesse eu ser o cantar de uma andorinha e assobiava em todas as janelas. Para que ao acordar os sorrisos se deixassem abraçar por outros sorrisos. Pudesse eu ser água fresca e seria rio, claro. Das margens e das correntes; só para que os campos nunca secassem. Pudesse eu ser uma palavra e talvez fosse o vazio. Assim, de cada vez que me lembrar, escrevo um novo poema!

15 de abril de 2011

n0

Nas tuas águas uma vida. Um sussurro de nós.
Nas tuas águas, um caminho para a foz.

Na tua corrente uma inquietação. Um beijo mais.
Na tua corrente é que te vais.

No teu reflexo a saudade. A pele ainda quente.
No teu reflexo, sempre ausente.

Na tua história o tempo. A certeza de um passo.
Na tua história, a cor de um abraço.

Na tua cor o mundo inteiro. As vozes que se fazem luta.
Na tua cor, o coração que se escuta.

Na tua margem o olhar. Flores que nascem para mim.
Na tua margem, que me abraça assim.

No teu leito o amor. Os segredos amantes do quarto.
No teu leito é que parto.

No teu silêncio os gritos. Molham-se os pés de mansinho.
No teu silêncio, mantos de carinho.

No teu nome a eternidade. E fico neste voo de mão dada.
No teu nome, a minha estrada!

13 de abril de 2011

oQuEfIc0u


O que ficou depois de tanto Entre os loucos caminhos e o espanto O que ficou se tanto ficou? Um sonho que se sonhou Um pesadelo que não passou Um amor que se amou E talvez a morte que se matou Isso foi o que ficou no meu pranto Depois de tanto... . O que ficou dentro assim Entre as sementes do meu jardim O que ficou se dentro ficou? Um rio que nunca desaguou Uma maré que se enganou Um beijo que não passou Um sémen perdido que se solidificou Isso foi o que ficou em mim Dentro assim... . O que ficou na pele e na memória Entre os secretos labirintos de cada história O que ficou se na pele ficou? Uma canção que nunca mais se cantou Um copo de vinho que azedou Um vazio que nunca esvaziou Corrente infinita que me acorrentou Ficou. Nem derrota nem vitória Na pele e na memória...

mAnTo

Há um lugar secreto no meu peito
Onde tudo acontece
Um jardim onde nunca amanhece
Um poema que apetece
Qualquer saudade que falece
E eu... sou o manto onde me deito.

Há um beijo perdido em mim
Que me chama a toda a hora
Uma dor que não vai embora
Uma inquietação que se demora
Como quem faz amor pela noite fora
E eu... sou o manto que não tem fim.

Há uma memória que dorme na minha voz
A canção que os silêncios pintaram
Os rios que na minha pele se deixaram
Chagas que arderam e nunca se cansaram
Verbos a mais que não pararam
E eu... sou o manto da minha própria foz.

Há um vazio nestas pedras que apanho
Caminhos curvos e embriagados
Os olhos turvos, pretos e molhados
Avenidas de punhos erguidos e fados
No encalço destes frutos envenenados
E eu... sou o manto sem saber do meu tamanho.

Há uma névoa na tempestade que vem
Morte, memória, qualquer coisa a parir
Quem sabe um palhaço a sorrir
Ou um céu para me cobrir
Como sangue em veias de ir e vir
E eu... sou o manto que já não me tem.

rEgReSs0


Regresso a cada toque da palavra no silêncio
Nas quebras da fonte
No encalço da pele
Nas inquietações dos passos.
Regresso, apesar dos cansaços...

Regresso a cada paladar do poema
Nos lábios quentes
No sonho que passa
Nas viagens que nem vejo,
Regresso, dentro do desejo...

Regresso a cada maré que pinto
Sem sossego
Num colorido apenas
Talvez outro vazio,
Regresso, feito rio...

Regresso a cada saudade
Chaga de um tempo solto
Leito ainda onda
Janela aberta ao lar,
Regresso, para ir e para ficar...

9 de abril de 2011

EsTeSiLêNcIo


Este silêncio de mim

Inquieta-me o corpo

Mastiga-me a fome

Acorda-me pesadelos

Trespassa-me o sangue

Afoga-me as lágrimas

E fico solidão...

Neste silêncio de mim

.

Este silêncio que grito

Não canta canteiros

Nem fogo nem ar

Apenas um pó

Desses que tatuam

E se deixam ficar...

Neste silêncio que grito.

.

E depois?

As memórias passam ao vazio

Neste grito de mim

Que o silêncio cobre num rio

Que me cobre moribundo

Outra vez eu. Vagabundo.

Sem nada esperar. Voar. Voar. Voar.

E nunca mais voltar.

8 de abril de 2011

tRaGo

Trago uma palavra presa num grito
Rouco, cantar quente e aflito
Numa voz cansada e perdida.
Uma onda que se fez à vida
Num areal que nunca foi escrito...

Trago uma palavra abandonada
Como um abraço que não sabe a nada
E se vai, sem deixar memória.
Tempestade e história
Em corrente acorrentada...

Trago uma palavra no sufoco de mim
Solidão de cores em terno jardim
Que fica no silêncio de tanto.
E a palavra sangra-me como um manto
Entre estas lágrimas que se desfazem assim...

Trago uma palavra seca, muda e vazia
Que me acorda ao romper de cada dia
E não me deixa descansar.
Por isso, no beijo mais secreto do mar
Embrulho de mansinho esta melancolia...

Trago o punho aberto na dança
Um sonho e gargalhada de criança
Que vive sempre tudo ao fundo.
Por isso, o meu nome é vagabundo
E eu, a inquietação que nunca se alcança...

7 de abril de 2011

oMeUpEiTo

Dá-me o tempo o vazio sem pedir licença

Nem sequer bate à porta...

E o meu peito sangra, inquieta-se na tempestade imensa

Que é uma espera crua, fria e talvez morta.

.

Uma onda que vem e passa

Não volta, provavelmente nunca mais...

E o meu peito num calor que destrói e abraça

Canta os segundos interditos e infernais.

.

Um tremer no fundo mais fundo que se tece

Como um poço infinitamente perdido...

E o meu peito lembra, esquece, lembra, esquece

Neste calar, manto de um leito assim dorido.

.

O futuro vagabundo de cada caminhada

Risco no olhar do poeta que se quer menino...

E o meu peito volta a ser tudo e volta a ser nada

Como quem espera que o dia acorde cristalino.

.

Grito sem parar o abraço e o beijo

Esse mel do meu jardim que sou eu...

E o meu peito chora solidão e desejo

Porque de tanto talvez já tudo se perdeu.

6 de abril de 2011

tUd0oQuEdEsCuBr0eMn0v0vErSo

Não escrevo mais um poema. Pinto o mar. E deixo a minha voz solta nas ondas de ir e vir. Por vezes sou manto no areal. Outras... grito no ar. Em palavras carregadas de mim. Em embriaguês vagabunda e amante que corre das montanhas da minha pele. Do que sinto. Do que quero. Do que tenho. Por isso os sonhos são coloridos e os caminhos têm flores. Mesmo no vazio de alguns momentos. No vazio de nós. No tudo que descubro em cada novo verso...

5 de abril de 2011

p0eMaDeTeTeR

Senta-te um pouco em mim

Larga o teu mundo num grito

Deixa que o tempo se afaste,

Se prenda e se arraste

Até se perder no infinito...

.

Canta de novo o amor

Feito de pele e de ti

Só um caminho forte e quente

Num rio sempre presente

É corrente de estar aqui...

.

Abre um abraço à vida

Flor de cantar a teu jeito

Dança que se dá e se tem

Embrulhada num eterno vai-e-vém

Que as marés me fazem no peito...

.

Inquieto olhar tatuado

Nesta viola a renascer

Sou vagabundo e não páro

De me querer especial e raro

Em cada poema de te ter...

1 de abril de 2011

oAbRaÇoDaMoRtE

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Por muito que as palavras me escorram

Que os rios reflitam pétalas em canteiro forte

Ficam sempre os silêncios e o tempo

No segundo exato em que se abraça mais uma morte


O sangue viaja entre a pele e as memórias

Os beijos, doces e tristes no vento que passa

Perto demais das paredes do meu castelo

Assim, no segundo exato em que mais uma morte se abraça


Seja eu vagabundo, poeta, amante ou vazio

Sei que hoje não há nada que me conforte

Eternizo-me até ti, no sussurro de uma canção

No segundo exato em que abraças mais uma morte


Sejas tu bailarina, leito, grito ou dor

Deixa-te quente nesse teu caminhar que me entrelaça

E cada nova maré inventada em noites de solidão

Aquecerá esse segundo exato em que mais uma morte se abraça

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VeNt0sEnTeEsTeNóS


Vou estar mais uma vez no CLUBE LITERÁRIO DO PORTO, desta vez num recital preparado com a Carla Marques. Os poemas são dela. As canções são minhas. Aproveitei esta oportunidade para estrear 6 canções novas que dedico ao vento e ao amor. Porque é o vento que me faz respirar e nele ouço a voz dos corações. Sem vento as searas paralisam e morrem; as ondas secam; e a vida mente. Este vento de mim é assim. A ternura que se lança nos horizontes e que se deixa entrelaçar a quem tem as janelas abertas. Respiras? Então sente estes nós!

LeGeNdA

Pac-man e suas princesas