28 de abril de 2016

nAdAeTuDo

de nada me vale o tempo sem paz
de nada me vale a paz sem sonho
de nada me vale o sonho sem sol
de nada me vale o sol sem sorrir
de nada me vale sorrir sem chão
de nada me vale o chão sem leito
de nada me vale o leito sem amor
de nada me vale o amor sem ti

Em ti, 
o meu amor 
é leito 
e chão 
que me faz sorrir
entre o sol
e o sonho
da paz

AMo-te

11 de abril de 2016

BaTiMeNt0

Se soltar a ave de madrugada
Se me atirar ao mar sem destino
Se perder o meu brinco que me deste em pequenino
Se mergulhar profundo em lágrimas na almofada
Se escrever em bebedeira e lucidez
Se vomitar o sonho mais uma vez
Se der finalmente o grito que se anuncia
Se pintar a noite e a fizer dia
Se cantar por dentro de ti
Se te beijar a mão, como te pedi
Se abrir a cachaça, finalmente
Se entoas um discurso que ninguém desemente
Se as janelas fossem apenas pretextos para um regresso
Se o tempo não matar o que nunca esqueço
Se o poeta for assassinado pela sua própria inundação
Se o mundo couber todo no teu coração
Se voltares para mim, em solidões de encontros especiais
Se o queijo for tão bom como o leitão de Negrais
Se entretanto eu me for embora
Não te esqueças que estarei aqui, como outrora.

21 de março de 2016

lAvA?

Serei lava de vulcão que escorre e queima a terra à sua passagem, que serpenteia, em fuga, pelos trilhos mais (im)prováveis. Serei essa explosão única, capaz de matar as próprias cinzas, sem com isso deixar de cantar baixinho. Um grito em melodia de colibri, doce e triste, cansado e sonhador. Serei tudo também ao redor de uma tímida e forte inércia. Aos céus que me cobrem e aos amores que me esperam. Não vale a pena esquecer.

7 de março de 2016

NaRcIs0

Junto ao rio, aquele único rio da tua estória. Acaricias a noite e os silêncios. Sabes a filmes e fotografias. Deixas-te fluir pelas pedras do chão. Encostas os sonhos ao imprevisto. E nada acontece. Apenas o momento que não vês...

22 de fevereiro de 2016

NiNgUéMmEaCoDe

Já o cansaço me tolhe a morte e sacode
O pesado grito que o meu peito embriaga.
Sou solidão e ninguém me acode,
Sou poço entre a flor e a chaga

Já o futuro se colhe e explode
O tempo invertido da vida
Sou solidão e ninguém me acode
Sou semente de uma terra esquecida

Já o presente sou eu em frágil ode
E aqui me deixo na montanha e no cais
Sou solidão e ninguém me acode
Neste roda-viva onde tudo é demais

7 de fevereiro de 2016

OsEgReDo

Era uma vez um pequeno amante que adorava flores. Cada uma significava um enorme sorriso de amor. Um dia, o pequeno amante abriu a janela de sua casa, como o fazia sempre, mas desta vez não viu o seu jardim. Que seria feito dos canteiros todos que plantara anos e anos a fio? Procurou pelos sonhos e pelos pesadelos e não obteve resposta. Procurou nos papéis seus se por acaso lá teria deixado alguma mensagem. Procurou nas canções e nos poemas. Nos lençóis e nas toalhas. Nada... Então, sem baixar sequer a cabeça, vestiu-se de pássaro e voou.

5 de fevereiro de 2016

ReTaLh0

Quando a noite se pôs e o silêncio cobriu as águas, os dois amantes surgiram sorridentes. Finalmente o mundo todo se transformou em nada, afinal o tudo que precisavam para existir. A Lagoa, essa, serve de espelho aos olhares dos que não querem desperdiçar a vida...

1 de fevereiro de 2016

TaLvEz

Talvez um dia o dia acorde tarde demais e se cantem as viagens em capas de jornais. Talvez lágrimas de união ou mesmo uma ideia de revolução...
Talvez seja assim a vida inteira: nunca se saber o tempo justo e a hora certeira. Por isso o amor é um frágil aperto à procura de encontrar o seu leito incerto...

25 de janeiro de 2016

dEsTeChÃo

Deste chão nosso pisado. As almas embriagadas da vida. Sei do sonho e do fado. Não sei da ventania perdida. Deste chão nosso cansado. O eco de dentro além. Sei do sangue brilhante e rasgado. Não sei do que ainda mal vem. Deste chão nosso dançante. As ausências e as saudades outra vez. Sei do tempo solitário e amante. Não sei de nada, nem de mim, talvez. Chão nosso agora. Gritos em abraços de ir e estar. Sei da memória que fica e se demora. Não sei do fogo que me arde sem parar. É assim, este chão nosso terra. Um forte oceano de energia limpa e clara. Por isso tudo o que sei e não sei se baralha e encerra. O tudo que o meu corpo diz em história rara.

9 de novembro de 2015

BuRaCo

Como nesse dia em que me deitei ao mar e tu te deixaste secar em lágrimas. A minha vida navegou pelas ondas dispersas e livres. O meu sonho fez-se marinheiro na vertigem das incertezas maiores. O Sol, no seu ritmo divino e meticuloso, fazia questão de me lembrar o passar dos tempos...

oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...