12 de junho de 2011


Já o tempo se fez mar aberto no leito
Já os silêncios canção e gargalhada

Mergulho bom nas águas deste sonho imperfeito

Que da plenitude faz eterna a madrugada!
Já o corpo pede mais no cheiro de nós

Já a saudade corre verso, inquietação e alegria

Porque existe este toque, corrente límpida e veloz

Na beleza livre de contigo abraçar mais um dia!

Já o sangue pinta as formas de uma janela sempre aberta

Já os silêncios são viagens e abraços sempre por dar

Rasgo em mim todos os sonhos da canção mais incerta

Que nos teus olhos um dia soube encontrar!

Já o futuro só existe por entre os tons da tua mão

Já a fome é fartura de uma vida forte e feliz

E não acalmo, nem um segundo, este fogo em ebulição

Nas profundezas do que faço e do que fiz!

Já a alma é um fado que se canta sereno

Já as luzes, pequenas e quentes...

Por isso meu passo é muito mais do que me condeno

De cada vez que os caminhos se cruzam pendentes!

Já o tudo é grito na autoestrada
Já a lágrima, a magia, o poema, a ternura que há

E não desejo mais nada.
Na imensidão deste já!

3 comentários:

Maria disse...

O teu AGORA, o teu SEMPRE, o teu TUDO!
A tua ânsia de viver intensamente cada segundo
Trilhos vales montes rios do mesmo mundo
Falésias que me rasgam num grito sempre mudo.

Beijo-te

Filoxera disse...

Já a voz com que escreves a saudade
É murmúrio calmo de alegria
E o canto que vestes de serenidade
Se faz hino de homenagem à poesia.

Gostei.

mariam disse...

Pedro,

BELO! Já o 'disse' e repito, ler a tua poesia é sempre muito bom.

beijinhos
mariam

PoDeSeR

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