15 de dezembro de 2009

SeFoReSaPaRiS


Se fores a Paris
Diz ao Sena da minha tristeza.
Conta-lhe as coisas que fiz
Mostra-lhe a cor da minha mesa
Do meu leito ou regaço.
Se fores a Paris
Conta-lhe que as coisas que faço
São da magia do nosso amor
Do ventre e do teu calor
Onde choro e rio também.
Se fores a Paris
Lembra-te da minha mãe.

Se fores a Paris
Diz ao Sena da minha voz.
Conta-lhe que ainda sei ser feliz
Como um rio junto da foz
Da margem ou da fonte.
Se fores a Paris
Deixa-te ficar numa ponte
E lança os teus olhos na corrente.
Cada lágrima passará junto dos cais
Para te cantar mais e mais
Aquela dor que ainda se sente e sente
E que teima em não ser cicatriz...
Se fores a Paris
Procura a minha morte no passeio junto ao rio
Essa é a minha história, o meu fio.
A passagem entre o cá e o lá
Essa terra que não há
Ou a que teimosamente me diz:
Pára de chorar e canta
Deixa que quando for a Paris
Deitarei o teu sangue como uma manta
Sobre o espelho do teu passado
Esse que te consome por todo o lado
Que te fala verdade e que te mente
Que se confunde com o presente
Ou que te fecha os punhos em luto puro
Só porque ainda não alcançou ou futuro
Ou tudo o mais que se pode dizer de quem
Traz no ventre a sua própria mãe
E grávido de muito, te grita num beijo doce
Vai a Paris como se fosse
Fazer amor por todo o lado
E depois, de mansinho e sem perguntar
Adormece o meu desassossego acordado
Para finalmente eu poder regressar...
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Tinha de ser magia. Porque Paris é magia. Obrigado, Andreia, pela fotografia.


13 de dezembro de 2009

nUnCaTeCaLeS


É com este poema que fiz para a minha recente amiga Joana que gostava de homenagear todos os que têm estado a meu lado. Ontem foi mais um dia desses, que nunca mais esquecerei. Obrigado a todos. Um beijo especial à Maria e ao Zé Manel, que me brindaram mais uma vez com a sua ternura, a sua voz e a sua intensidade!
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A força da tua voz é um passo de bailarina
O sorriso de dar um beijo
O olhar de eterna menina
Um rio que corre, pode ser o Tejo
Um mar que dorme, pode ser o amor
Um canto de ave, no vento, a nu.
A força da tua voz és tu!

A força da tua voz é um grito de fera
As rugas do tempo e da luta
A chaga que abriu uma nova Primavera
Um trovão, a lágrima enxuta
Uma onda, sémen e gravidez
Um corpo que ama, nu.
A força da tua voz és tu!

A força da tua voz é um laço
Feito de ternura e vontade
Carregado deste poema que faço
Direitinho ao teu colo de amizade
Pode ser novo, de mansinho
Uma revolução permanente, a nu.
A força da tua voz és tu!

12 de dezembro de 2009

dAsPaLaVrAsQuEn0sUnEm

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Por cá me vou encontrando
Nas palavras de nos unir
Do sonho que temos a nosso mando
Só mesmo verso, amor e porvir
Para nos deixar viver mais um pouco
Que de tanto gritar me sinto rouco
Que de tanto cantar me deixo louco
Que de tanto existir vou caindo mouco...

Por cá nos vamos tendo
Das palavras de andar à deriva
Na procura de nós, na tortura de ir sendo
Versos simplesmente de dor cativa
Só mesmo agora o tempo se enterra
Só mesmo na hora de tudo que encerra
No céu, no mar e na terra
No vento da paz, no fogo da guerra...
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18 de Novembro de 2006, o início...

11 de dezembro de 2009

eSc0lHaS


É já amanhã que aspalavrasquenosunem ecoarão nos nossos peitos, olhares e sorrisos. Espero por vocês!

9 de dezembro de 2009

aSmInHaSpAlAvRaS

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As minhas palavras partem-me
Arrancam-me de mim
Cruéis e sedentas
Rios e mantas
As minhas palavras são tantas!
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As minhas palavras devoram-me
Suicídios permanentes
Partos e trovas
Ondas como plantas
As minhas palavras são tantas!
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As minhas palavras abraçam-me
Fazem amor
Saudade e temporal
Raízes fecundas
As minhas palavras são fundas!
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As minhas palavras são a noite
Inquietações e silêncios
Gritos e lágrimas
Embriagadas, vagabundas
As minhas palavras são fundas!
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As minhas palavras...
Canções, ventos, marés
Se trago palavras no peito
Se as pinto a meu jeito
Acorrentando-me desfeito
É por seres assim quem és!
O meu sangue e o meu leito.

7 de dezembro de 2009

tEmPo

Mergulho no teu olhar
Como se fosses o tempo meu
Pedaços de pele, vento e mar
De tudo o que tive e me aconteceu
De repente, a luz e a saudade
Pintadas de jardins cheios de histórias
E de novo o chão, e de novo a verdade
Versos, beijos, memórias
Ficam os aromas e a noite fecunda e só
Um copo de calor molhado de mim
Um trevo de silêncios e um nó
Como se tudo fosse recomeçar no fim
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Mergulho no teu olhar
Como se fosses um regresso
Abraço longo longo longo de nunca parar
Nada mais quero, nada mais peço
De repente, a paz. O ventre da mãe
O calo da vida que passa e não cala
Como quem se perde, volta e vem
Num vagabundeante que me adormece e abala
Ficam os sorrisos, as telas dentro do peito
Um sussurro escondido de passado
E o futuro aparece outra vez refeito
No dançar do nosso outro lado!

6 de dezembro de 2009

mAdRuGaDa

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Uma madrugada de nevoeiro, naquele frio do Inverno tão aconchegante, como uma lareira e um chá...
Hoje foi assim. A minha história voltou a pedir-me um beijo.
E eu, por entre o Tejo e o cinzento do céu, quis colorir-te da Revolução!
Bem-hajas, Maria do meu coração.
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Existe uma madrugada cheia de dança
Ritmo ao nascer, corpo em liberdade total
Sorrisos suados e sonhos de esperança
Pode ser um cravo, mas é certamente Portugal!

Existe uma madrugada cheia de punhos erguidos
Uma espécie de embriaguez entre o bem e o mal
Abraços e beijos aprisionados ou adormecidos
Pode ser um cravo, mas é certamente Portugal!

Existe uma madrugada de canto e poesia
Cada passo um verso de flor, pedra e cal
Ruas de povo, gritos, tu... ele... ela... nós... Ary e alegria
Pode ser um cravo, mas é certamente Portugal!

Existe uma madrugada na ponta de uma espingarda
Carregada e pesada de amor forte e genial
De voz rouca, pele brilhante e fome suada
Pode ser um cravo, mas é certamente Portugal!

Onde pára essa madrugada, tão viva ainda em mim?
Que do esquecimento morre a alma, mesmo feliz
Que da besta cai o sangue e jorra sem fim
Os pedaços deste cravo a que chamaram país...

Onde pára essa madrugada, tão quente e tão forte?
Que deste andar às voltas eu nunca quis
Mesmo na lama, teremos que levantar desta morte
Os pedaços deste cravo a que chamaram país!

Onde pára essa madrugada, ainda fecunda e viril
Aberta nas portas desse mês que um dia se fez eterno
Nas formas do calendário sempre meu, sempre Abril
Onde ainda choro a alegria do teu abraço fraterno

5 de dezembro de 2009

Ary, Sempre!

Do teu grito de dentro sai o mundo inteiro.
Um país de luta,
De luto prisioneiro
Carregado de sangue e poesia.
Do teu suor,
As mãos...
Esse dançar eterno pela liberdade
Nos beirais dos lábios, das canções.
Qualquer coisa de saudade
Qualquer fonte de ti...
És o grito que sonho, Ary!

3 de dezembro de 2009

vEnToEmAr


Quando o mar carrega os seus sonhos
E na praia se deita adormecido
Os meus passos são doces e medonhos
À procura do que nunca podiam ter sido

O meu sangue que ferve sem se ver
Os meus lábios, ondas e vento a chegar
Porque a dor de te perder
É bem maior que a dor de te amar

Minha voz, um ronco de espuma e sargaço
Onde me perco em silêncio e solidão
Deste rio que faço e desfaço
Em cada poema, em cada canção

Se esta dor de vertigem ardida e forte
For o toque de um abraço aberto ao mar
Nunca mais será viva esta morte
E morrer será, talvez, voltar

Sinto o peso desta corrente em mim
Que se deita na pele e não sossega
Minha história, uma caminhada eterna, sem fim
Deitada na tristeza que a minha alma carrega

2 de dezembro de 2009

m0rReRsÓ

O meu poema maior é o horizonte:
Pedaços de vento e sangue quente
Que de mim jorram como fonte
Ao encontro da foz como corrente.
O meu vazio, em fogo e saudade
Deixa-me os silêncios em grito.
E assim me perco sem nó nem idade
E assim me quedo, solto e aflito.
O meu corpo, dor da minha voz
Calada num sorriso ou numa ponte
Essa, que nos faz querer morrer sós
Sempre que de novo procuramos o horizonte...

1 de dezembro de 2009

c0rEs


Amarelo areia da minha solidão
Pintada num sorriso de menino
Vagabundeando sempre sem destino
Dançando as malhas de um pobre coração

Verde o manto da saudade
Carregada de pele em sedução
Que se perde sem tempo nem razão
Forte grito de amor e tempestade

Vermelho lágrima escravo de porão
Em viagens de nada, de um livro ou veleiro
Solta ignorância do meu verso derradeiro
Morte anunciada cravada nos calos da mão

Branco lábio em beijo de canção
Janela que se abre ao teu redor
Que de ti, sabemos do vento maior
Que de mim, apenas um pequeno raspão

Negro colo de idas e regressos sem fim
Ondas velhas, novas ou em vão
Labirinto que se desfaz porque não
Parideiro de um novo abraço porque sim


oTeMp0

O tempo que passa Leva uma flor ao vento Que se faz poesia e raça Fonte, porta e lamento Curva-se o peregrino Sem ter medo da desgra...