O repositório de versos não era mais do que uma espécie de vaso com água gasta e turva. Põe-se lá um ramo fresco e mesmo assim não sobrevive. As flores de plástico enferrujam. Até quando se troca a água o cheiro permanece. O melhor é mesmo abrir a janela?
3 de junho de 2016
30 de maio de 2016
bRuMa2
Hoje nada do que dissesse ou fizesse o iria fazer sorrir. Tentou saltar, mas o medo da queda colou-o ao chão. Quis gritar, mas a voz entaramelou-se. Pediu socorro, mas ninguém parou. Até chorou abandonado, mas a cidade não parou. Então, sem saída, resolveu vestir-se.
29 de maio de 2016
bRuMa1
Rodeando o seu próprio copo de cachaça, o Vagabundo nem sequer se permitia à vertigem. Ia esvaziando o tempo. Correndo por entre espaços sem nada e sem história. Já não sentia o cheiro do queijo ou o sabor do vinho ou as gargalhadas do "porra". Apenas o copo de cachaça. Sem cachaça. Ainda a ferver da dor deixada. Ainda brilhante dos tempos de liberdade. O Vagabundo está a morrer.
28 de abril de 2016
nAdAeTuDo
de nada me vale o tempo sem paz
de nada me vale a paz sem sonho
de nada me vale o sonho sem sol
de nada me vale o sol sem sorrir
de nada me vale sorrir sem chão
de nada me vale o chão sem leito
de nada me vale o leito sem amor
de nada me vale o amor sem ti
Em ti,
o meu amor
o meu amor
é leito
e chão
que me faz sorrir
entre o sol
e o sonho
da paz
AMo-te
11 de abril de 2016
BaTiMeNt0
Se soltar a ave de madrugada
Se me atirar ao mar sem destino
Se perder o meu brinco que me deste em pequenino
Se mergulhar profundo em lágrimas na almofada
Se escrever em bebedeira e lucidez
Se vomitar o sonho mais uma vez
Se der finalmente o grito que se anuncia
Se pintar a noite e a fizer dia
Se cantar por dentro de ti
Se te beijar a mão, como te pedi
Se abrir a cachaça, finalmente
Se entoas um discurso que ninguém desemente
Se as janelas fossem apenas pretextos para um regresso
Se o tempo não matar o que nunca esqueço
Se o poeta for assassinado pela sua própria inundação
Se o mundo couber todo no teu coração
Se voltares para mim, em solidões de encontros especiais
Se o queijo for tão bom como o leitão de Negrais
Se entretanto eu me for embora
Não te esqueças que estarei aqui, como outrora.
21 de março de 2016
lAvA?
Serei lava de vulcão que escorre e queima a terra à sua passagem, que serpenteia, em fuga, pelos trilhos mais (im)prováveis. Serei essa explosão única, capaz de matar as próprias cinzas, sem com isso deixar de cantar baixinho. Um grito em melodia de colibri, doce e triste, cansado e sonhador. Serei tudo também ao redor de uma tímida e forte inércia. Aos céus que me cobrem e aos amores que me esperam. Não vale a pena esquecer.
7 de março de 2016
NaRcIs0
Junto ao rio, aquele único rio da tua estória. Acaricias a noite e os silêncios. Sabes a filmes e fotografias. Deixas-te fluir pelas pedras do chão. Encostas os sonhos ao imprevisto. E nada acontece. Apenas o momento que não vês...
22 de fevereiro de 2016
NiNgUéMmEaCoDe
Já o cansaço me tolhe a morte e sacode
O pesado grito que o meu peito embriaga.
Sou solidão e ninguém me acode,
Sou poço entre a flor e a chaga
Já o futuro se colhe e explode
O tempo invertido da vida
Sou solidão e ninguém me acode
Sou semente de uma terra esquecida
Já o presente sou eu em frágil ode
E aqui me deixo na montanha e no cais
Sou solidão e ninguém me acode
Neste roda-viva onde tudo é demais
7 de fevereiro de 2016
OsEgReDo
Era uma vez um pequeno amante que adorava flores. Cada uma significava um enorme sorriso de amor. Um dia, o pequeno amante abriu a janela de sua casa, como o fazia sempre, mas desta vez não viu o seu jardim. Que seria feito dos canteiros todos que plantara anos e anos a fio? Procurou pelos sonhos e pelos pesadelos e não obteve resposta. Procurou nos papéis seus se por acaso lá teria deixado alguma mensagem. Procurou nas canções e nos poemas. Nos lençóis e nas toalhas. Nada... Então, sem baixar sequer a cabeça, vestiu-se de pássaro e voou.
5 de fevereiro de 2016
ReTaLh0
Quando a noite se pôs e o silêncio cobriu as águas, os dois amantes
surgiram sorridentes. Finalmente o mundo todo se transformou em nada,
afinal o tudo que precisavam para existir. A Lagoa, essa, serve de
espelho aos olhares dos que não querem desperdiçar a vida...
1 de fevereiro de 2016
TaLvEz
Talvez seja assim a vida inteira: nunca se saber o tempo justo e a hora certeira. Por isso o amor é um frágil aperto à procura de encontrar o seu leito incerto...
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oTeMp0
O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...
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Há um silêncio de memórias nos rostos que dormem sobre os lábios que esperam. No aroma dos frutos caídos. Na ternura das palavras. De ti. E...
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A minha calçada é um manto frio Que me cobre de inquietação Foge-me dos pés, em forte arrepio Curva-se-me em lágrima e canção A minha calça...