5 de dezembro de 2010

pRoCuRa-Me


Procura-me na onda que abraça
No vento que trespassa
E fica tatuado.
E o olhar levanta-se,
Atira a sua lágrima de alegria
Cobrindo todo o areal:
Fica e passa...
Na onda que abraça!

Procura-me no azul que beija
Em tudo o que se deseja
E nasce a cada hora.
E a pele ferve-se,
Faz-se poema outra vez e sempre
Inquietando o areal:
Falta e sobeja...
Na onda que beija!

Procura-me no silêncio que canta
No corpo que luta e se levanta
E se lava nas águas loucas.
E o tempo é meu,
Volta na ponta dos meus dedos
serpenteando o areal:
A vida é tanta...
No silêncio que canta!

10 comentários:

MeuSom disse...

Santo Deus!
Que poema lindo, Pedro!
Pedro!
Pois..., sentimentos não têm comentários possíveis!... só que... é, não encontro a palavra, talvez que não haja...
Beijo.

MisteriosaLua disse...

Vou ter de o levar comigo, Pedro...

Apenas eu disse...

sim... és procurado:) o mar é de todos, o vento também, as tatuagens são eternas...
e a vida realmente é tanta...

G... disse...

a poesia é tanta
vibra, encanta
desfaz-se em espuma
enrola-se de bruma
veste-se de história
contada de memória
longe da certeza
na esperança acesa
de achar num momento
a paz perdida cá dentro

Fantástico poema.
Como sempre.
Já não espanta.
Beijinho

Maria disse...

Encontra-me na volta do tempo
enroscada pelo frio e pelo vento
a chuva a bater-me por dentro
e eu à tua espera, para o momento

Encontra-me uma vez que seja
na espuma da onda que se beija
na boca ardente que se deseja
e na memória, para que se veja

Encontra-me só mais uma vez
na volta do tempo que se desfez
no abraço que se deu mais uma vez
e na despedida, que em nós se fez

Encontra-me por fim em cada dia
na noite no vento que assobia
no mar na rocha em que metia
toda a saudade que em nós cabia.

Encontra-me...

Apenas eu disse...

Alguém encontrou o meu beijo por aí?

Pedro saí sem te dar o meu beijo.
Por isso voltei.

beijinhosssssss

mariam disse...

Pedro,
Tenho estado por aqui a colocar a leitura 'em dia'... até este último poema, magnífico!
Fiz uma picardia, não te zangues comigo, sabes, tenho a mania de ler alguns poemas ao contrário... e este fica fantástico também :)

"No silêncio que canta
A vida é tanta...
Serpenteando o areal
Volta na ponta dos meus dedos
E o tempo é meu
E se lava nas águas loucas
No corpo que luta e se levanta
Procura-me no silêncio que canta

Na onda que beija
Falta e sobeja
Inquietando o areal
Faz-se poema outra vez e sempre
E a pele ferve-se
E nasce a cada hora
Em tudo o que se deseja
Procura-me no Azul que beija

Na onda que abraça
Fica e passa
Cobrindo todo o areal
Atira a sua lágrima de alegria
E o olhar levanta-se
E fica tatuado
No vento que trespassa
Procura-me na onda que abraça"

beijinhos :)
mariam

mariam disse...

... gostei imenso da leitura (toda). Obrigada :)

OUTONO disse...

...perante esta cátedra de poetas que acompanham o POETA...eu simples redactor...retiro-me de mansinho...olhando para trás e pensando:
- quando for grande... vou ser poeta grande como ele PEDRO...ou não me chame OUTONO!!!!

Filoxera disse...

Pedro:
Esta troca de poemas entre ti e a Maria,originou uma recriação da força e do sentimento que tão bem exprimem:

Procura-me nas marés da vida
Na busca poética de quem quer
Atrever-se numa emoção incontida
Descobrindo que há tudo para viver

Encontra-me no silêncio da canção
Que ecoa, num sorriso convertida
No vento que sopra, na inquietação
Em que navegas, numa rota proibida

Abraça-me nessa onda suave e lenta
De quem a toda a hora se reinventa
Pela paixão de velejar em águas quentes

Que, quando me abraças, o abandono
A que me dou é deleitoso qual sono
Dos amantes saciados, sorridentes

Um beijo.

LeGeNdA

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