9 de março de 2011

sE

Se um dia voltar a partir
Será um regresso na eternidade
Não quero este sofrimento de ir e vir
Pousado nos meus olhos, feito tempestade
Que me rompe a alma em vazios gritantes
Se um dia voltar a partir, não será como dantes...

Se um dia voltar a chorar
Terei na cama um aquário e um espelho
Para que os meus braços se consigam levantar
Neste caminho duro, florido e velho
Que pinta saudades em cada jardim
Se um dia voltar a chorar, saberás de mim...

Se um dia voltar a morrer
Nunca o meu corpo ficará na dança
Mais um passo em honra de se perder
Os vértices com que se cantam a esperança
Que é fogo, saudade, vento e tudo o mais
Se um dia voltar a morrer, por entre as margens e os canais...

1 comentário:

Maria disse...

Nada se repete, na vida. Quero dizer, nada é igual. Há situações e sentimentos e estados-de-alma (seja lá o que isso for) que se repetem, sim!
Sendo que nada será como dantes, saberei eu de ti?

Abraço-te.

m0rAsEmMiM

Moras na solidão mas os teus olhos são de mar Moras na solidão mas o teu bairro é a tua voz Moras na solidão mas o teu corpo é de bail...