11 de novembro de 2010

DeAmBuLaÇõEs

Pudesse eu abraçar todas as cores
E já seria jardim.
Como se fossem dores
Aninhadas, pousadas em mim...
Pudesse eu cantar todas as janelas
E já seria rio.
Como se fosse tê-las
Entre o leito, o silêncio e o arrepio...
Pudesse eu transformar cada memória
E já seria vento.
Como um pequeno príncipe perdido na história
Que numa noite apenas renasce; belo lento...
Pudesse eu ser verso em grito forte
E já seria mar.
Como uma tempestade que foge da morte
E na praia se deixa simplesmente aconchegar...
Pudesse eu ser fado no mundo
E já seria corpo entregue sem dono.
Como um passo mais, leve e profundo
Entregue ao seu próprio abandono...
Pudesse eu ser tudo, nada, vazio, força, animal, corpo, fome, palavra muda, digestão
E já seria outra vez...
Porque o bater que teima o meu coração
É o respirar que sempre em mim se fez!

2 comentários:

OUTONO disse...

Um respirar...sempre em crescendo...na ânsia de um encontro longe...onde o abraço seja perto...

Como é bom este "jardim"....do teu criar!

Maria P. disse...

Gosto sempre, sempre daspalavrasquenosunem...

Beijinho Pedro*

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